Mundo Operário

GREVE SERVIDORES MUNICIPAIS SP

Massificar a greve dos servidores e unificar com a população para derrotar a reforma da previdência em SP

quarta-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

Os quase 40 dias do governo Bolsonaro mostram que, apesar de todas as contradições que o governo Bolsonaro enfrenta, a reforma da previdência ainda é o ponto central que une a todos os empresários e capitalistas que querem manter intactos seus lucros em meio à crise econômica, afogando os trabalhadores com a destruição dos serviços públicos e acabando com a nossa aposentadoria. A educação pública está no topo da lista dos ataques, Escola Sem Partido, a Reforma do Ensino Médio, ameaças de privatizações e a nova BNCC. Esses ataques acertam em cheio categorias majoritariamente femininas como a de professores, que são o verdadeiro alvo como mostra a vazada proposta de reforma da previdência do governo Bolsonaro.

É neste cenário de fundo que emerge a greve do funcionalismo municipal de São Paulo, que se iniciou segunda-feira, 4, contra a “versão municipal” da reforma da previdência, o Sampaprev. A greve tem grandes peso entre professores, forte presença de mulheres, e se alastra para demais setores do funcionalismo, com o apoio da população.

Essa batalha pela reversão do Sampaprev acontece ao mesmo tempo em que os metroviários de São Paulo também se levantam contra a privatização do Metrô. Essas categorias de enorme importância podem unir forças entre si e serem o grande impulso para que outras categorias de trabalhadores também se inflem de ódio para lutar contra os governos, suas reformas e políticas de privatização. Precisam esconder da imprensa essa força da greve porque sabem que, se vitoriosa, essa luta poderá contagiar milhões de trabalhadores no país.

Nesta segunda-feira houve uma importante demonstração de forças, com milhares de servidores na porta da Prefeitura reivindicando a revogação do Sampaprev. Isso, somado à força que os servidores demonstraram ter no ano passado - onde mais de 100 mil servidores foram às ruas e enfrentaram bravamente toda a repressão policial, é um enorme ponto de apoio.

Mas para que possamos vencer, é preciso construir uma luta superior ao grande exemplo de 2018, que apesar de toda a disposição de luta e abnegação dos servidores, devido à atuação das direções sindicais não conseguiu barrar o SAMPAPREV. É preciso muito mais do que o que propõe os sindicatos, que fazem falas inflamadas de cima do caminhão, mas não atuam para massificar a luta ao lado do conjunto das categorias e negociam pelas nossas costas como foi o grande acordão que elegeu Eduardo Tuma para a presidência da Câmara o ano passado (entregando em troca cargos aos partidos que estão a frente do sindicato, PPS e PT).

É preciso que o conjunto dos servidores entre verdadeiramente em cena e dirija cada passo dessa luta e confie somente em suas próprias forças, construindo centenas de comitês de greve e elegendo representantes em todas as escolas e locais de trabalho, que pense quais os passos necessários para vencer, como ganhar apoio e adesão da população, pois é uma luta pela educação e em defesa das aposentadorias a nível nacional. É preciso exigir essa política dos sindicatos.

É preciso construir a mais ampla solidariedade à luta dos servidores municipais, também a luta dos metroviários, buscando apoio da população em todos os locais de trabalho e estudo. Pois, se vitoriosa, a conquista destas categorias pode ser o impulso para que os trabalhadores de todo país se levantem, com as mulheres na linha de frente, para derrubar reforma da previdência de Bolsonaro e as políticas de privatização - que, em Brumadinho, provou que mata.

Tomar a luta em nossas mãos significa também se apoiar na força do nosso movimento para exigir das grandes centrais sindicais, CUT e CTB, bem como da Intersindical e da CSP Conlutas, que rompam com a sua paralisia e disposição de negociar uma Reforma com cara de “mal menor” com o governo e construam imediatamente um plano de lutas nacional, real, contra a Reforma da Previdência.

É necessário também que o PSOL, que com seus mandatos apoiou nossa luta no ano passado, denunciando as manobras na Câmara, seja agora ser parte dessa exigência, expandindo a luta para fora do parlamento e se colocando a serviço de exigir das centrais que se mobilizem e chamar com toda sua força a amplificação da auto-organização, ou seja, de que os trabalhadores tenham o poder de propor e decidir sobre cada passo da greve, contra os métodos burocráticos das direções.

Esse funcionalismo que se levanta não à toa tem a maioria de mulheres: são elas o setor mais explorado pelos capitalistas, que lucram com a exploração de nossos corpos, com as duplas e triplas jornadas de trabalho, com a terceirização que tem rosto de mulher negra. Mas eles sabem que são as mulheres que protagonizaram os principais levantes dos últimos anos, e sabem também que a possível ligação da morte de Marielle Franco com a família Bolsonaro pode ser explosiva. É por isso que, às vésperas do dia Internacional das mulheres, serão elas que estarão à frente das lutas em defesa dos nossos direitos. Também serão as mulheres que estarão na linha de frente para exigir justiça por Marielle.

A poderosa e histórica unidade dos trabalhadores com a população, tendo as mulheres na linha de frente: essa deve ser a ambição desse poderoso funcionalismo que se coloca em movimento e pode vencer.




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