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Metade das indústrias de Pernambuco ameaçam demissões para acabar com isolamento social

Indústrias do estado de Pernambuco, governado por Paulo Câmara do PSB, ameaçam demitir trabalhadores em virtude do auge da pandemia e, sobretudo, da intensificação das medidas de isolamento social para as próximas semanas. Metades dos industriais do Estado pretendem demitir.

sábado 16 de maio| Edição do dia

Segundo pesquisa realizada pela FIEPE, 85,54% das plantas apresentam queda no faturamento e metade das indústrias pretendem demitir nas próximas semanas e meses. Ainda segundo a pesquisa, foram tomadas uma série de medidas para “aliviar” os efeitos da crise. É claro que as medidas tomadas aliviam os efeitos da crise para os patrões e não para os trabalhadores que tem seus direitos e renda restringidos. Não por acaso, grande parte das medidas são apoiadas pela MP da Morte do Bolsonaro, como antecipação de férias e reeducação da carga horária. A construção civil (28,4%) e a indústria de bebidas (17,4%) são as que mais vem aderindo a esse tipo de medidas.

Na crise política que se expressou durante a pandemia, entre Bolsonaro com uma linha negacionista que buscava o fim do isolamento social em nome dos lucros e a linha dos governadores que defendem, demagogicamente, o isolamento social como medida em si, sem testes, sem EPIs para os trabalhadores da saúde, com sistema de saúde superlotado, a FIEPE parece estar mais para o lado da linha bolsonarista, como podemos ver na declaração de Maurício Laranjeira, Relações Públicas da FIEPE:
"Temos feito conversas com o governo do estado, mas falta uma previsibilidade, algo mais concreto para que possamos fazer um planejamento deste retorno, que deve ser algo muito bem feito e envolver todos. O governo se propôs a conversar conosco, mas sentimos falta de uma maior celeridade"

O presidente da FIEPE Ricardo Essinger, adota um tom tão mais demagógico quanto obtuso, mostrando de fundo como as demissões prometidas são parte de uma chantagem, a “única saída”, para pressionar por abertura, diferenciando-se apenas nas palavras do negacionismo de Bolsonaro.
“Embora importante para não alastrar a doença, o isolamento mais rígido anunciado esta semana impõe um modelo de logística que não estamos preparados para absorver neste momento de crise”.

Pela autoorganização dos trabalhadores para uma saída para enfrentar a crise que não signifique demissões, perda de renda, fome e mortes para os trabalhadores, não vira do alto, de nenhum desses governos e patrões e nem dos sindicatos burocráticos que durante a pandemia, quando os trabalhadores mais precisam deles, deram uma inexplicável trégua na luta. Portanto, é preciso que os próprios trabalhadores organizem reuniões, atos presenciais, tomando as devidas medidas de segurança (como máscaras e distanciamento), e virtuais, como no primeiro de maio, e todo tipo de solidariedade com aqueles que estão na linha de frente do combate à pandemia, para salvar empregos, renda e vidas.




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