MARK ZUCKERBERG CENSURA POSTS SOBRE ARTE

Matéria do Esquerda Diário é censurada pelo Facebook

Fernando Pardal

@fepardal

quarta-feira 20 de setembro| Edição do dia

A semana passada registrou uma onda de censura a várias obras de arte no país. Começou com o encerramento antecipado da exposição "Queermuseu" em Porto Alegre; em seguida, a exposição "Cadafalso" também foi atacada, dessa vez por deputados e pela polícia, com direito a apreensão de um quadro e intimação da artista e da coordenadora do museu de arte contemporânea de Campo Grande; por fim, a peça "O Evangelho Segundo Jesus Rainha do Céu" foi retirada de cartaz em Jundiaí.

O Esquerda Diário se colocou prontamente contra esse absurdo e passou a denunciar as medidas e se colocar contra a censura às obras de arte feita em nome de argumentos obscurantistas e reacionários. Como parte disso, publicamos a matéria "21 grandes obras de arte que aterrorizariam o MBL, Bolsonaro e Feliciano", em que resgatamos obras e artistas de diversos períodos históricos e movimentos para deixar ainda mais claro o quão ridículas e criminosas eram as ações de vetar a veiculação de exposições e peças de teatro.

De forma irônica, mas nem tão inesperada, essa matéria, que em poucos minutos atingiu uma imensa repercussão com grande número de acessos e compartilhamentos, sofreu ela mesma a censura dos conservadores de plantão. Foi no Facebook, uma rede social conhecida por impedir a veiculação de qualquer coisa que fira a "moral e os bons costumes" e que trabalha com suas proibições pelo clássico método da "deduragem": denúncia anônimas de quem veja suas postagens bastam para que a rede proíba sua veiculação. Método que já foi utilizado por grupos de direita para derrubar páginas ou perfis de ativistas feministas, como com a cantora Karina Buhr por exemplo.

Assim, o bilionário Mark Zuckerberg segue vendendo a imagem de "progresssista" com filtros comemorativos LGBT e outras pequenas medidas, mas atua como um tradicional patrão e proprietário na hora de decidir quem pode ou não falar. As vozes independentes de mulheres, LGBTs e negros são recorrentemente censuradas. As imagens de seus corpos tornadas "obscenas" nos padrões dessa rede social do século XXI que continua apegara a valores morais do século XIX, de mãos dadas com Kim Kataguiri por vezes.

Com essas medidas de "controle e fiscalização", dizem zelar pela "segurança" da rede. Mas quem decide o que é ou não "seguro"? Grupos, páginas e perfis que pregam o ódio e a intolerância, como "Masculinismo Militante", "Bolsonaro Opressor 2.0", "Ideologia de Gênero Não", entre centenas de outras páginas que propagam abertamente suas ideologias racistas, machistas, LGBTfóbicas seguem em plena atividade, não importa quanto sejam "denunciadas". É Zuckerberg quem decide o que é ou não "ofensivo".

Bom, podemos dizer que felizmente, mesmo com essa infame deduragem a matéria continua circulando amplamente. Compartilhe também essa denúncia. Sigamos dizendo que nenhum pequeno ou grande reacionário irá calar nossas denúncias, nossa arte, nossos corpos. Seguiremos incomodando.

Pode interessar: Peça censurada em Jundiaí lota exibições em Santo André e Rio Preto no fim de semana




Comentários

Comentar