MACHISMO

Masterchef, Dayse e o machismo de todos os dias

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

quarta-feira 14 de dezembro de 2016| Edição do dia

Teria mil coisas pra falar sobre o Masterchef porque se misturam muitos temas, mas nesta edição sem dúvida o machismo se destacou. É claro que nestes programas de TV onde o que prima é a competição é muito difícil esconder as contradições da sociedade como a opressão de gênero. Mas o que se viu em vários programas não foram coisas sutis mas uma tentativa constante de humilhação da Dayse em tudo que ela fazia. As frases de depreciação do trabalho dela por ser mulher marcaram o conjunto do programa. E Dayse respondia "não tô nem aí" e assim ganhou as redes sociais tendo mais de 80% de apoio pelo twitter na final. E foi assim que Dayse ganhou e creio que todos e todas que lutam contra o machismo vibraram. Porque que o machismo gere revolta nos espaços da TV é consequência da nossa luta cotidiana. Mas isso ainda é muito pouco pros nossos verdadeiros objetivos. Dayse estava ali disputando um prêmio pra ser uma grande chef de cozinha profissão majoritariamente masculina, mas que sem tanta gourmetização o ofício de "cozinhar" é esmagadoramente feminino. Mas não como uma profissão bem remunerada, não como hobby ou realização pessoal. Mas como imposição de uma sociedade patriarcal onde as mulheres têm que naturalmente cuidar dos serviços domésticos sem receber nada por isso. Que a batalha de Dayse abra espaço pra se discutir o machismo nos locais de trabalho, nas famílias e no dia a dia é um grande feito. Mas não pode parar por aí, queremos deixar de ser humilhadas pelo que fazemos, mas queremos a liberdade de milhões de mulheres que sofrem opressão e exploração todos os dias. Por isso lutamos. #VaiDayse #ChegaDeMachismo




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