Internacional

DECLARAÇÃO DA CCR SOBRE OS ATENTADOS EM PARIS

Massacre em Paris: Hollande decreta estado de exceção

160 mortos no atentado, só na casa de espetáculos Bataclan uma centena, um verdadeiro massacre. Os ataques quase simultâneos foram perpetrados no raio de cinco quarteirões de Paris, nas ruas, e nos arredores do Stade de France, em Saint-Denis. Dez meses depois dos atentados do Charlie Hebdo e do restaurante judeu de Vincennes, os terroristas (islâmicos, segundo a imprensa) teriam escolhido responder de maneira simétrica e bárbara à barbárie imperialista que se abate há já um ano no Iraque e na Síria, em nome "da liberdade dos Direitos do Homem" contra o Estado Islâmico. A França viveu, esta noite, aquilo que Beirute viveu a 12 de novembro e que vivem cotidianamente as populações da Síria, do Iraque e do Iêmen.

sábado 14 de novembro de 2015| Edição do dia

O pânico mortífero foi total pouco antes das 21h30: disparos de metralhadora numa fábrica de cerveja, tomada de reféns na casa de shows Bataclan, uma das salas de espetáculos mais concorridas da capital, ataques com granada nas proximidades do Stade de France onde se disputava a partida entre França e Alemanha na presença de Hollande. Entre as vítimas, unicamente anônimos, assassinados ao acaso. A emoção é completa diante deste morticínio em grande escala. Condenamos firmemente estes brutais atentados e nos solidarizamos com as vítimas e seus familiares.

Do lado do governo, apoiado pelo conjunto das forças políticas, a crise é completa, mesmo se Hollande e seus ministros tentem responder através de medidas do estado de exceção. Pouco antes da meia-noite, de maneira breve a presidência da República anunciou que o Exército estava prestes a intervir ao lado das forças especiais de polícia. O estado de emergência é decretado sobre o conjunto do território nacional pela primeira vez desde o início da Guerra da Argélia, e não mais somente na Île-de-France (a capital) como em 2005 durante a revolta da juventude nas periferias (banlieues). Isto dá prerrogativas especiais aos comissários e às forças policiais para suspender a circulação, fechar locais e sobretudo conduzir perseguições a todo momento por fora do quadro judicial habitual. As fronteiras, por fim, estão fechadas.

É um pano de fundo reacionário que Hollande desenvolve, aproveitando-se do estado de confusão e pânico para reforçar as prerrogativas do Executivo de relançar um giro bonapartista. Politicamente, Hollande sabe que será seguido de perto pelos Sarkozy e as Le Pen que quererão, eles sim, tirar partido da situação, às vésperas das eleições regionais, mesmo que várias cúpulas partidárias anunciassem a suspensão de suas campanhas. No exterior, pode-se aguardar igualmente, em meio ao ruído retumbante das botas militares, uma intensificação das operações imperialistas contra o “terrorismo islâmico”, como acentuou em sua primeira declaração Barack Obama.

Hollande chama a unidade, como depois dos atentados de janeiro, e exige que tenhamos “confiança em nossas forças de segurança”. Não somente essas forças de “insegurança” são incapazes de prevenir este gênero de ataques e exercem o seu próprio terrorismo contra a classe trabalhadora e os imigrantes, mas também as operações imperialistas estrangeiras da França, dois por ano em média desde que Hollande está no poder, complementam o trabalho do radicalismo islâmico, inimigo da libertação dos povos do jugo do imperialismo e do sionismo e que, em última instância, reflete de maneira deformada a barbárie militarista ocidental.

É preciso se contrapor firmemente, ao mesmo tempo em que condenamos este reacionário atentado e nos solidarizamos com os familiares das vítimas, a este giro também reacionário, racista e bonapartista a uma política de militarização, a começar pelas mais institucionais, a repudiar o racismo e a islamofobia que aumentarão, a rechaçar toda perseguição contra os refugiados, acusados pela mídia de trazer o terrorismo para a Europa. Isto implica que as organizações de nossa classe, do movimento operário e da juventude, repudiem integralmente a chantagem pós-Charlie Hebdo. É a condição para poder pensar uma possível resistência, recusando qualquer frente ou bloco com o governo e seus aliados, semeadores da guerra, da miséria, do desemprego, da xenofobia e da exploração.

Declaração original no site Révolution Permanente, seção francesa da rede de diários digitais internacionais Esquerda Diário.




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