Internacional

BREXIT E O FUTURO DA UE

Merkel, Hollande e Renzi debatem uma estratégia frente o Brexit

Os líderes da Alemanha, França e Itália se reúnem para analisar o futuro da UE em um contexto de crises políticas, econômicas, sociais e de alianças estratégicas.

quarta-feira 24 de agosto| Edição do dia

A chanceler alemã Ângela Merkel, o presidente francês François Hollande junto com o primeiro ministro italiano, Matteo Renzi, se reúnem em uma “minicúpula” europeia para discutir uma estratégia comum frente ao Brexit.

É o primeiro encontro em meio ao levante “antiestablishment” que ameaça com o “exit moment”, onde setores de ultradireita de distintos países expressam sua simpatia em abandonar a UE. Por outro lado, enfrentam o desafio de perder, depois de Wall Street, a bolsa de valores mais importante do mundo, sendo que, além de tudo, está intimamente ligada à economia europeia.

Os três líderes europeus, reunidos em um porta aviões na ilha de Ventotene, se focaram na necessidade de impulsionar a economia, reforçar a “segurança” e conter a crise migratória para “refundar a Europa”, após o impacto do Brexit.

Hollande em particular, focou no discurso da “segurança”, enfatizando o controle de fronteiras. “Europa deve responder a exigência de prosperidade e segurança. Deve ser um âmbito de proteção e em seu território têm que se resguardar as fronteiras”, declarou.

Além disso, o presidente francês colocou a necessidade de uma maior coordenação na suposta luta contra o terrorismo e de “encontrar um modo em que os arquivos de cada país possam ser compartilhados e de controlar melhor algumas comunicações e alguns canais de propaganda jihadista”.

E acrescentou que serão necessários “mais meios e mais recursos, não apenas para a defesa e segurança, mas também em desenvolvimento”, porque Europa deverá estar “mais presente na África” e desenvolver políticas e mecanismos de financiamento em países africanos, especialmente no Sahel. Com isso se refere a aprofundar as incursões militares no Oriente Médio e África, aonde a guerra civil na Líbia, Mali, Síria, não apresentam nenhuma solução estratégica a curto prazo cobrando até o momento centenas de milhares de vidas.

Por sua parte, Matteo Renzi se referiu a “necessidade de medidas fortes para relançar o crescimento e combater o desemprego juvenil”. O desemprego entre a juventude italiana ronda os 40%. Também afirmou que é necessário “ realizar inversões tanto públicas como privadas e reformas estruturais”, sendo que Itália está prestes a ter de pedir um resgate financeiro similar ao que pediu a Espanha, o que se traduziria em um duro ajuste para o povo trabalhador. Além disso, Renzi enfrenta um referendo sobre sua proposta de reforma constitucional no outono que em caso de ser derrotado poderá gerar uma dura crise política.

A chanceler alemã se focou nas crises migratórias, e em especial por tensões com Turquia. Declarou que “ a proteção de fronteiras deverá ser um exemplo de cooperação europeia” e que seria, segundo Merkel, compatível com a livre circulação de pessoas. Também apontou que “a cooperação com Turquia sobre imigração é acertada porque, do contrário, não podemos vencer as lutas contra os traficantes de seres humanos”.

Estão ainda por se ver as consequências geopolíticas e econômicas que terão o resultado dessa estratégia dos líderes da UE, cujo equilíbrio geopolítico está em uma situação muito sensível. Terão que ser suficientemente cautelosos para não desatar uma nova onda recessiva na UE com repercussões na economia mundial.

De todas as formas, permanece em evidencia o fracasso do grande projeto europeu que sofreu um golpe com a chegada de ondas de refugiados provenientes de África e Oriente Médio, oriundos das guerras nas quais intervêm várias potências da UE.

A Europa submergiu em um mar de nacionalismos, fortalecendo setores de ultradireita racista e xenófoba acompanhados com as mesmas políticas impulsionadas por esses governos. Nesse sentido, permanece também a flor da pele a crise de liderança dos EUA e sua influência na UE.

Está nas mãos da classe operária, da juventude trabalhadora e estudantil, em aliança com os migrantes refugiados enfrentar as estratégias de Merkel, Hollande, e Renzi, como ficou demonstrado na França com a reforma laboral.




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