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Massiva manifestação estudantil em Barcelona pela autonomia catalã

Milhares de estudantes se manifestaram no marco da greve estudantil convocada pela defesa do direito de decidir do povo catalão e contra a repressão. Um bloco crítico defende a luta pela universidade pública e gratuita.

sexta-feira 29 de setembro| Edição do dia

Foto: ID.es

Desde o aumento da ofensiva reacionária contra o referendum do 1-O (1º de outubro), os estudantes se colocaram na linha de frente para dar uma resposta aos ataques. Primeiro foram os estudantes secundaristas, convocando uma greve para a quarta e quinta-feira, 27 e 28. Depois os universitários, convocando uma greve para essa quinta e hoje, sexta-feira, 29.

A manifestação que começou ao meio dia foi massiva, concentrando milhares de estudantes, tanto universitários, como secundaristas.

O percurso foi desde a Plaza Universidad, em frente à reitoria ocupada desde sexta-feira passada por milhares de estudantes, até a Plaza Espanya, recorrendo as principais vias de Barcelona e as ruas mais centrais da capital catalã.

Os principais gritos que se escutaram durante a marcha foram “votarem, votarem” e “els carrers seran sempre nostres”, em referência ao direito a decidir e contra a repressão do Governo federal. O canto de Els Segadors, entonado por milhares de vozes, foi, sem dúvida, outro dos momentos centrais da mobilização.

Na mesma manifestação houve também um bloco crítico com a plataforma “universitats per la república”, sob o lema de “Organizemo-nos. Pelo referendum do 1º de outubro e pela greve geral no dia 3 de outubro por uma educação gratuita e sem precariedade”, que conseguiu mobilizar a centenas de estudantes.

Centenas de estudantes não se sentem identificados com a linha programática de Junts pel Sí para defender o Referendum. Em várias assembleias na reitoria ocupada foi debatido somar-se à defesa do direito a decidir no próximo 1º de outubro, reivindicações próprias do movimento estudantil, como a demanda da educação pública e gratuita, e também sobre massificar o movimento por meio de gerar amplas assembleias em faculdades e institutos.

Assim, centenas de estudantes se reuniram em assembleia para discutir isso, além de pensar como enfrentar a repressão e organizar sua participação na greve geral que está sendo convocada para o dia 3 de outubro pelos sindicatos CGT, IAC, CNT, Co.Bas e COS.

A manifestação massiva teve um momento emotivo quando os bombeiros de Barcelona estiveram presentes na marcha estudantil. O bloco crítico ressonou com um só grito “bombeiros e estudantes, unidos e adiante”, “viva a luta da classe operária” ou “mais bombeiros e menos polícia”.

Além disso, a escalada repressiva do Estado espanhol contra o referendum do 1º de outubro chega às escolas e institutos. O Ministério Fiscal anunciou há poucos dias que enviou uma ordem à polícia para que circundem, desde esta sexta-feira, todos os colégios eleitorais e que interroguem os diretores dos centros educativos até o dia de domingo. O TSJC (Tribunal Superior de Justiça da Catalunha) deu ordem à Polícia Nacional e à Guarda Civil de não permitir a abertura desses centros educativos no 1-O.

Nesse sentido, ontem, quinta-feira a tarde, a Assembleia Groga, plataforma que agrupa diferentes setores da comunidade educativa, convocou às 18 horas uma concentração pelas liberdades e contra a repressão na Plaza Universidad.

O ato, celebrado na reitoria cheia de docentes e estudantes, denunciou a repressão que está acontecendo, em especial aos centros educativos, defendendo o direito a decidir, vinculando essa luta democrática com a defesa de uma educação pública, gratuita, democrática e de qualidade.

O lugar eleito, ocupado por centenas de estudantes, se converteu, nessa quinta-feira, em uma grande jornada de luta do movimento estudantil e do resto da comunidade educativa, que pode servir de empurrão para todas as ações que se organizem para os dias seguintes em defesa dos centros de votação e em defesa da educação pública.




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