ATO INTERNACIONAL - EUA

Maryam Alaniz "Um futuro socialista está no horizonte e estamos aqui para lutar por ele"

Iraniana, queer e comunista. Conheça a jovem que luta no coração do imperialismo contra o racismo e a xenofobia de Trump.

sábado 11 de julho| Edição do dia

Parte do grupo estadunidense Left Voice, que compõe a Rede Internacional do Esquerda Diário, a estudante Maryam Alaniz participou do ato internacional contra o racismo e a violência policial, impulsionado pela Fração Trotskista - Quarta Internacional, que aconteceu na tarde de hoje (11/07). Com um discurso combativo, a jovem Maryam falou sobre a força da fúria negra que se levantou nos Estados Unidos e em todo o mundo com o assassinato de George Floyd.

“Neste momento nos EUA, estamos em meio ao que é descrito como o maior movimento na história desse país – milhões de pessoas tomaram as ruas nas últimas semanas. Esses levantes são liderados por jovens negros da classe trabalhadora que já não aguentam mais o racismo e a violência policial.”

Maryam falou sobre como a violência policial nos Estados Unidos e em todo o mundo violenta e assassina os trabalhadores, juventude e oprimidos em prol dos lucros capitalistas. Para ela, lutar contra a violência policial nos Estados Unidos, significa lutar contra a violência imperialista em todo o mundo: “a polícia israelense recentemente assassinou o jovem Ahmed Erekat de 27 anos em um ponto de controle na Cisjordânia. Quando nós lutamos contra a polícia aqui, lutamos contra os massacres do imperialismo em todos os lugares.”

A jovem iraniana dedicou grande parte de sua fala para denunciar a opressão imperialista que os Estados Unidos exercem em todo o mundo.

“Em países como Cuba, Venezuela e Irã, onde vive a minha família, as pessoas sofrem todos os dias sob as sanções opressivas e desumanas dos Estados Unidos. Em meio ao plano de Israel para anexar a Cisjordânia na Palestina”

Maryam Alaniz também falou sobre as lutas passadas e como elas serviram de aprendizado para essa nova geração de jovens que além de se enfrentar cotidianamente com a violência policial, também enfrenta níveis estratosféricos de desemprego que vem se acentuando muito com a pandemia. Maryam deu dados que mostram como o desemprego já chegou a 20% entre os jovens em geral, 30% entre os jovens negros e escandalosos 37% entre a juventude latina nos Estados Unidos, escancarando o racismo das empresas capitalistas.

Mas, longe de uma postura cética ou derrotista, a jovem remarcou que o caminho para enfrentar a condição de enorme degradação social que os governos tentam impor à juventude, passa justamente pela mobilização, tirando lições com as mobilizações passadas e buscando batalhar pela aliança com os trabalhadores.

“Levantes passados como a primeira onda de protestos do Black Lives Matter, Ocupy Wall Street, e os protestos anti-globalização dos anos 90 nos inspiraram, mas também nos ensinaram que temos que ir além para mudar significativamente este sistema horrível do capitalismo global. Se queremos evitar a cooptação, o cansaço e a desmoralização (...) devemos compreender que, para ganhar a luta contra o capitalismo e o imperialismo, temos que unir nosso movimento com a classe operária. Somente eles têm o poder de parar as engrenagens da produção capitalista.”

Compreendendo as luta da juventude como lutas que deve passar pela unidade com os trabalhadores, Maryam falou também sobre a questão LGBTQ e a questão climática. Para ela, a luta LGBTQ deve se ligar às lutas dos trabalhadores, das mulheres e do povo negro, de forma totalmente independente ao Partido Democrata que veio atuando como “Coveiro dos movimentos”, através de cooptação e saídas meramente institucionais e cosméticas. Assim como faz com a luta LGBTQ, o Partido Democrata tenta desviar as mobilizações pelo clima para atender a sanha capitalista que destrói tudo que toca.

“Somos jovens que sabemos que o movimento LGBTQ – que eclodiu com Stonewall – foi uma revolta (...) queremos a libertação da comunidade LGBTQ e queremos salvar o planeta da catástrofe climática. É necessário enfrentar o poder dos milionários que estão entre os mais ricos no planeta graças ao capital financeiro e à exploração da classe trabalhadora em todo o mundo.”

Por fim, a jovem militante do Left Voice chama a juventude que se mobiliza nas ruas a construir uma perspectiva anticapitalista e revolucionária, que rompa com qualquer tipo de ilusão na demagogia do Partido Democrata e enfrente com suas próprias forças, se ligando à classe trabalhadora e retomando a tradição dos grandes marxistas revolucionários que lutaram contra esse sistema de exploração e opressão.

Somos orgulhosamente o legado de Marx, Lenin, Trotsky e Luxemburgo. Queremos injetar nova energia no movimento operário. Um futuro socialista está no horizonte e estamos aqui para lutar por ele.

Assista a fala de Maryam Alaniz no ato internacional simultâneo contra o racismo e a violência policial:

Assista na íntegra:




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