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ELEIÇÕES 2018

Marina ignora mortes por aborto clandestino e diz: "Se o Congresso aprovasse eu vetaria"

Em sabatina da Veja, Marina Silva, candidata à presidência pelo Rede, volta a se posicionar contrária à legalização do aborto, apoiando-se numa postura supostamente "democrática" e fazendo demagogia com a luta das mulheres, ela afirma que só permitiria se fosse feito através de plebiscito.

quarta-feira 19 de setembro| Edição do dia

Marina Silva (Rede), declarou na sabatina promovida pela Veja que é contrária a aborto e que se o Congresso aprovasse sua legalização, ela vetaria. Utilizando de um falso discurso "democrático", Marina faz demagogia com uma pauta histórica do movimento de mulheres e ignora as mortes por aborto clandestino no Brasil: "Tenho dito que se for para ampliar a legalização, que seja por pebliscito. 513 deputados e 81 senadores não substituem 200 milhões de brasileiros."

Entretanto, o posicionamento da candidata à presidência é categórica: ela, mais de uma vez, já se declarou contra a legalização do aborto.

Sob esse falso discurso do plebiscito, Marina destila argumentos contrários à legalização do aborto que são os mesmo utilizados pelos setores conservadores que fecham os olhos para a 4ª maior causa de morte materna. "Sou contra o aborto, não acho que é a melhor forma de você encarar o problema de não querer uma gravidez indesejada, defendo que se tenha planejamento familiar, que se oriente as pessoas para que elas não tenham que ter uma gravidez indesejada".

Marina Silva sabe que todo o ódio patriarcal e conservador ia falar mais alto. Todas as famílias e os homens mais conservadores teriam muito peso nessa votação, quando boa parte das mulheres e jovens já se pronunciaram sobre o tema, inclusive se colocando nas ruas inspiradas pelas mulheres argentinas e sua luta pela legalização. Pesquisas recentes sobre a opinião pública mostraram que 62% é contrária a legalização do aborto, mostrando que, no final, imperaria ainda sim a concepção reacionária, religiosa e conservadora que fecha os olhos pras mortes de mulheres.

De fato, o aborto é uma questão de saúde pública, e seu debate vem acompanhado de maneira indissolúvel ao debate do direito à maternidade e à prevenção. É importante que, para que seja assegurado às jovens educação sexual nas escolas, para que sejam capazes de tomarem decisões sobre seus próprios corpos. A educação sexual nas escolas, é encarada pelos setores da direita reacionária e conservadora como "apologia e sexualização de crianças", mostrando que não se preocupam em implementar políticas de gênero e sexualidade capazes de fato de promover educação e poder de decisão de jovens sobre seus corpos. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde 68,4 bebês são filhos de meninas 15 a 19 anos.

O direito ao aborto legal, seguro e gratuito é uma pauta histórica do movimento de mulheres pela liberdade de poder decidir sobre os seus corpos, e deve ser conquistado na mobilização das mulheres em seus locais de trabalho e estudo, como parte das demandas de toda a classe trabalhadora, que através da mobilização nas ruas irão impor esse direito. Bem como o direito à educação sexual para decidir e contraceptivos para prevenir. Um conjunto de medidas que eficazes que juntos poderão permitir que as mulheres conheçam seus corpos, façam suas escolhas e não morram.




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