Mundo Operário

PRIVATIZAÇÃO DO METRÔ

Metroviários de SP realizarão assembleia para debater plano de lutas contra as demissões

Os metroviários devem sair à luta contra as demissões e o terrorismo da empresa, aliando-se aos metalúrgicos no dia 29 de setembro

Felipe Guarnieri

Operador de trem da L1 azul do Metro de SP

segunda-feira 19 de setembro| Edição do dia

Na próxima quarta-feira (21/09) acontecerá a assembleia dos metroviários de São Paulo cujo tema central serão as demissões que vem ocorrendo na companhia. Nos últimos 2 meses foram 8 demissões de funcionários da manutenção e segurança (sendo 1 por justa causa), com motivos diversos alegados pela direção da empresa, mas que convergem num único objetivo: implantar um tipo de terrorismo que impeça que os trabalhadores reivindiquem seus direitos. Não a toa boa parte dessas demissões está baseada na alegação de "falso testemunho" e "quebra de confiança" com metroviários que entraram, através de ação na justiça ou como testemunha, em processos trabalhistas contra o Metrô.

Essas demissões somam-se ainda com os metroviários demitidos políticos por Alckmin da greve de 2014, e se dão em meio a um cenário de fracasso do PDV implementado recentemente pela empresa no último período. Esses ataques do Metrô tem como estratégia de abrir caminho para a privatização, operando de forma semelhante a iniciativa privada, onde os trabalhadores são proibidos de reivindicar seus direitos garantidos na constituição e nas leis trabalhistas, caso contrário sofrem retaliações e são desligados. Vale lembrar que a privatização dos transportes, que vinha sendo feita nas linhas de expansão por meio das PPPs no governo Dilma, ganhou novo fôlego e avançou ainda mais com a consolidação do governo golpista de Temer.

Para esse ano através do regime de concessão direta já foi anunciada a privatização das linhas 5, 14 e 15, combinado aos anúncios da reforma trabalhistas e previdenciárias que no discurso de Temer coloca o funcionalismo público como alvo central desses ataques. Nos editoriais da Folha de SP, Estado e Valor Econômico, novamente se difunde a ideia que os servidores públicos são "privilegiados" e tem que pagar a conta da crise econômica, jogando a população contra os trabalhadores, e escondendo a realidade de que os privilégios estão justamente concentrados nas mãos desses políticos corruptos do congresso e nos cargos comissionados e indicados de quem controla empresas estatais como o Metrô de SP.

Entretanto, os ajustes de Temer e o avanço da privatização, não irão afetar somente os servidores públicos. É um ataque contra toda a população, que acabara com direitos de todos os trabalhadores também no setor privado e na indústria, além de um transporte com tarifas ainda mais caras, com um serviço de pior qualidade e que aumentará ainda mais a receita das empreiteiras e consórcios já envolvidas em diversos escândalos de corrupção dentro e fora do Brasil, sendo a principais responsáveis em financiar a campanha tucana nas ultimas décadas em São Paulo.

Nós metroviários não podemos nos calar diante esse cenário. Ainda que pese toda a situação de terror colocada pela empresa, cair no clima de medo e pânico é justamente o que eles querem que façamos. Muitos trabalhadores sentem que estão com seu emprego e direitos ameaçados, e se sentem impotentes de dar uma saída individual, por isso mais do que nunca é hora de retomarmos nossa confiança na força social que possuímos, e através da organização e da unidade poder responder a altura esses ataques do Metrô. Adiar essa batalha, só trará mais dificuldades quando o confronto principal tiver que ser dado.

A diretoria do Sindicato não pode se dividir novamente e, nesse sentido, tem uma tarefa muito importante: combater o clima de terror na base da categoria e dar forças para que os metroviários possam construir no dia 29/09 uma paralisação contra as demissões arbitrárias da empresa. Além disso, nesse mesmo dia 29/09 os metalúrgicos de diversas regiões do país marcaram uma paralisação nacional contra os ataques do governo Temer. Os metroviários saindo em luta juntos nesse dia, favoreceria que os trabalhadores na base desses sindicatos pudessem garantir também uma forte paralisação, já que sabemos que tanto a CUT/CTB que não vem fazendo nada contra o golpe, como a Força Sindical de Paulinho que diretamente foi base de apoio do novo governo de Temer, e não irão mexer nada para garantir fortes paralisações.

Diante todo esse cenário complexo, o que devemos nos apoiar é que a força dos trabalhadores, organizada desde a base, é superior também à força de qualquer governo ou medidas "terroristas" como essa do Metrô de SP, assim como também é superior a burocracia sindical, que vem sendo um freio para que os trabalhadores possam se expressar e se colocar na luta contra os ataques de Temer. A necessidade de uma greve geral para que os trabalhadores possa entrar na cena política no pais é tão grande no momento, que não pode servir apenas como palavras para embelezar discursos em atos e assembleias. Tem que se traduzir diretamente em ações efetivas e não protelatórias. A direita golpista que se consolidou com Temer no novo governo, através dessas reformas, na prática já vem alterando a constituição do país, atacando direitos dos trabalhadores historicamente conquistados com base em muita luta. Só através de mobilização, podemos reverter isso através da convocação de uma Assembleia Constituinte em meio a luta para assegurar nosso direitos e avançar em conquistas dos trabalhadores e a população.




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