Política

LAVA JATO

Marcelo Odebrecht e mais 50 executivos fecham delação premiada

A quais jogos de poder a Lava Jato obedecerá com essas novas delações? Avançará a punir membros de outros partidos além do PT, na medida "justa" para dar ares de credibilidade ou avançará a uma "mãos limpas" caso Temer não consiga impor os ataques que prometeu?

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

terça-feira 25 de outubro| Edição do dia

O empresário Marcelo Odebrecht fez um acordo com os procuradores da Operação Lava Jato para realizar a sua delação premiada. Foram fechados os acordos de delação de mais de 50 executivos e funcionários da maior empreiteira do país. De acordo com uma fonte citada pelo jornal O Globo, os acordos, incluindo o do o ex-presidente da Odebrecht estão abaixo da expectativa dos procuradores, mas mesmo assim são abrangentes.

Para pessoas que estão ligadas a investigação, as acusações atingem ’’de forma democrática’’ lideres de todos os grandes partidos que estão no governo e na oposição

De acordo com advogados da Força Tarefa : ’’ Não vai ser o fim do mundo, mas são informações suficientes para colocar o sistema político em xeque ’’ Estes acordos de delação premiada darão um novo impulso á operação Lava Jato".

Os depoimentos serão complementados com informações do Departamento de Operações Estruturadas, o chamado departamento de propina da Odebrecht. Nestes arquivos do departamento, criado para facilitar o pagamento de propina, estão emails e outros registros de conversa e pagamentos entre os operadores e políticos.

Os investigadores já abriram um dos sistemas e agora estão tentando abrir o segundo sistema, este mais exclusivo, onde estariam o registro das negociações mais delicadas, segundo relatam para seguir uma trama de suspense e divulgação quando querem - para fins políticos - dos andamentos de suas investigações ou meramente de suas "convicções" com ou sem provas.

Os acordos de delação foram fechados há mais de duas semanas, depois de exaustivas negociações, e deverão ser assinados ao final dos depoimentos, que devem ser concluídos entre o fim deste ano e o início de 2017. Depois de homologados é que darão base a novos pedidos de inquérito.

As delações da Odebrecht terão reflexo também sobre outros acordos de delação já homologados pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Os delatores falarão sobre corrupção no período anterior ao primeiro mandato do ex-presidente Lula segundo informa o mesmo jornal da família Marinho.

Emilio Odebrecht, também foi chamado para prestar delação premiada e está colaborando com as investigações. Ele teria tido participação decisiva nos momentos de definição do alcance dos acordos. Na primeira fase das negociações, Marcelo Odebrecht e outros executivos citaram pelo menos 130 deputados, senadores e ministros e 20 governadores e ex-governadores. Entre os nomes citados estão o do presidente Michel Temer, e dos ministros Eliseu Padilha, José Serra e Geddel Vieira Lima. Foram citado também o ex-ministro Antonio Palloci e o Guido Mantega, também são citados tucanos como Alckmin e Serra e o sempre presente em escandalos de corrupção Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro do mesmo PMDB de Temer.

Lava Jato dá um recado a Michel Temer

Depois que o golpe foi consolidado, o presidente golpista Michel Temer conseguiu levar a adiante algumas medidas impopulares que ele está pretendendo implementar. Ao mesmo tempo que ele encabeça estas medidas, o mesmo faz promessas para os grandes empresários e banqueiros de que até o começo do ano que vem, os ataques maiores contra os trabalhadores e setores populares da sociedade serão implementados, entre eles a reforma da Previdência e a reforma trabalhista - esta tramita não só no congresso mas por caminhos secretos no TSE que tem opinado no tema garantindo vantagens aos empresários e jogando fora conquistas dos trabalhadores.

Caso Temer não consiga implementar estas medidas impopulares até o final conforme o prazo que ele tinha pedido, a Operação Lava Jato com a delação premiada de Marcelo Odebrecht e a possível delação premiada de Eduardo Cunha tem duas cartas na manga para colocar o seu governo em cheque, caso assim decidam. Como mínimo a Lava Jato poderá seguir arbitrando na política nacional, escolhendo quais frações da classe dominante atacar e quais poupar em sua empreitada que não visa combater a corrupção, mas substituir um esquema por outros, agora com seu aval.

Caso tenhamos este cenário, a Operação Lava Jato pode avançar para se tornar uma Mãos Limpas brasileira. Conforme escrevemos neste site, a operação Mãos Limpas italiana significou o desmantelamento dos principais partidos da ordem e a troca dos políticos da ordem, porém garantiu a impunidade dos corruptos e ao mesmo tempo ergueu o mafioso Berlusconi como grande dirigente nacional em um novo regime mais neoliberal.

Entre fazer nada, só pegar um outro símbolo do PT e partir para a "mãos limpas" há bastante espaço nas denúncias da Lava Jato para cenários intermedários como punir um ou outro nome de outros partidos (como já faz com Cunha) para dar maiores ares de imparcialidade enquanto segue um curso de parcialidade. Muitos jogos de interesse motivam as escolhas dos rumos, e não o combate à corrupção.

Por trás destas disputas palacianas, sabemos que está acontecendo a ocupação de mais de 1000 escolas e institutos federais pelo Brasil a fora. Os estudantes lutam contra a PEC 241 e a reforma do ensino médio, dois dos principais ataques que Michel Temer pretende implementar. A luta dos estudantes secundaristas e das federais tem a grande potencialidade de ser um ponta pé inicial para uma luta maior que questione esse regime político da corrupção, dos privilegiados da toga, dos golpistas e não golpistas abrindo caminho da luta contra os ataques a um questionamento de todo regime político o que para nós passa por impor com a força da luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.




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