MEDICINA DO CAPITAL

Medicina do capital e crise do modelo biomédico

Gilson Dantas

Brasília

sexta-feira 15 de dezembro de 2017| Edição do dia

Existe certo senso comum que naturaliza a possibilidade de uma medicina humanizada e científica sob o império da mercantilização.
Isto é, com a doença convertida em mercadoria, em fator de lucro e de colossal acumulação do capital pela indústria farmacêutica, de medicina nuclear, do câncer e das vacinas.

A altíssima taxa de morte por iatrogenia [doenças provocadas pelos médicos e pelo ambiente hospitalar moderno], a epidemia de cesáreas, a cirurgia bariátrica sendo indicada como solução para obesidade e até diabetes, a medicalização da própria subjetividade, da infância, de tudo que possa ser classificado como “doença”, são apenas alguns elementos que parecem indicar o contrário.

A crescente incidência e mortalidade por câncer e doença cardiovascular, a despeito dos bilhões e bilhões e dólares gastos com pesquisa sobre o assunto, a epidemia de obesidade, a volta das doenças transmissíveis, o boom de doenças degenerativas que tornam a velhice um martírio, são todos elementos que avançam lado a lado com a crescente fortuna dos negócios da saúde e da doença.

Esse debate se faz mais que nunca necessário: é possível ter uma medicina digna do nome – verdadeiramente científica e humanizada - com base no capital?
Mas existe outro senso comum, este no campo da esquerda, que imagina que uma mudança social, socialista, automaticamente significará uma revolução no modelo biomédico. Que basta copiar e colar a medicina atual, a medicina do rastreamento do câncer com radiações ionizantes – apenas para dar um exemplo – e que teremos, sim, o socialismo com a medicina atual, só que acessível a todos. E obedecendo aos mesmos paradigmas de hoje.

Essa esquerda concebe que a medicina como ela é – tecnologicamente etc – é boa e científica o suficiente, e apenas precisa ser democratizada; e solenemente ignora que ela foi formatada pelo capital, ignora que o capital cria tecnologia com a sua cara e não pensando no bem da humanidade. E que a radiação ionizante é uma escolha da medicina do capital, mas que não tem que ser uma escolha médica, científica, necessariamente.

Para dizer o mínimo, há pouca dialética nesse copiar e colar.
A medicina precisa evoluir? Sim. Mas necessita urgentemente – para deixar de ser uma medicina que adoece e que mata – romper com o modelo biomédico dominante.

Este é o tema da palestra a seguir, que pode lhe interessar.
Foi realizada sob o formato de informe/debate para um grupo de companheiros marxistas que se ocupam de revolucionar a sociedade e a medicina, integrantes, como o próprio palestrante, do Esquerda Diário e ocorreu no dia 5 de outubro passado, na USP.

Tem importância como pontapé inicial para que se debata uma nova forma de ver a medicina verdadeiramente na perspectiva socialista.
Você pode conferir:
[crédito da imagem: www.naturalnews.com]




Tópicos relacionados

Capitalismo   /    medicina do capital

Comentários

Comentar