ROCINHA

Máscaras de caveira são a cara do desrespeito aos direitos constitucionais na Rocinha

quarta-feira 27 de setembro| Edição do dia

FOTO: Bruno Kelly/Reuters

Militares armados até os dentes vestidos com máscaras de caveira nas vielas da Rocinha. Esta é a realidade dos moradores reféns da invasão policial e dos militares que já dura 10 dias. Legalmente, o Exército só poderia fazer uso de máscaras de cor preta, sem nenhum tipo de desenho ou inscrição. As caveiras são um retrato da repressão cotidiana sofrida pelos moradores.


FOTO: Mauro Pimentel/AFP

Desde agosto, o exército vem ocupando diversas comunidades do Rio de Janeiro, espalhando terror para a população periférica, que se vê completamente vulnerável, exposta a violência extrema e cerceada do seu direito de ir e vir. As operações, carregadas de repressão, são caracterizadas pelas denúncias de violência contra a população, sob o argumento de “combate ao crime organizado”.

O uso de máscaras com desenho de caveiras utilizadas pelos agentes das Forças Armadas denunciam a cara da repressão que é aplicada nas favelas: símbolos de morte, utilizadas para amedrontar ainda mais e esconder seus rostos, mantendo segura sua identidade de rechaço e consequências legais.

Segundo a moradora Cilene, 43, nenhuma das 5 “guerras” que já viveu na Rocinha se compara ao que está acontecendo agora. Ao todo, são 950 militares dentro da favela ameaçando a vida de 80 mil moradores da comunidade. As ocupações militares tornaram o Rio um cenário clássico de guerra: as operações passam fazendo mortos, revistando os moradores, desrespeitando todos os direitos constitucionais, violando suas casas, seu direito de ir e vir e promovendo detenções sem julgamentos. Inclusive, os moradores da Rocinha fizeram denúncias sobre abusos, agressões e roubos por parte dos militares durante seu ataque à população.

Os moradores opinam que a presença do exército nas principais vias não se justificam. Os bloqueios das vias com tanques, vans e ônibus, faz com que os moradores tenham que tomar outros caminhos para chegar em suas casas. Os transportes escolares não passam pela comunidade e mais de 3.300 alunos ficaram sem aulas por conta das operações militares. “A gente não pode ficar sem estudar, sem trabalhar, sem direitos básicos”, declarou o presidente da associação de moradores da Rocinha, criticando a ação e a presença do exército na comunidade.

A juventude da Rocinha também é brutalmente atingida, mais do que no cotidiano de ações da polícia que promove um grande genocídio da população negra, jovem e periférica. Maria Rodrigues, 50, relatou o desaparecimento de seu filho: o jovem Anderson, 17, está desaparecido desde o dia 21 de setembro. Maria procurou pelas delegacias e ao IML, e não obteve nenhuma informação além de que houve um tiroteio próximo a casa dela.

Há pelo menos 10 dias os moradores da rocinha tem vivido a opressão do cerco militar, vendo suas vidas em risco nas miras dos fuzis da polícia e do tráfico. Reféns de uma falida guerra às drogas que traz repressão aos moradores e muito lucro a políticos que passeiam livres pelo país com seus helicópteros cheios de cocaína.




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