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METRÔ - SP

Metroviários convocam ato contra o racismo e as demissões

Ato será realizado na próxima quinta, 28, e terá presença de movimentos sociais e de trabalhadores. Metrô já demitiu mais de 40 esse ano.

segunda-feira 25 de setembro| Edição do dia

Na semana passada um caso chocante de racismo institucional veio a tona: o metrô de São Paulo demitiu um funcionário que havia sofrido uma grave injúria racial por parte de um usuário. Ao saberem disso, milhares de pessoas se solidarizaram e iniciaram uma campanha contra o racismo institucional do metrô, que mostrava sua cara mais reacionária, transformando a vítima em acusado.

Não é a primeira vez que o metrô culpabiliza as vítimas, vide os diversos casos absurdos de demissões nos últimos meses que incluem funcionários que foram demitidos após terem dedicado décadas de sua vida ao metrô, contraído doenças ocupacionais neste processo e que agora são demitidos por "baixa produtividade". Dois funcionários em treinamento na estação Sé também foram demitidos por participaram da campanha de retirada de uniforme contra a privatização e a terceirização. E vários trabalhadores estão sendo demitidos em represália por participarem como testemunhas de processos judiciais de metroviários contra a empresa. O metrô de São Paulo vem com uma intensa campanha não apenas contra a categoria, mas também contra o sindicato, ao perseguir ativistas, como ocorreu na demissão após a greve de 2014, na qual o metrô de São Paulo mentiu sobre o que teriam feito os demitidos, tendo o Governador Geraldo Alckmin chamado a todos de vândalos e que estes haviam destruído as estações, fato sobre o qual não foi apresentada nenhuma prova durante o processo.

O caso da demissão do Valter Rocha se torna ainda mais emblemático neste quadro quando entendemos que, no desespero de demitir um funcionário que sempre defendeu os direitos não apenas dele mas de toda a categoria, assume o mais profundo racismo, que não permite ver um trabalhador negro se levantar contra as injustiças cometidas pelo metrô e encontraram na sua demissão a única forma de calar a sua voz. Por conta disso várias entidades assinaram uma moção de repúdio contra trabalho a sua demissão.

Vemos também que esse caso de racismo se liga aos casos mais absurdos de racismo na nossa sociedade, como a próprio prisão de Rafael Braga, jovem negro do Rio de Janeiro, o único preso das manifestações de Junho de 2013, acusado de portar um coquetel molotov qua do estava carregando uma garrafa de Pinho Sol. Rafael Braga teve seu pedido de Habeas Corpus negado no último mês, sob a alegação de que o caso dele não cabia tal recurso. Enquanto isso, ele segue preso por um crime que não cometeu e sendo duplamente vítima deste judiciário racista.

Não podemos permitir que mais este caso de racismo passe impunemente e que as demissões que o metrô tem feito de maneira arbitrária se tornem rotina. Devemos nós metroviários e a população lutar contra ela imediatamente, de maneira a barrar também o processo de privatização do metrô, que quer entregar os serviços públicos para a exploração gananciosa do empresários, que querem apenas alimentar a sua sede de lucros sem se preocupar com o serviço ofertado a população ou com as condições dos trabalhadores do metrô.

Para isso, Lourival Aguiar, integrante do Movimento Nossa Classe e da secretaria do sindicato dos metroviários de negras, negros e combate ao racismo, colocou que " devemos nos somar a todas as entidades do movimento social e sindical que queriam encampar uma luta contra o racismo do metrô e pela imediata reintegração do Valter Rocha", em assembleia realizada no dia 21, os metroviários decidiram convocar um ato para esta quinta-feira, 28, para que a categoria e os movimentos sociais se manifestem contra o Racismo e contra as Demissões do metrô.

Local: Edifício Cidade II
Rua Boa Vista, 175
Horário: 16h
Evento: CONTRA O RACISMO NO METRÔ E AS DEMISSÕES

Contra o Racismo e as Demissões eu falo NÃO!

Assine também a petição online contra a demissão do Valter Rocha.




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