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Metrô de SP privatiza bilheteria em meio a crise do Coronavírus

segunda-feira 16 de março| Edição do dia

Empresa terceirizada assumiu no último sábado, 14, a bilheteria da estação Tietê, na Linha 1 - Azul do Metrô de SP, e segundo relatos de metroviários novas bilheterias nas próximas semanas serão entregues para a iniciativa privada, das Linhas 1 e 3, venda de bilhetes esta que é realizada pelos metroviários efetivos hoje. Mais um passo da direção do Metrô e do governo Doria na direção da precarização do trabalho no transporte da capital, justamente em meio à crise da epidemia do coronavírus, que exige medidas emergenciais no sentido oposto do que vêm sendo feito, como colocamos aqui.

A precarização do trabalho é algo muito sério que precisa ser enfrentado por todos sindicatos e trabalhadores. Um terceirizado que trabalha nas bilheterias do metrô ganha 1 salário mínimo, menos da metade de um metroviário efetivo. Sua escala de trabalho prevê apenas uma folga por semana, sem contar os descontos e atrasos no pagamento que as empresas promovem, com maquiamento de ponto e não cumprimento dos descansos mensais dos funcionários. A falta de treinamento e o desconto da cesta básica quando o funcionário precisa faltar, mesmo com atestado médico, são outras medidas que os donos dessas empresas tomam contra os trabalhadores. Funcionários já terceirizados de outras bilheterias em outras linhas estão também sem proteção adequada frente o avanço do coronavirus, o que se torna um agravante ainda maior perante as condições mais precárias de manutenção do emprego.

Enquanto isso, esses patrões recebem milhões do governo para prestar serviço nas estações, pagando um salário de miséria, em uma relação promíscua com o governo que garante as licitações para depois ter "doações" desses para suas campanhas eleitorais. Ao mesmo tempo, querem com isso deixar de pagar os adicionais a que os metroviários efetivos têm direito por realizar o serviço de bilheteria, o que pode chegar numa diminuição em até 1/4 do salário de um metroviário efetivo que trabalha em estação.

Como parte da diretoria do sindicato dos metroviários, a Chapa 4 Nossa Classe chama o conjunto da diretoria a dar uma resposta clara e unificada contra mais esse ataque, debatendo na base como organizar nossa mobilização para impedir essa medida, indo nas áreas e convocando todos os trabalhadores das estações para a assembléia do dia 17/03.

Com assembléia já marcada, é necessário intensificar a mobilização dos metroviários e mostrar ao metrô que não aceitaremos essa ofensiva. Não podemos mais aceitar essa imposição da empresa, ataques em todas as áreas estão sendo implementados, como a retirada da periculosidade da manutenção e CCO, além das transferências de turno compulsória, sem contar o ataque sobre a PR que o Metrô insiste em retardar e diminuir o valor do pagamento. 

É necessário repudiar essa atitude da direção do Metrô, que em meio a uma crise de saúde grave no mundo inteiro, ao invés de tomar medidas urgentes para proteger os metroviários e passageiros contra o Coronavírus, como o Esquerda Diário e o movimento Nossa Classe Metroviários estão propondo lutar para impor. A empresa atua se aproveitando da crise, para na calada da noite terceirizar as bilheterias das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha. Por isso temos que mostrar em nossa assembléia dia 17 que não vamos aceitar esses absurdos, assim como discutir como enfrentar a crise do coronavirus hoje no Metrô de SP.




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