Política

CORRUPÇÃO E CRISE

Mesmo em crise, RJ não deixou de pagar R$ 92 milhões a empresas investigadas na Lava Jato

As prioridades do governo de Pezão são claras: atrasando salários de servidores, o governo não deixou de pagar às empresas fornecedoras do estado e implicadas em esquemas de corrupção a quantia de R$ 91,9 milhões apenas em 2017.

segunda-feira 5 de junho| Edição do dia

Essas empresas que têm contrato com o estado do Rio atuam nas áreas de alimentação para escolas e presídios, limpeza e de fornecimento de pessoal, e continuam recebendo em dia, sem nenhum atraso, ao contrário de milhares de trabalhadores, como os servidores da UERJ, que estão com salários atrasados e tendo que se endividar para pagar as suas contas mais básicas.

Os pagamentos feitos para as empresas investigadas por corrupção nos primeiros cinco meses desse ano são:

Grupo Prol - R$ 48.913.008,75
Masan Serviços Especializados - R$ 25.829.356,67
Comercial Milano Brasil Ltda - R$ 7.796.770,87
Cor e Sabor Distribuidora de Alimentos - R$ 6.716.576,53
Personal Service Recursos Humanos - R$ 2.712.662,29

Todos os contratos do estado do Rio com essas empresas foram feitos durante a gestão de Sérgio Cabral, hoje preso e acusado de diversos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e mil e um esquemas com capitalistas tais como os que controlam esses negócios. O governo de Pezão não deixa um só pagamento atrasado com seus parceiros.

Essas empresas milionárias são beneficiadas por contratos com o estado e são campeãs de exploração: o grupo Prol, que mais recebeu esse ano, com quase R$ 50 milhões vindos dos cofres públicos, é controlado pelo empresário Arthur Cezar Menezes, mais conhecido como "Rei Arthur" e que atualmente é investigado por pagar propinas para que o Rio fosse escolhido como sede das Olimpíadas. Ele é dono das maiores empresas de mão de obra terceirizada que prestam serviço ao estado, e, como sabemos, os trabalhadores terceirizados não apenas estão entre os mais explorados, com piores salários, como também são os que tem mais direitos trabalhistas cotidianamente desrespeitados.

A Prol é linha de frente dos esquemas de corrupção dos governos fluminenses. A Facility, nome anterior à Prol, repassou, de acordo com os investigadores da Lava Jato, R$ 1,7 milhão a empresas acusadas de lavar a propina paga ao ex-governador fluminense Sérgio Cabral. Os repasses foram feitos para o escritório de advocacia de Adriana Ancelmo, mulher de Cabral, e para a LRG Consultoria, de Carlos Emanuel Miranda, apontado pelo Ministério Público Federal como operador da propina do ex-governador. Em troca, durante os governos de Cabral, o grupo recebeu nada menos que R$ 2,8 bilhões. Quando Cabral deixou o governo, o "Rei Arthur" decidiu vender a empresa para o grupo de investimentos Rise International, quando recebeu o nome de Prol.

O que isso tudo mostra é, mais uma vez, que com ou sem crise, com ou sem denúncia dos mil esquemas de corrupção que sempre estão em curso entre os governantes e os capitalistas, os negócios para esses empresários continuam "muito bem, obrigado". A justiça não fará nada para mudar isso. Só os trabalhadores organizados e colocando de pé uma nova constituinte poderão acabar com esse verdadeiro assalto ao patrimônio público que serve para enriquecer um punhado de capitalistas parasitários e os políticos que eles compram.




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