Gênero e sexualidade

DIREITO AO ABORTO

Massiva marcha pelo aborto no Chile: Que a maré verde cruze a Cordilheira!

No Chile, dezenas de milhares foram às ruas neste 25 de julho pelo direito ao aborto. Existe força para ir por um grande movimento pelo aborto legal, seguro e gratuito, nas ruas, nos locais de estudo e de trabalho. No dia 8 de agosto está sendo convocada uma grande manifestação para acompanhar as mulheres na Argentina, um chamado que toda a esquerda, feministas e Frente Ampla, deve levar com toda força para redobrar esse movimento.

quinta-feira 26 de julho| Edição do dia

Havia cerca de 50.000 pessoas que marcharam nesta quarta-feira pelo direito ao aborto. Mulheres, estudantes e trabalhadoras se mobilizaram por todo o país pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito. Estudantes secundaristas, universitárias, trabalhadoras do setor público e privado, junto com milhares de homens, organizações sociais, feministas, sindicatos, baterias e organizações de esquerda saíram às ruas com lenços verdes no pescoço tomando o exemplo da “maré verde” que inundou as ruas da Argentina lutando pelo direito ao aborto.

Esta massiva mobilização é uma mostra que há força para ir por muito mais, para que a luta pelo direito ao aborto possa cruzar a Cordilheira e se transformar em uma grande maré que se proponha a tomar o exemplo das mulheres argentinas, e em todo o Chile e América Latina, impulsionar um grande movimento nas ruas junto aos trabalhadores e estudantes, enfrentando os governos, igrejas e empresários, que durante décadas tem negado esse direito e seguem permitindo que centenas de milhares tenham que abordar na clandestinidade.

Essa mobilização foi precedida por várias ações, “pañuelazos”, atividades em universidades e escolas, intervenções nas ruas, chamados em redes sociais e ações de vários tipos. São jovens universitárias, trabalhadoras também, como foi o chamado da ANEF (Agrupação Nacional de Empregados Fiscais) para marchar, ou as trabalhadoras dos Correios, também os demitidos das estações ferroviárias de Antofagasta, e também junto a estudantes convocaram ativamente as artistas. É uma continuação da onda feminista de maio que pode transformar-se em uma grande batalha nas ruas pelo aborto legal, seguro e gratuito.

Neste dia 8 de agosto, dia em que será votada no Senado argentino a lei do aborto, centenas de milhares sairão às ruas do outro lado da Cordilheira. No Chile, organizações feministas como Pan y Rosas estão convocando a concentração em apoio às companheiras na embaixada argentina. É uma data de honra para que a maré verde tome as ruas novamente, e é uma data central que todas as organizações feministas, de esquerda e da Frente Ampla devem impulsionar com todas as forças, colocando suas figuras e forças à serviço de uma grande concentração que diga fortemente que as mulheres argentinas não estão sozinhas.

Trata-se de lutar pelo direito das mulheres não morrerem por abortos clandestinos, nem contraírem doenças, ou realizar o procedimento em condições desumanas e insalubres, e que seja o Estado que garanta gratuitamente a interrupção voluntária da gravidez. Os conservadores, o governo de direita, a igreja, as clínicas particulares e os partidos empresariais “progressistas” se opõem a esta demanda e pretendem perpetuar a submissão das mulheres trabalhadoras, pobres e jovens a ter que abortar na clandestinidade. É uma questão de saúde pública, de classe e do direito de decidir.

As mulheres têm mostrado que podem ser uma enorme força se elas se colocarem junto com os trabalhadores e estudantes, enfrentando o governo e o regime. Estão sendo um exemplo em levar a massiva luta pelo direito ao aborto aos lugares de trabalho e estudo e nas ruas, podem passar por cima das burocracias sindicais (como a CUT-Chile) que continua assistindo qualquer luta desde a platéia.

O grupo Pan y Rosas, que há anos vem lutando pelos direitos das mulheres, construiu um importante bloco e chamou a sermos milhares nas ruas novamente neste 8 de agosto, e construir esse movimento redobrando as ações.

Tradução: Ana Carolina Fulfaro




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