Mundo Operário

METALÚRGICOS

Metalúrgicos de Osasco fazem importante ato no centro como parte do dia nacional de mobilização

Num dia nacional de mobilização chamado pelas centrais em que tudo era orquestrado para ser mais um teatro das burocracias como forma de dar uma resposta para os trabalhadores que querem se mobilizar de forma real contra os ataques dos patrões e dos governos que os representam os trabalhadores metalúrgicos do centro de Osasco quebraram o script e deram importante exemplo de combatividade e de que existe forte disposição à luta na classe operária.

Fábio Nunes

Vale do Paraíba

terça-feira 16 de agosto| Edição do dia

Em um ato/assembleia que efetivamente paralisou a produção nas fábricas do centro da cidade por algumas horas os trabalhadores se colocaram contra os ataques aos direitos trabalhistas, contra as demissões e o desemprego, em defesa de seus salários, atacados pela patronal.

Com a crise que afeta o país as fábricas da região, parte da cadeia produtiva do setor automotivo, em geral produtoras de peças para as grandes montadoras, tem enfrentado diversos problemas, com demissões, atrasos de salários, fechamentos e ameaças de fechamento de plantas. A resposta da patronal à crise é que os trabalhadores apertem os cintos e trabalhem sem receber direitos, sem receber seus salários, que hajam demissões e maior exploração. Os trabalhadores, no entanto, mostraram que querem dar uma resposta alternativa, sua, classista, para que a crise paguem seus causadores, os patrões.

Porque na assembleia dos trabalhadores só a direção do sindicato fala?

O sindicato dos metalúrgicos de Osasco, dirigido pela Força Sindical, foi obrigado assim a chamar essa paralização parcial, como forma de dar uma resposta a mobilização e insatisfação dos trabalhadores com essa situação.

No entanto, a direção do sindicato mostrou que não quer preparar uma efetiva luta que barre os ataques, defenda direitos, salários e empregos e de uma resposta da classe operária à crise. Os trabalhadores mostraram que estavam dispostos a parar a produção por todo o dia, como forma de realizar uma efetiva manifestação que fosse um primeiro ato rumo a greve geral que precisamos, mostraram que estavam dispostos a ir com um bloco dos metalúrgicos de Osasco para o ato das centrais sindicais na Av. Paulista, mostraram que o que não faltava era disposição para a luta.

O sindicato fez tudo para esfriar os ânimos e desviar essa disposição. Uma assembleia burocrática, onde apenas os diretores do sindicato fazem falas de horas, maçantes e desnecessárias, onde não é debatida de forma efetiva e na base os rumos da luta, é essa a arma do sindicato para ao mesmo tempo parecer combativo frente aos trabalhadores e desorganizar os elementos espontâneos e mais combativos que começam a se expressar entre os operários.

O papel da juventude e de uma imprensa operária para a organização dos trabalhadores

A juventude faísca e o jornal Esquerda Diário estiveram presentes no ato e tiveram muito importante papel na mobilização dos trabalhadores. Não só porque ao levarem sua solidariedade e propostas para os rumos da luta ajudam a fortalecer uma aliança que é a única que será capaz de barrar os ataques da patronal (a aliança entre os operários e a juventude) como porque com a campanha que levamos a frente nos últimos dias, de panfletagens nas fábricas, colagens de cartazes pela região, apoio ativo a todas as lutas operárias, chamando a paralisação nesse dia 16 fomos um fator a pressionar a burocracia sindical a fazer algo nesse dia que seria apenas mais um teatro.

O Esquerda Diário, jornal operário que busca informar os trabalhadores com uma visão alternativa aos grandes meios de comunicação, que defendem todos os interesses dos patrões, tem sido arma na luta dos metalúrgicos da região, reivindicado pelos próprios operários, pois permite que se informem a partir de um ponto de vista classista.

Esse importante dia de mobilização deve ser aproveitado como forma de estreitar esses laços e relações que já se formam e fazer cada vez mais de nossa juventude uma faísca para incendiar os trabalhadores e do Esquerda Diário ferramenta sua na luta.

É necessário preparar uma greve geral para barrar os ataques patronais e dar uma resposta da classe operária à crise

No final da assembleia/ato o presidente dos sindicatos dos metalúrgicos de Osasco chamou uma votação sobre quantos trabalhadores estariam dispostos a fazer uma greve geral contra os ataques patronais. A resposta dos trabalhadores foi um unânime sim à luta, mostrando uma forte disposição e combatividade. No entanto, a resposta da direção do sindicato foi de que todos deviam voltar ao trabalho e esperar um novo chamado do sindicato, e não preparar um plano de lutas a partir dali, que buscando se unificar com os demais polos industriais e com o restante da classe operária organizasse uma verdadeira batalha de classe contra os ataques dos patrões e sua crise.

Apesar da manobra do sindicato, ainda sim essa votação mostrou que no depender dos trabalhadores ocorrerão fortes lutas, que existe gana e combatividade em nossa classe, que o freio às lutas são as manobras e desvios da burocracia sindical.

Precisamos de assembleias de base, onde não falem apenas diretores dos sindicatos afastados do trabalho a anos, mas onde possam se expressar os trabalhadores reais, do chão da fábrica, assembleias em cada local de trabalho, na frente de cada fábrica, que tenham como pauta organizar um efetivo plano de lutas para barrar os ataques e dar uma resposta classista e operária à crise. É preciso unificar todas as categorias e setores oprimidos, pois já diz a sabedoria popular, união faz a força.

Precisamos barrar os ataques, a reforma da previdência, que quer acabar com a aposentadoria, a extensão da terceirização, que quer precarizar ainda mais o trabalho, o fim do décimo terceiro e das férias e todas as medidas draconianas do ilegítimo governo Temer, que só está esperando a aprovação final do impeachment para vir com um rolo compressor sobre nossos direitos. Mas se enganam os patrões e seus governos se acham que não haverá resistência!

Não devemos, contudo, apenas defender nossos direitos dos ataques, mas dar uma resposta de nossa classe à crise dos patrões. Contra o desemprego que se reduza a jornada de trabalho sem redução de salários, possibilitando postos de trabalho para todos; contra a inflação o aumento automático dos salários de acordo com o índice de inflação; as fábricas que fechem ou demitam em massa devem ser ocupadas e colocadas para funcionar sob controle dos trabalhadores; os patrões que alegarem que não tem dinheiro para pagar nossos salários e direitos devem abrir as contas da empresa para que uma comissão independente de trabalhadores possa analisar para onde foi o dinheiro de nosso suor e sangue que o patrão explorou.

Só com assembleias democráticas e de base e com um programa operário e classista é possível fazer com que não sejamos nós mas sim os patrões que paguem pela crise.




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