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Metalúrgicos de Osasco: uma luta na qual os bancários podem se apoiar

Esse dia 16 de agosto foi chamado pelas principais centrais sindicais do país (CUT, CTB, Força Sindical) como um dia de luta e de greve geral contra os ataques aos direitos dos trabalhadores promovidos pelo governo golpista de Temer. Nós, delegados sindicais da Caixa, acompanhamos a paralisação parcial de centenas de trabalhadores da Mecano Fabril, Meritor, Etna Stil, Belgo, entre outras indústrias metalúrgicas localizadas na região central de Osasco.

quarta-feira 17 de agosto| Edição do dia

Uma cidade marcada pela luta de classes, com os metalúrgicos protagonistas como em 1968, dá mostras de que essa história pode alimentar ainda muitas e novas lutas. Contra as demissões, os calotes salariais dos patrões, avanço da terceirização, reforma da previdência, os planos de privatização e pilhagem dos recursos nacionais, os ataques às garantias mínimas da CLT, os metalúrgicos, romperam as fronteiras entre as fábricas que hoje ocupam a região da antiga Cobrasma e ficaram lado a lado em assembleia no centro de Osasco para aprovar, por unanimidade, o indicativo de greve geral, mostrando disposição em estarem juntos com outras categorias.

Já é realidade pra muitos metalúrgicos de Osasco meses de calote patronal em seus salários, vales e 13º; ameaças de demissão com ameaças de fechamento de fábricas; entre outros ataques que vão aprofundando as dificuldades dos trabalhadores em colocar a comida na mesa todo mês, pagar as contas, o aluguel, as dívidas, etc. Mas em vez das dificuldades alimentarem o ceticismo dos trabalhadores, o que vemos é uma postura cada vez maior de exigência e pressão ao sindicato. Que obriga um sindicato filiado à Força Sindical, a mesma do golpista Paulinho da Força, que votou sim pelo golpe contra os trabalhadores, que vota sim pela terceirização; a promover um ato unificado das fábricas da região, algo que Osasco não via faz tempo.

A demonstração de força foi dos trabalhadores e mostra que, se botam pressão pra cima do sindicato, podem arrancar desse aparato importantes ferramentas para construírem sua luta.

Colocando toda essa ordem de ataques numa equação fica bem claro de no couro de quem querem descontar a fatura da crise. E o que o sindicato dos bancários de São Paulo, Osasco e Região, um dos principais do país, dirigido pela CUT, que disse lutar contra o golpe organizou para este dia de greve geral? Apenas balões gigantes na Paulista, em frente à FIESP. Paulo Skaf deve ter “morrido de medo” com tanta combatividade.

Já é histórica a atuação traidora das direções de CUT e CTB para enterrar as greves dos bancários. O problema é que em vez dos bancários irem pra cima de suas direções sindicais pra arrancar o controle das mãos deles, muitos acabam tirando a conclusão de que não vale a pena lutar se o desfecho é sempre o mesmo. Acontece que se os bancários seguirem deixando a avenida aberta para as direções traidoras passarem tranquilamente, fazendo suas greves de pijama, domesticadas sob a direção daqueles que há muito tempo não sabem o que é a realidade das agências e departamentos, sim, esse desfecho seguirá sendo o mesmo.

O exemplo dos metalúrgicos de Osasco pode ser combustível de uma campanha salarial e uma greve que precisam ser contundentes se quiserem barrar os diversos ataques que a categoria vem sofrendo, como demissões, assédio nas alturas, arrocho salarial, reestruturações que preparam o terreno pra privatização no caso dos bancos públicos. Uma greve que precisa atropelar os freios da burocracia sindical, organizando nos locais de trabalho e nas assembleias os métodos para que a greve ultrapasse a fronteira com outras categorias e se junte a elas. Uma greve que busque a aliança com a população e se torne também sua voz.

Isso é o que pode fazer tremer as estruturas da FIESP, FEBRABAN e toda sua corja golpista. O que bota medo de verdade neles e nas coniventes burocracias sindicais, são bancários lado a lado com metalúrgicos, com trabalhadores dos Correios, com petroleiros, com os milhões de trabalhadores terceirizados. Trabalhadores protagonistas.




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