Sociedade

ASSASSINATO DE ESTUDANTE ATIVISTA NA UERJ

Matheusa presente!

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

segunda-feira 7 de maio| Edição do dia

Matheusa presente!

Desde o dia 29 a angústia de saber que uma aluna da UERJ estava desaparecida. Tinha desparecido depois de uma festa no Encantado, na Zona Norte. Tinha esperança que a encontrassem bem e viva.

Matheus, era Matheusa, estudante de artes visuais da UERJ e também do Parque Lage. Uma estudante não binária, que transbordava a arte e assim deixou sua marca por onde passou.

Ontem a notícia trágica, seu irmão postou no facebook que as investigações até agora tinha concluído que tinha “fortes indícios” de Matheusa estaria morta e que ela tenha sido queimada. Mais uma brutalidade contra uma jovem negra e LGBT.

Conheci Matheusa, nas intervenções artísticas que ela e outros estudantes de Artes fizeram na UERJ em 2015, 2016, usando a arte para protestar visceralmente contra os ataques da educação, contra a crise que queria impor a UERJ. Acompanhava as ações do Coletivo Seus Putos do qual ela fazia parte. Lembro de quando os vi numa performance que sujava de sangue a entrada do campus Maracanã, durante um "evento pela paz", manchando o cinismo da reitoria, impactou. Pensei nesse dia que nenhum contra ato do movimento estudantil naquele dia teria sido tão forte e marcante, reforcei a certeza de que militar na UERJ ia ser conhecer gente da mais alta criatividade, expressando sua revolta por todos os poros. Do pouco que sei de Matheusa, era que era doce, mas nunca sem deixar de ser e de colocar seu CORPO ESTRANHO no mundo.

Desde que entrei na UERJ é a 5ª estudante que morre, eram todos negros e pobres. Suas mortes não foram parecidas, mas todas tem como motivo comum e estrutural do sistema capitalista, a desigualdade, pobreza, exploração, o racismo, machismo e a LGBTfobia. O capitalismo nos mata de muitas formas.

A gente nunca pode mensurar a dor de quem perde alguém da família de forma tão brutal. Esse é um sentimento constante para alguém que vive no Rio de Janeiro. Quero deixar minha profunda solidariedade para toda a família e amigos.

Matheusa vai viver em cada um/uma de nós. A responsabilidade só aumenta a cada dia.

Matheusa presente, hoje e sempre!




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