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METRÔ DE SP

Metroviários de SP aposentados são demitidos em massa em meio à pandemia por Doria e Metrô 

quarta-feira 14 de outubro| Edição do dia

O Metrô de São Paulo a mando de Doria começou nessa terça-feira (13) a demitir sem pagamento de nenhum direito todos os funcionários que tinham aposentadoria especial devido a trabalharem em área de risco. Nesta terça-feira foram 37 funcionários demitidos, mas já há previsão para mais demissões, podem ser centenas. Todos os demitidos nesta terça-feira são justamente os trabalhadores que estavam afastados durante a pandemia por terem problemas crônicos de saúde, inclusive trabalhadores que estavam afastados por estar tratando doenças graves como câncer, demitidos sem nenhum direito, nem sequer os previstos no acordo coletivo, cortando imediatamente até mesmo o plano de saúde do qual dependem seus tratamentos.

Usando como pretexto uma decisão do STF desse ano, que diz que não é mais possível ao aposentado especial continuar trabalhando ou voltar a trabalhar em atividades expostos a agentes nocivos prejudiciais à sua saúde mantendo o beneficio, a empresa começa a demitir esses trabalhadores sem nenhum aviso prévio, negociação e pagamento de direitos. Com essa decisão o STF mostrou mais uma vez como é um inimigo dos trabalhadores, que quer economizar cortando direitos de quem mais precisa, quando os trabalhadores - que se veem obrigados a seguir trabalhando depois de se aposentar justamente pelos valores baixos das aposentadorias - deveriam ter é sua saúde e direitos preservados, e não serem eles a sofrer ainda mais prejuízos justamente por terem passado décadas trabalhando com exposição a riscos a sua saúde. Ainda assim, o Metrô foi muito além no ataque aos trabalhadores, sem nenhum fundamento real nessa decisão, pois o STF proíbe que trabalhadores com aposentadoria especial trabalhem em área de risco, mas deixa a cargo do empregado decidir continuar na área de risco suspendendo a aposentadoria especial, ou então ser realocado para outro setor sem risco e manter o beneficio. Ou seja: o STF não fala em demissão (ou "desligamento", como a empresa alega), e o Metrô mostra total desrespeito com seus funcionários, a empresa os demite sob um falso e arbitrário pretexto.

É uma verdadeira covardia o que estão fazendo com pessoas que dedicaram sua vida toda ao Metrô, trabalhando em área de risco para garantir o funcionamento do sistema, os demitindo ilegalmente. Décadas de serviços prestados com sangue e suor que são jogados na lata do lixo de um dia para o outro. Essa medida é reflexo do esforço brutal do Metrô de cortar funcionários para cortar gastos, terceirizar e privatizar, em particular na manutenção, onde está grande parte dos atuais demitidos.

Estamos passando por uma crise sanitária de proporções históricas com a pandemia, mais de 150 mil vidas perdidas e 5 milhões de infectados pelo coronavírus. Muitas famílias perderam suas fontes de renda e o desemprego bate recordes. Os metroviários de SP estão trabalhando durante todo esse período, se expondo ao risco de adquirir o coronavírus, o quadro de funcionários está defasado já a algum tempo, e nos últimos meses isso se agravou ainda mais, trabalham se desdobrando hoje nas estações e pátios da manutenção para garantir o transporte na cidade. Mesmo assim a empresa não contrata, pelo contrário, demite. O governo Doria assim como o governo Bolsonaro ao invés de combater a pandemia, se aproveitam dela para atacar direitos e demitir. Vimos isso nos Correios esse ano por parte do governo Federal, e na tentativa de acabar com o acordo coletivo dos metroviários, inclusive seu plano de saúde, como fez Doria.

É necessário organizar os Metroviários para barrar essas demissões. Não podemos aceitar tamanho desrespeito. É muito importante que o Sindicato tome todas as medidas jurídicas, mas só isso não basta. Nós da chapa 4 Nossa Classe, minoria na diretoria do sindicato, achamos que deve ser convocada uma assembleia imediatamente e organizar setorias nas áreas para nos mobilizarmos contra esse absurdo que ataca todos os metroviários e suas famílias em um momento tão delicado. Não vamos aceitar, abaixo as demissões, nenhuma família na rua!




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