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CAMPANHA SALARIAL

Metrô de SP recua em ataques e campanha salarial é encerrada

sexta-feira 2 de junho| Edição do dia

Em assembleia no dia de ontem, 1, os metroviários aprovaram a proposta da empresa e foi encerrada a Campanha Salarial da categoria deste ano. A empresa retirou a proposta de não pagamento do anuênio aos ingressantes na empresa após 1/5/18; retirou o ataque do banco de horas (será elaborado um Acordo Específico viabilizando a implantação de novo sistema para substituir 042/043); suspendeu a proposta de retirada da periculosidade da manutenção do Metrô; retirou a proposta de diminuição do pagamento de hora extra e adicional noturno (mantendo 100% e 50%, respectivamente); se comprometeu a manter e renovar o plano de saúde por mais um ano; se comprometeu a elaborar proposta do plano de carreira única para as famílias da segurança (OPS) e operação (OPE) considerando o cargo de Operador de Trem e Agente de Segurança Metroviária em todos os níveis; apresentará em 90 dias estudo sobre enquadramento salarial nos cargos da manutenção; se comprometeu em realizar ainda este ano as progressões salariais referente aos anos de 2018 e 2017 com início das movimentações em 1/7/17 e conclusão em 31/12/17 que estavam até agora congeladas; reafirmou o compromisso da intrajornada com a categoria, e se comprometeu em reproduzir no acordo coletivo o documento encaminhado à SRTE (caso não dê certo tal acordo aplicará 1h de intervalo sem aumento da jornada); disse que irá reavaliar a reintegração dos demitidos da greve de 2014 nos próximos 90 dias; de inserir no acordo coletivo a escala 4x2x4 para a manutenção do POT e PCR, reajuste salarial de 3,71% (para V.A e V.R idem); participação de Rendimentos garantindo pagamento mínimo de R$5.818,18 e confirmou nenhuma punição a qualquer metroviário envolvido em manifestações na campanha ou desconto de hora/dia.

A força da mobilização da categoria demonstrada nos últimos meses com forte participação na luta nacional contra Temer e suas reformas Trabalhista e da Previdência no dia 15 de março na paralisação nacional, dia 28 de abril na greve geral, na Marcha para Brasília na semana passada, além de várias outras atividades importantíssimas realizadas pela categoria como a forte mobilização dos trabalhadores da manutenção no dia de ontem, além da Audiência Pública esta semana, foi fundamental para que Alckmin e a empresa fossem impedidos de deferir estes ataques contra a retirada de direitos dos metroviários de SP.

O Metrô acabou se utilizando da chantagem de retirar os ataques que queria implementar contra a categoria para encerrar a campanha salarial mais cedo do que previa anteriormente os metroviários, já que já havia marcado uma nova assembleia na próxima segunda-feira, 5, com indicativo de greve marcado para dia 6. Todas as correntes da diretoria, CUT/CTB, PSTU e Unidos pra lutar (PSOL) defenderam o fechamento do acordo dizendo que era o único acordo possível no momento e que a categoria tinha que se preparar para os grande embates futuros, se referindo às lutas nacionais em curso contra Temer e as Reformas.

Para Felipe Guarnieri, operador de trem da Linha 1 - Azul, "Nós do Movimento Nossa Classe assim como outros trabalhadores presentes na assembleia não defendemos o fechamento do acordo, por isso nos abstemos da votação. Sabemos que existia um amplo setor na base da categoria dispostos a ir por mais, e ir até o final nessa campanha. Saímos com um empate, que mantém a categoria fortalecida, mas numa batalha onde poderíamos impor uma derrota no Metrô, avançando em pautas importante na categoria (como a equiparação salarial, não depender do CODEC para o plano de Carreira, uma decisão mais concreta em relação reintegração dos demitidos de 2014 e até mesmo um maior índice de reajuste do que 3,71%) aumentando ainda mais a resistência contra a privatização e terceirização, no marco também que os trabalhadores da CPTM só fechariam a campanha na semana que vem, podendo ter a possibilidade de uma luta unificada. Avançar nesse itens significaria estar ainda mais fortes e preparados para a greve geral no final do mês. Entretanto, para isso, faz diferença e era fundamental no dia de ontem a unidade da diretoria em manter a campanha, o que acabou não acontecendo apesar das nossas propostas. Por isso, com a maior parte da diretoria do sindicato defendendo o fechamento do acordo, não houve outra opção a não ser se abster na votação da assembleia a partir de todos esses elementos".




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