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Massacre da Flórida: amplo repúdio à proposta de Trump de armar professores

Mais negócio para a Associação Nacional do Rifle e a indústria armamentista. Rechaço a armas nas escolas.

sexta-feira 23 de fevereiro| Edição do dia

Diante do clima de violência e ódio que gerou o presidente estadounidense, Trump busca promover o uso de armas nas escolas. Uma medida que desde o início despertou amplo repúdio e que inequivocamente busca impulsionar ainda mais o negócio das armas.

Depois do massacre na escola Marjory Stoneman Douglas de Parkland, Flórida, no qual 17 pessoas foram assassinadas, se multiplicaram os protestos contra as armas nos Estados Unidos.

Enquanto isso, o presidente Trump se reuniu com alguns pais dos falecidos e estudantes sobreviventes de tiroteios, o da Flórida e também o de Sandy Hook (2012). Nesse encontro, a maioria dos assistentes estavam a favor de uma estratégia de mais segurança, implicando a presença de agentes armados nas escolas. O presidente estadounidense anunciou então sua proposta de armar os professores como forma de prevenir os massacres.

Além disso, de forma tíbia, prometeu mais controle de antecedentes, mas não restrições à compra e foi dito também de se proibir os dispositivos que transformam um fuzil normal em uma metralhadora. Fica claro que diante da nova crise que enfrenta, o vínculo de Trump com a Associação Nacional do Rifle (e o negócio de 50 bilhões de dólares anuais que são movidos) pesa mais do que tudo.

De sua parte, a rede CNN organizou nesta quarta-feira, 21 de fevereiro, um debate sobre o controle de armas nos Estados Unidos, do qual participaram familiares de pessoas assassinadas no massacre da Flórida, junto com professores e estudantes sobreviventes que interpelaram a distintos senadores.
Nesta ocasião, professores e pais de estudantes repudiaram a proposta de Trump de que os professores levem armas e questionaram duramente os senadores republicanos e democratas por manter as facilidades para usar armas nos Estados Unidos.

Um dos momentos mais intensos do debate se deu quando um dos jovens pediu a Marco Rubio, senador republicano da Flórida, que dissesse publicamente que não aceitará “uma só doação da Associação Nacional do Rifle (NRA por suas siglas em inglês)”, ao que Rubio respondeu cinicamente “Farei o que penso que é justo”.

O estudante foi ovacionado e se manteve firme: “Em memória das 17 vítimas não pode pedir à NRA que mantenha seu dinheiro fora de sua campanha?”, insistiu o estudante, ao que Rubio respondeu: “Não, não”.
As armas dos massacres nos Estados Unidos são fabricadas nas mesmas indústrias que são produzidas as armas vendidas pelas autoridades desse país tanto aos exércitos mexicano e centro-americanos, como ao crime organizado.
O massacre da Flórida é o número 239 desde o de Sandy Hook. Evidencia a polarização que prima nos Estados Unidos, mais além do debate em torno ao controle de armas.

Uma polarização que Trump, com seu discurso xenófobo e racista, enfatiza e expressa em ataques armados, cujas raízes se afundam na história da principal potência imperialista do mundo. Seu poderio se construiu sobre o racismo, a expropriação e o massacre dos povos originários que habitavam seu território e do roubo que exerceu contra países como o México, que arrebatou em 1848 a metade de seu território, e que depois seguiu sugando seus recursos e força de trabalho precarizadas até os nossos dias.




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