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RETIRADA DE DIREITOS

Meirelles quer aprovar em outubro reforma que nos fará trabalhar até morrer

quinta-feira 3 de agosto| Edição do dia

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, minimizou os votos favoráveis à denúncia contra o presidente golpista Michel Temer na sessão da Câmara dos Deputados no dia de ontem e informou que a expectativa do governo é aprovar até outubro a reforma da Previdência fazendo que os trabalhadores paguem pela crise e trabalhem até morrer para manter o lucro dos capitalistas, e até, no máximo, novembro a reforma tributária.

"A tributária vai depender de ela ser apresentada, mas claramente se espera que seja neste ano (...) A Previdência em outubro e a tributária idealmente até outubro, mas se for novembro também, tudo bem", afirmou o ministro ao ser questionado sobre o prazo da aprovação das reformas.

O placar da sessão que votou na quarta-feira a denúncia contra Temer, feita pela Procuradoria-Geral da República, mostrou apoio ao presidente suficiente para barrar o processo mostrando o verdadeiro balcão de negócios que é a Câmara dos Deputados onde os políticos são comprados com emendas parlamentares, mas não o bastante para aprovar matérias que dependem do apoio de dois terços do Congresso, caso da reforma da Previdência, esta garantida para manter o lucro dos "de cima".

Meirelles avaliou, porém, que a sinalização dada na quarta pelos deputados não foi "necessariamente negativa", considerando que a rejeição ao governo não significa falta de apoio às reformas. "Reforma dessas, como a trabalhista ou a da Previdência, não é simplesmente uma questão de quem é a favor ou contra o governo. Vai além disso. Acreditamos ainda assim na viabilidade da aprovação", comentou Meirelles, em entrevista à imprensa concedida após participação em evento do Goldman Sachs na capital paulista.

Segundo ele, a expectativa é que a reforma da Previdência seja votada antes da tributária. Ele ponderou, contudo, que o governo está trabalhando duro na reforma tributária, que será apresentada ao Congresso em breve. "Se até lá a Previdência não tiver sido votada, a gente pode perfeitamente votar a tributária primeiro", informou.

Questionado se haverá mais concessões na reforma que muda as aposentadorias, Meirelles respondeu que o relatório aprovado pela comissão especial da Câmara, que já reduziu em 25% a economia prevista na proposta original encaminhada pelo Executivo, está "a principio" adequado. "Achamos que funciona, mas não há muita margem para baixar isso".

Para Diana Assunção, trabalhadora da USP e dirigente nacional do MRT, "Frente a impunidade concedida aos políticos corruptos, como foi ontem com o golpista Temer na Câmara dos Deputados, e o avanço das reformas sob as costas dos trabalhadores para manutenção dos privilégios destes mesmos políticos e dos capitalistas é necessário retomar a bandeira da greve geral para organizar uma luta consequente contra os ataques do governo. Apesar da traição das centrais sindicais na greve geral do último dia 30 de junho, os trabalhadores demonstraram este ano uma grande disposição de luta no país inteiro, por isso é possível e necessário colocar de pé uma nova greve geral para anular a reforma trabalhista e barrar as demais reformas em curso, como a da Previdência pois não vamos aceitar trabalhar até morrer"




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