CORONAVÍRUS - MATO GROSSO

Mato Grosso: taxa de testagem menor que o Congo e capa de chuva como EPI nos hospitais

quinta-feira 23 de abril| Edição do dia

A última atualização dos dados sobre o novo coronavírus em Cuiabá, no Mato Grosso, identificou 96 casos confirmados pelas Secretarias de saúde municipal e estadual. Em todo o estado são 181 casos espalhados por 24 cidades e 6 óbitos pela doença. No entanto, a Secretaria de Saúde de Cuiabá estima que o número de casos do novo coronavírus deve ser pelo menos quatro vezes maior que os dados oficiais: segundo o Secretário, a falta de testes rápidos é o principal motivo pela demora no diagnóstico da doença nos pacientes - portanto, também pela subnotificação.

Segundo o Ministério da Saúde, no Mato Grosso o número de internações por SRAg (Síndrome Respiratória Aguda) sem confirmação para CoViD é 10 vezes a quantidade de pacientes internados que foram testados e confirmados: são 43 confirmados enquanto outros 430 ainda não têm uma definição. Além disto, em menos de 4 meses de 2020, a quantidade de mortes ligadas a pneumonia e insuficiência respiratória no estado já é aproximadamente 80% da quantidade total do ano passado.

Com uma população de 3,4 milhões de habitantes e apenas 1.500 testes realizados até o momento, o Mato Grosso testou apenas 441 testes por milhão de habitantes - taxa inferior à nacional (1.373 testes/milhão de habitantes), que já é absolutamente insuficiente em relação à necessidade real de testagem. Se fosse um país, o Mato grosso ficaria atrás de países como Gana (2.230 testes/ milhão de habitantes), Paquistão (540 testes/milhão de habitantes) e Filipinas (480 testes/ milhão de habitantes). De acordo com a Prefeitura de Cuiabá, foram adquiridos 30 mil testes rápidos, que devem ser utilizados para examinar prioritariamente profissionais da Saúde. Mesmo com os novos testes, que ainda não chegaram, a taxa fica bem abaixo do recomendado.

No estado comandado por Mauro Mendes (DEM), os trabalhadores do SAMU utilizam capas de chuva como EPI - e os testes para o coronavírus, que deveriam ser massivos para garantir que a ação contra a pandemia seja realizada de forma informada, científica, são escassos. Só testando a população massivamente é possível ter dados e amostras necessários para, como muitos especialistas defendem, “achatar a curva” de infectados e mortos. Manter a quantidade de testes no patamar insuficiente que está é entrar numa batalha sem ter ideia de onde o inimigo está.

Diante da pressão para relaxar as medidas de contenção da pandemia vindas do presidente Bolsonaro (sem partido) e de setores da burguesia local, é oportuno questionar a quem interessa a baixa testagem, que ajuda a maquiar os dados da doença e distorce a percepção do povo sobre a gravidade da situação. O “deixa acontecer naturalmente” desse grupo brinca com a possibilidade de mortes de centenas de milhares, sem se importar com qualquer mapeamento. E quando já se sabe que 80% dos infectados podem transmitir o vírus sem apresentar sintomas ou com sintomas leves, tudo torna-se ainda mais sério. As nossas vidas valem mais que o lucro deles! Testes massivos no Mato Grosso, já!

Com informações do G1 Mato Grosso, FolhaMax, Portal da Transparência do Registro Civil, Ministério da Saúde, Revista Exame, Our World in Data e SISMA/MT
fontes: https://ourworldindata.org/grapher/full-list-cumulative-total-tests-per-thousand?year=2020-04-21&time=2020-04-11..&country=PHL




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