Sociedade

ENCHENTES NO RIO DE JANEIRO

Mesmo em meio à destruição da cidade pela chuva, UFRJ abre brecha para expediente funcionar

terça-feira 9 de abril| Edição do dia

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Em meio às fortes chuvas que ainda atingem partes do Rio de Janeiro, e à grande destruição em toda a cidade, fruto do descaso da prefeitura, a UFRJ divulga nota em que mantém “ponto facultativo” para servidores. Sugerindo que usem câmeras da CET-Rio para verificar se podem chegar a seus locais de trabalho, ou se há alagamento. Enquanto isso, terceirizados são forçados a seguir no expediente normal.

Em uma nota divulgada pela reitoria nessa terça feira (09/04), a UFRJ declara que “o expediente (tarde e noite) dos servidores da UFRJ dos campi no Rio de Janeiro e Duque de Caxias será facultativo”. A medida é emitida enquanto a cidade do Rio de Janeiro ainda sofre as consequências das fortes chuvas que atingiram o município nessa madrugada, que levou a sete mortes, e mantém interditados inúmeros pontos da cidade.

Em todos os campi da cidade do Rio, aulas foram canceladas. Entretanto, a reitoria decidiu retomar o expediente dos servidores (previamente suspenso até as 12h) em regime facultativo. O Restaurante Universitário Central (no campus do Fundão), que é operado por empresa terceirizada, segue operando normalmente. Além desse, os RUs da Praia Vermelha e do IFCS-IH abriram para o almoço.

Na nota, a reitoria termina apontando que, apesar de pontos de alagamento mesmo dentro da Cidade Universitária, servidores e a população devem acompanhar o estado de seus locais específicos através do sistema CET-Rio para ver a possibilidade de deslocarem-se a seus locais de trabalho. O sistema de ônibus interno da UFRJ (também terceirizado) opera normalmente, lembra a reitoria.

Para além da situação dos servidores, os trabalhadores terceirizados enfrentam um dia ainda pior. Não só na UFRJ, como em todas as grandes universidades do Rio de Janeiro, empresas de serviços terceirizados recusaram-se a liberar os funcionários, e a universidade manter-se aberta (mesmo em regime facultativo para efetivos) para além de serviços essenciais, permite às empresas terceirizadas forçarem trabalhadores (em grande número mulheres negras, vítimas de piores salários e maior precarização) a deslocarem-se na precária malha urbana carioca, seriamente danificada pela chuva, desde suas casas, arriscando suas vidas para comparecer ao trabalho, correndo o risco de receberem falta ou penalização por atraso.

Leia mais: Reitorias da UERJ, PUC, UFRJ e UFF cancelam aulas, mas obrigam terceirizados a trabalhar




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