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VIOLÊNCIA SEXUAL

Menina de 16 anos que matou seu abusador sexual é condenada à prisão perpétua nos EUA

“Johnny estava me acariciando, depois me agarrou entre as pernas muito forte. Ele me olhou de um jeito, tipo, um olhar muito feroz, e eu senti um calafrio. Achei que ele ia me bater ou fazer alguma coisa assim comigo. Mas aí, ele rolou para o lado e se esticou. Então, achei que ele não ia me bater, achei que ele ia pegar uma arma"., afirmou a menina em seu testemunho. Para se defender, Cyntoia pegou uma arma antes e matou seu agressor.

quarta-feira 20 de dezembro de 2017| Edição do dia

Cyntoia Brown foi colocada em um cenário de pânico quando por pressão foi forçada a se prostituir, por 150 dólares, a um homem que já havia abusado dela anteriormente e que já a havia feito usar diversos tipos de drogas. O cenário era de um local cheio de armas do agressor.

Johnny Allen (43) é o nome do criminoso. Trata-se de um atirador do Exército dos EUA, em Nashville, no estado do Tennessee. Em sua casa mostrou diversas armas que possuía a Cyntoia e expressou uma postura violenta. Em seu depoimento Cyntoia tenta não precisa de justificação:

“Johnny estava me acariciando, depois me agarrou entre as pernas muito forte. Ele me olhou de um jeito, tipo, um olhar muito feroz, e eu senti um calafrio. Achei que ele ia me bater ou fazer alguma coisa assim comigo. Mas aí, ele rolou para o lado e se esticou. Então, achei que ele não ia me bater, achei que ele ia pegar uma arma"., afirmou a menina em seu testemunho. Para se defender, Cyntoia pegou uma arma antes e matou seu agressor.

Ou seja, claramente ameaçada a adolescente agiu por legítima defesa, e apesar do cenário confirmado foi condenada a prisão perpétua podendo viver em liberdade condicional aos 51 anos.
Hoje Cyntoia já está presa há 13 anos, e está com 29 anos. Seu caso tem repercutido e foi inclusive tema de um documentário na BBC.

Com a repercussão, celebridades têm se manifestado. Entre elas Rihana, Kim Kardashian, Cara Delevigne e Lauren Jauregui. Além disso, tem sido impulsionada uma petição para pedir clemência sobre o caso de Cyntoia ao governador do Tennessee, Bill Haslam. A petição já conta com mais de 250 mil assinaturas e quer chegar a 300 mil assinaturas.

A justiça burguesa, seja no Brasil, seja nos EUA, sabe a quem favorecer. É racista e machista, pois tem como resposta para o crime de escravidão sexual culpar a vítima e prendê-la. Quanto aos policiais que matam os negros cotidianamente nos EUA, nada acontece e a impunidade segue firme e forte.

Todos os atos cometidos deveriam ser julgados por juris populares, pois quando o crime está dentro da norma, como um homem branco do exército abusa de uma adolescente não há punição, e quando a justiça foi feita pela própria vítima todo tipo de abuso, isso é condenado pela “justiça”.

Não podemos permitir que o futuro dos nossos jovens, que se encontram em situações degradantes, como a prostituição, e extrema exposição à violência tenham como resposta a prisão. Não há justificativa para a prisão de Cyntoia, o que comprova que a justiça burguesa em qualquer país é completamente arbitrária, muitas vezes racista e machista.

Diana Assunção, fundadora do grupo de mulheres Pão e Rosas e ex-candidata a vereadora pelo MRT no Psol, coloca:

"O caso de Cynthoia é exemplar em desmascarar a justiça burguesa. Ela passa por diversas situações de abuso, de uma vida marcada pela miséria capitalista. Diante de seu agressor, quando reage é condenada. Isso aos 16 anos de idade! Os Estados Unidos tem a maior população carcerária feminina do mundo, o que denuncia a falência da maior economia mundial na emancipação das mulheres. Temos gritar pela liberdade de Cynthoia e transformar nossa indignação em força para lutar contra esse sistema que encarcera a juventude negra, que pune as mulheres e explora os trabalhadores!"




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