Sociedade

RJ: MARCHA DA MACONHA

Marcha da Maconha reúne centenas no Rio pela legalização e contra a Intervenção Federal

No último sábado (05/05) aconteceu no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro mais uma Marcha da Maconha reunindo centenas de jovens. A marcha que acontece desde 2002, neste ano teve em seu chamado, além da legalização das drogas, pauta contra a intervenção federal imposta pelo governo golpista de Temer.

Isabela Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ e coordenadora do Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ - CASS

segunda-feira 7 de maio| Edição do dia

A Marcha da Maconha que é organizada por setores do PSOL, pelo mandato do Deputado Renato Cinco, contou com a presença de Luciana Boiteux, da Marcha das Favelas pela Legalização, do Quilombo Vermelho, dentre outros movimentos que defendem a liberação das drogas e algumas centenas de pessoas em sua maioria jovens. 

A pauta da legalização das drogas é um debate chave para se responder ao problema da violência que aflige hoje a população do estado do Rio de Janeiro. Tanto a legalização das drogas como a oposição á Intervenção federal eram levantadas pela vereadora do PSOL Marielle Franco, assassinada brutalmente em março deste ano.

Somente com a legalização de todas as drogas é possivelmente enfrentar o tráfico, e golpear os grandes traficantes que, em seus "helicocas" não são atingidos pelas operações policiais midiáticas, cheios de mortos e feridos. O Estado segue tratando a questão das drogas como caso de polícia e não de saúde, mantém a política racista de Guerra às Drogas que é responsável por perpetuar o tráfico e fortalece os esquemas de corrupção onde estão envolvidos diversos políticos e seus agentes. Garantindo seus lucros e esquemas de corrupção ao custo do sangue da juventude negra, do povo pobre e dos trabalhadores. 

 Além de não ter avançado para a legalização das drogas, os poucos avanços que foram obtidos na Política de Álcool e outras drogas vem enfrentando ataques pelo governo golpista e conservador de Temer. Como a política de redução de danos que segundo o Ministro de Temer, Osmar Terra, “ é igual a enxugar gelo” de acordo com a proposta do Ministro aprovada no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas a orientação de tratamento para as pessoas que fazem uso abusivo de drogas seria a abstinência além de privilegiar as comunidades terapêuticas como local de tratamento e não os Capsad (Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Outras Drogas) não mais a política de redução de danos. Ignorando todo o debate de saúde pública que perpassa o tema e fortalecendo a visão moral sobre o uso das drogas.

Durante os governos petistas foi estabelecida uma legislação em 2006 que deixava a cargo das instituições racistas como a polícia e o judiciário a decisão se o portador de substâncias ilícitas é traficante ou usuário. De lá pra cá observamos um aumento do número de negros e negras encarcerados pelo crime de tráfico de drogas. Isso mostra que na prática a lógica adotada para se encarar o debate das drogas até agora nada mais é do que um artifício para manter a repressão dos negros e pobres dentro das favelas e periferias do Brasil, encarcerar e matar a juventude negra e os filhos da classe trabalhadora.

Enquanto isso, as grandes plantações de maconha e fabricação de drogas químicas não estão onde sistematicamente ocorrem as operações policiais. A entrada e abastecimento do tráfico de drogas segue no país com financiamento e estrutura dos políticos e seus aliados. As favelas do Rio de Janeiro, onde a população vive sob os constantes efeitos da repressão destinada ao "combate às drogas", é a ponta de um processo que gera infinitos lucros e que está diretamente ligado ao Estado capitalista e suas instituições.

O capitalismo lucra em cima do nosso sangue, seus representantes mantém uma política racista e, sob a alegação de um falso “combate às drogas”, vem investindo cada vez mais o dinheiro público na manutenção de uma política de segurança racista e assassina.

Para se avançar no debate da legalização é preciso analisar os impactos que a criminalização das drogas tem causado na vida da juventude e dos trabalhadores. A criminalização está longe de combater ao tráfico e a violência, mas tem propiciado o aumento da população carcerária em nosso país, que já é a 3° maior população carcerária do mundo além das mortes diárias. Mais do que nunca é preciso que esse debate seja feito em cada local de estudo e trabalho. É por este caminho que será instituir uma outra forma de se encarar a questão das drogas em nosso país.

Basta de criminalização, encarceramento e assassinato do povo negro, pobre e trabalhador! Legalizar as drogas!!!




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