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Metrô-SP: Empresa Liderança humilha e explora os trabalhadores de bilheterias terceirizadas

terça-feira 5 de março| Edição do dia

Publicamos relato anônimo de trabalhadora terceirizada da Liderança, empresa que realiza os serviços de bilheteria e recarga de bilhete único no Metrô de SP. Desde o Esquerda Diário nos solidarizamos com os trabalhadores terceirizados e defendemos efetivação de todos sem concurso público. Mande sua denúncia para nós: esquerdadiario@gmail.com

"A empresa liderança serviços está no mercado desde 1995 submetendo seus empregados a regimes de trabalho ilegais em nome do lucro e da ganância. Com sede em Santa Catarina e filiais espalhadas por várias cidades, seu dono, Francisco Lopes de Aguiar coleciona processos trabalhistas enquanto exercita seu cinismo dando fórmulas de sucesso e bem estar de seus empregados e os cobrando que trabalhem sempre de bom humor enquanto ganham salários ridículos.

A fórmula de sucesso de Francisco se executa no Metrô da seguinte forma: funcionários são contratados em tempo recorde, em dois dias após a entrevista já estão operando nas cabines de bilhete único e bilheterias. Nesse pouco tempo de contato com a empresa, assinam uma quantidade razoável de contratos, entre eles a autorização para que se desconte do salário as diferenças de caixa que ocorrerem. O operador então é jogado na cabine sem prévio conhecimento de nenhum procedimento, já que é obrigado a assinar que recebeu os treinamentos senão não é contratado.

Em muitas cabines, O operador trabalha sozinho, dependendo da disponibilidade de um líder volante que pode estar em qualquer lugar, não podem sair pois a empresa leva multa por cada ausência de funcionário na cabine e ficam sujeitos a essa condição humilhante de trabalhar passando mal, com fome ou e sem poder realizar as necessidades fisiológicas na hora que precisam.

Segundo o edital do pregão realizado com a companhia, o metrô paga a liderança cerca de 4.123,77 reais por atendente, incluindo o adicional noturno e 5.914,50 por líder, também incluso o adicional noturno, ambos os cargos por trabalharem no período da manhã, a partir das 5h30, e a noite até 23h30, pelas 6 horas. Onde vai parar esse dinheiro se o salário base de um atendente é 906 reais? Onde estão os nossos adicionais que não são pagos? Esse é o segredo do sucesso de Francisco.

Como a empresa cinicamente imprime em seus cartões de ponto arcaicos que o funcionário não precisa de hora extra para realizar o preenchimento dos documentos de arrecadação do metrô, que são muitos, o trabalhador preenche cartões de ponto com horários imaginários, já que se for colocado o horário real de entrada e saída, a empresa recusa o documento e manda o funcionário refazer. Os cartões de ponto são preenchidos manualmente por um motivo bem definido: não pagar a jornada verdadeira dos trabalhadores da empresa. Mais uma fórmula de sucesso da liderança.

Além da participação que a empresa tem em relação aos lucros dos valores vendidos, já que tanto o serviço de recarga de bilhete único como o de venda de unitários têm seus valores arrecadados pelo metrô e uma parcela é repassada para a liderança, pelo menos mais 3000 reais vão para os caixas da empresa, já que o metrô paga altos valores pelos atendentes e a liderança paga salários baixíssimos. Como Fernando e seus sócios têm a cara de pau de cobrar as diferenças de caixa da operação se não fornecem 1 centavo de fundo de caixa e alegam diferenças absurdas sem comprovação nenhuma para ceifar os salários ridiculamente baixos.

Não há acordo com a empresa que se isenta de qualquer compromisso em comprovar as diferenças, que se esforça em criar meios de não pagar a jornada trabalhada, que rouba o dinheiro dos salários e nos deixa somente com 1/4 do valor correspondente ao nosso trabalho. Vamos mostrar a nossa força de forma séria e organizada para que parem de nos tratar com desdém.

Os descontos abusivos da liderança não são de hoje. Centenas de trabalhadores, ao serem demitidos, eram surpreendidos com alegações de débito de suas rescisões maiores do que o próprio valor que tinham que receber pelo tempo trabalhado. Saiam com as mãos abanando, só conseguindo sacar o FGTS porque não tem como a empresa tomar esse valor. Um trabalho exaustivo, que gera dezenas de milhares de reais por dia para o metrô e para a liderança, e que qualquer diferença alegada pela empresa é descontada do bolso dos operadores, sem controle nenhum sobre esse valor. Os operadores trabalham sem saber o quanto vão receber no final do mês, e se forem demitidos, não tem nenhum valor pra se manterem, qualquer que seja o tempo de serviço.

João Doria segue tentando tratar transporte como mercadoria, sucateando o sistema com trens velhos e superfaturados, cortando o efetivo de funcionários do metrô e entregando postos de serviço para trabalhadores terceirizados. A nível federal, Bolsonaro, dos patrões, abre caminho para ataques ainda mais profundos aos trabalhadores, querendo tirar as mínimas garantias trabalhistas com a desculpa de que "é muito difícil ser empresário no Brasil" enquanto trabalhamos até morrer esperando uma aposentadoria que não garanta a existência. Enquanto uma massa de trabalhadores está desempregada, eles nos empurram os empregos mais precários e descarregam a crise nas nossas costas enquanto seguem com seu lucro garantido. Sempre foi difícil ser trabalhador, garantir lucros enormes em troca de um salário baixo e, no final, ser demitido como tentam fazer com os trabalhadores da Ford, que ficaram desamparados mesmo com as isenções fiscais e reforma trabalhista facilitando a vida dos empresários. Não vamos deixar barato, a reforma é o projeto da burguesia pra aumentar o lucro dos patrões nos fazendo trabalhar até morrer sem nenhum direito. O caminho é a mobilização dos trabalhadores contra o sucateamento do metrô, contra as reformas de Bolsonaro e Doria e contra o abuso e desrespeito da liderança por seus funcionários."

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