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Metrô de SP: Empreiteiras oferecem propina para favorecer executivos investigados no caso de desabamento

quinta-feira 17 de novembro| Edição do dia

Em 2007 houve o desabamento no canteiro de obras da linha 4-amarela do metrô de São Paulo. Durante a construção da estação Pinheiros, abriu-se uma enorme cratera, que levou à morte de sete pessoas, e a explicação das empreitas foi o solo instável devido às chuvas. Anos após o ocorrido, representantes das empreiteiras envolvidas no acidente (Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez) negociaram propina com um advogado intermediário de um promotor de Justiça para favorecer executivos investigados e abafar a apuração do caso. Em primeiro grau, a justiça absolveu os 14 réus. O Tribunal de Justiça julgará na quinta (17) o caso do desabamento, em segunda instância.

No entanto, a causa do desabamento não foi o excesso de chuva. A lógica do lucro acima de tudo foi determinante. A corrupção em meio às obras do governo não se dá apenas diante desse panorama. Antes mesmo do início das construções, já existem esquemas para a retirada de dinheiro, beneficiando executivos. Propinas para obter vantagens em contratos com o poder público e superfaturamento são recorrentes nesse meio. O desvio de dinheiro para compra de material (um dos motivos de diversos acidentes) defasa ainda mais as precárias obras.

O transporte virou uma mercadoria, servindo para gerar lucro aos grandes empresários, criando cartéis e alterando o funcionamento dos rendimentos, encontrando um meio de tirar mais dinheiro ainda do que deveria ser destinado ao povo. Há também a política consciente do governo em sucatear o que é público, possibilitando assim a privatização (mais uma vez, acarretando o acúmulo de capital para a os grandes empresários). “Acidentes são constantes por consequência do contrato mal estabelecido para privilegiar as empreiteiras e o consórcio de operação do sistema metro-ferroviário”, diz Alex Fernandes, coordenador da secretaria geral do Sindicato do Metroviários de SP.

Sendo, justamente, a Linha 4 Amarela (privatizada e terceirizada) o maior exemplo de toda essa corrupção. Após o acidente em Pinheiros, vemos a demora na entrega no restante das estações (na segunda fase do projeto, pretendem entregar mais quatro estações: Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia), e a falta de funcionários que garantem a segurança no transporte.




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