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Marcha 21F

#Marcha21F: um forte revés político para o Governo argentino

A mal chamada “marcha de Moyano” foi massíva e contundente. Outra notícia péssima para o Governo argentino e uma potencialização que só encontra limites na estratégia da condução moyanista

sexta-feira 23 de fevereiro| Edição do dia

A multitudinária mobilização que teve lugar nesta quarta-feira na Avenida 9 de Julho, na cidade de Buenos Aires, Argentina, terminou convertida em um revés político para o Governo. Foi uma derrota da furiosa campanha prévia que buscou baixar seu preço e, no mesmo ato, agigantou sua magnitude social e política.

As miradas superficiais (e interessadas) percebem os motivos do enfrentamento em uma briga pessoal entre Hugo Moyano e Mauricio Macri, que foram aliados tácitos e táticos até ontem.

Como sucedeu em seu momento, com a ruptura do líder dos caminhoneiros com a ex-presidente Cristina Fernández, o acento foi colocado em uma briga de “egos”, enquanto se ocultavam razões profundas e estruturais (naquele momento, o início de um ajuste sobre o movimento operário).

A crescente deterioração das condições de vida da ampla maioria é um dos motivos de fundo que habilitou o êxito da mobilização, pese os limites impostos por aqueles que a convocaram. Mas também, a origem residiu em um acontecimento produzido em dois momentos a finais do ano passado (14 e 18 de dezembro), e do qual, paradoxalmente (ou não tanto), esteve soberanamente ausente o principal convocante da marcha deste #21F: a briga contra a reforma da previdência.

Aquele “triunfo” mudou de uma derrota política para a coalizão governante que iniciou um processo declinante nos distintos índices que medem suas imagens pagãs (tanto do pessoal político, como da gestão, da economia e até das “esperanças”).

Pela via direta (a golpeada, mas ainda viva pituitária moyanista para captar o mal-estar social em ascenso e a debilitação do Governo) ou indireta (a má situação em que ficou o macrismo que o levou à construção de um novo “eixo do mal” diante do desgaste da guerra contra o kirchnerismo) ou por uma combinação de ambas; Moyano terminou empurrado às ruas com uma mobilização que concentrou a oposição social de Macri.

A política do histórico referente que representa a tendência mais “vandorista” da burocracia sindical argentina foi, para variar, golpear para negociar. Por isso evitou milimetricamente falar de uma paralisação ou algum tipo de escalada e agora espera que “movam as brancas”. A ordem dos fatores na álgebra do “conservadorismo” moyanista, alterou bastante o produto: há muito mais predominância do fator negociação em relação ao que pressiona o impressionante aparato caminhoneiro.

O Governo argentino soma uma má notícia à falta de resposta da economia – que quis tapar com a narrativa mãodurista – e ao crescente descontento social. Agora é agregada a perda (potencial ou real) da rua que nunca esteve. No mesmo movimento desprestigiou os burocratas aliados aos que pintou vergonhosamente de um amarelo florescente.

Moyano se converteu, mais uma vez, em um canal de expressão e limite do potencial que existe para derrotar Macri. Uma concentração convocada sem paralisação, depois de um zigzag que arrastou o líder dos caminhoneiros desde amparo sob o céu amarelo à oposição furibunda, teve uma resposta contundente. Um fato que só constata (como foi demonstrado com maior determinação pelas jornadas de dezembro contra o saque aos aposentados) que uma paralisação e até uma greve geral com mobilização, colocariam em xeque o ajuste macrista. Justamente o que exigiu uma das tendências que participou de maneira independente na marcha: o sindicalismo combativo e a esquerda.

Com uma citação do escritor mexicano Octavio Paz e com objetivos eleitorais, Moyano recordou que “toda derrota é transitória e toda vitória é relativa”. Uma sentença que pode ser aplicada também para esta “derrota” do Governo se a estratégia se limita a impor uma nova pax e trabalhar para alguma unidade peronista moderada para 2019, enquanto se permite que Macri siga fazendo o trabalho sujo que hoje encontrou um novo limite. A resposta sobre a orientação que será adotada por Moyano, como diria Marcos Peña, agora seguramente alterado, “por agora, fico te devendo”.

Em todo o caso, não se limita a uma questão de análise, e sim de luta política por impor que a força contida que se expressou nesta quarta-feira possa se desenvolver até derrotar o plano selvagem de Macri e sua banda, que hoje voltou a tremer com a reaparição de um fantasma que sempre ronda a Argentina: o fantasma maldito da rua.




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