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MARIELLE PRESENTE!

Mentiras oficiais mostram que governo e Globo não podem investigar assassinato de Marielle

terça-feira 20 de março| Edição do dia

Na última quarta-feira (14), o assassinato de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, provocou um escândalo nacional e manifestações de revolta por todo o país. Marielle fazia parte de uma comissão que monitorava a intervenção federal do Rio de Janeiro e, quatro dias antes de sua morte, havia denunciado em seu Facebook a violência da Polícia Militar na favela Acari que assassinou e jogou dois jovens em um valão.

Leia também: Às ruas por Marielle, por uma investigação independente e por fora intervenção federal

As versões oficiais, porém, são controversas, a mídia e o governo soltam diferentes narrativas sobre o caso, manipulando as informações e escolhendo sobre o que vão se pronunciar. Com vazamentos seletivos e desinformações, esses setores disputam pontos de vistas para manipular a opinião pública de acordo com seus interesses. Nós temos direito à verdade sobre o assassinato de Marielle e Anderson, e isso só será possível com uma comissão independente para investigar o caso.

A esta altura ninguém duvida do caso ter sido uma execução, tendo em vista que eram assassinos profissionais que a seguiram e não levaram nada. Além disso, o envolvimento de agentes públicos do estado, no caso, policiais ou pessoas com treinamento militar para a execução do crime, é uma hipótese forte, aventada inclusive pelo Coordenador do MPF do Rio.

Guerra de versões e contradição nas investigações

Começando pelas capsulas utilizadas no assassinato, a polícia federal afirmou que as munições pertenciam a um lote vendido para a própria PF em 2006. Do mesmo lote, balas foram encontradas em outros dois bárbaros crimes em São Paulo, a chacina de Barueri e Osasco cometidos, segundo a polícia, por policiais militares e um policial civil. Segundo o G1, o Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que a munição usada na execução de Marielle teria sido roubada da sede dos correios na Paraíba. E que parte do lote de mais de 1,9 milhão de munições teria sido desviada pela própria Polícia Federal em 2007 para organizações criminosas. O correio desmentiu essa versão dizendo que não havia nenhum registro sobre qualquer incidente desta natureza.

Ontem, o Ministério mudou sua versão com um “desmentido” sobre as cápsulas terem sido roubadas na sede dos correios. E a versão agora é de que a munição teria sido encontrada nos correios após um roubo.

Outra narrativa controversa é de que o carro que estaria seguindo a vereadora e participado do assassinato teria sido encontrado em MG. Momentos depois desmentiram a história e afirmaram que o veículo não estava envolvido no crime e que o dono do carro havia pago a fiança e já estava solto.

As diferentes versões do que aconteceu, tanto por parte da Globo, quanto por parte do Governo e da Polícia mostram que esses setores estão querendo dar suas saídas e versões ao que aconteceu. A Globo escolhe o que quer divulgar em suas manchetes, tem “acesso exclusivo” a câmeras, informações sobre suspeitos, declarações e aos passos das investigações. E utiliza seus “vazamentos seletivos” para confundir os expectadores sobre o que de fato aconteceu. No fundo tentam roubar da gente a militância de Marielle, com o objetivo de fortalecer a intervenção federal no RJ, o oposto do que Marielle queria.

Além de matérias “exclusivas” sobre o caso em seus jornais principais, a globo usa da comoção nacional que isso gerou e subverte os questionamentos abertos a partir dessa ação para manipular a opinião pública sobre o que de fato aconteceu. O caso fez centenas de milhares saírem às ruas contra a Polícia e contra a intervenção federal que assassina negros e pobres nas periferias cotidianamente. E a possibilidade que isso saia do controle mete medo, tanto na intervenção federal quando na Rede Globo.

Tudo indica para uma execução política, diretamente ligada às denúncias que Marielle vinha fazendo sobre a violência policial no Rio, o assassinato do povo negro (como vem acontecendo nos últimos tempos incluindo o assassinato de crianças) e a intervenção federal de Temer.

Todas as diferentes versões da história, o envolvimento da polícia e do governo nesse caso e o fato de ter sido uma vereadora que denunciava a violência policial nos morros só mostram o quanto é contraditório que seja essa mesma polícia que esteja investigando o caso. É absurdo que a instituição mais assassina do país seja sujeito de investigar os crimes que ela própria comete.

Exigimos a verdade! Por uma comissão independente para investigar o assassinato de Marielle e Anderson!

Na nossa luta por justiça, não podemos confiar na polícia e suas investigações, pois sabemos os mil laços que tem com o crime organizado e seus interesses políticos. Nós sabemos que o Estado é responsável pelo assassinato de Marielle.

Somente uma investigação independente pode garantir uma apuração da verdade e encontrar os culpados, não somente os executores, mas os mandantes desse crime político. É necessário conformar uma Comissão de Investigação Independente com parlamentares do PSOL, representantes de organismos de direitos humanos, de sindicatos, de movimentos de favela que sabem bem como opera a polícia e o crime organizado, intelectuais especialistas da crise social no Rio e outros setores com legitimidade popular para investigar. Lutaríamos nas ruas para que essa comissão tenha acesso a todos os arquivos da investigação e recursos para trabalhar. Uma comissão como essa, apoiada na força das ruas, poderia se instituir como um organismo que tivesse legitimidade para apurar os freqüentes assassinatos do Estado.




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