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CAOA CHERRY | "Mesmo com isenções fiscais e lucros recordes, Caoa Chery colocará 600 trabalhadores na rua"

“Isso é um absurdo”, afirma Marcello Pablito, “Essa demagogia só esconde a sede de lucro da patronal”.

sexta-feira 6 de maio | Edição do dia

A Caoa Chery anunciou que vai demitir cerca de 600 funcionários e suspender a produção na fábrica da montadora em Jacareí, no Vale do Paraíba em São Paulo. A alegação da empresa é que a fábrica deve passar por “adequações para a produção futura de veículos elétricos”.

A empresa já havia, em 2020, demitido dezenas de funcionários após o início da pandemia, alegando que a medida tinha por objetivo "reequilibrar a operação da empresa no País e resistir ao cenário econômico atual e previsto para os próximos meses". O que se deu nos meses seguintes, contudo, foi bem diferente de um suposto cenário de "colapso", como fizeram parecer.

Ao ser questionado pela revista InfoMoney "Como foi o desempenho da Caoa em 2021?", o próprio CEO da empresa respondeu:
"Foi muito bom. A marca Caoa Chery cresceu 100% em vendas e o market share vai fechar em 2%. Sofremos pouco com a falta de componentes. Também crescemos em vendas nas lojas. De janeiro a novembro, foram 95 mil carros. Fizemos do limão uma limonada. No início da pandemia, em 2020, fechamos fábricas e lojas por decreto. Tivemos de aprender a viver nessa nova realidade. Conseguimos ficar em home office sem percalços. Estávamos muito bem preparados para isso. Evidentemente, o negócio foi afetado. Mas 2021 foi bem melhor que 2020."

E ainda quando questionado se faria algo diferente, o CEO respondeu:

"Tomamos decisões corretas em 2020 e 2021, como proteger o caixa e os empregos. Tínhamos de manter a máquina rodando e responsabilidades com nossos funcionários. Em 2020, decidimos manter os investimentos e o lançamento de novos produtos. Em meio ao pico da pandemia, lançamos o (sedã) Arrizo 6 Pro e (SUV de sete lugares) Tiggo 8, que foi um sucesso. Em 2021, lançamos o Tiggo 3X Pro e o Tiggo 7 Pro (SUVs). O grupo se uniu mais. Para tomar decisões corretas, é preciso ouvir todo o grupo. Vamos errar? Muito! Vamos continuar errando? Normal, somos seres humanos. Mas devemos aprender com nossos erros."

Diante desse "desencontro de informações", Marcello Pablito* afirma:
"É um completo cinismo por parte dessa patronal cínica, que privilegia os lucros às custas dos trabalhadores. Se ontem eles foram fundamentais para que a empresa se reerguesse e estivesse em condições de fornecer novos lucros, hoje estão novamente na mira para serem mandados embora.

Expresso minha total solidariedade aos trabalhadores da Chery que enfrentam uma situação onde a Patronal quer encerrar as operações da planta de Jacareí, e ainda usa de uma demagogia barata, falando em sustentabilidade e carros elétricos para esconder que o capitalismo verde da Caoa Chery quer e na verdade fechar a fábrica e esconder a demissão de 600 funcionários. Além disso, sabemos que o encerramento da planta implica na sobrecarga da fábrica de Anápolis (GO), ou seja, no aumento do trabalho desses funcionários.

É repugnante ler declarações como a do CEO da empresa, pagando de preocupada com os trabalhadores, e pouco tempo depois estarmos nos deparando com esse anúncio de fechamento da planta e demissões. A Chery, como outras montadoras que se instalaram no Brasil, receberam uma grande isenção fiscal, além de explorar o trabalho de milhares de trabalhadores com poucos direitos e baixos salários, agora segue o caminho da Ford e Toyota que decidem fechar suas plantas para preservar milionários lucros.”

Nas últimas semanas viemos acompanhando e fortalecendo a forte greve dos operários da CSN de Volta Redonda (RJ), que mesmo com um sindicato pelego dirigido pela Força Sindical (esse que se coloca diretamente ao lado das patronais), se colocam com uma grande combatividade e enfrentam de cabeça erguida os avanços autoritários da empresa, que chegou a demitir os membros da Comissão de Base dos Trabalhadores mas foi obrigada pela mobilização a reintegrá-los. Esses trabalhadores dão um grande exemplo para toda nossa classe.

Leia mais sobre a greve da CSN: “Membros da Comissão de Base dos Trabalhadores da CSN são reintegrados após mobilização”

Frente a esse ataque, a política de layoff, que foi levantada na última ameaça de demissão, se mostrou insuficiente para reverter esse enorme ataque. Somente adiou o problema. Por isso, se mostra necessária a defesa de uma mobilização imediata, impulsionada em primeiro lugar pelo sindicato, organizando o envolvimento das bases dos trabalhadores na Chery, não somente da planta em que estão sendo demitidos, mas do conjunto da empresa, e mais, também buscando aliança com os demais trabalhadores fabris que foram demitidos ou estão sendo ameaçados de demissão com desculpas parecidas, além de buscar o necessário apoio e solidariedade de outras categorias e da população, onde certamente muitos setores sentirão esses impactos.

As patronais não podem simplesmente decidir jogar na rua centenas de famílias que dependem desse sustento diário. Se ontem estes trabalhadores foram fundamentais em toda a produção, impulsionando os novos recordes de lucros de 2021, fica claro que diante quaisquer interesses das patronais, os primeiros a rodar são os trabalhadores. Os trabalhadores não podem pagar os custos de uma crise que não foram eles que criaram.

Somente a mobilização pode reverter essas e outras mobilizações. Uma medida que deveria ser levada adiante pelos sindicatos em luta deste país seria a estatização das empresas, com sua gerência e controle garantidos pelos próprios trabalhadores.


*Marcello Pablito é dirigente do MRT, organização que impulsiona o Esquerda Diário. Pablito é trabalhador da USP e atualmente coloca seu nome à disposição para escolhe de vice-presidente na pré-candidatura de Vera Lúcia, d




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