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Marcelo Freixo lança pré-candidatura à prefeitura no Rio pelo PSOL

Na noite dessa segunda-feira (04), no Clube Municipal, no bairro da Tijuca, foi lançada a pré-candidatura de Marcelo Freixo à prefeitura do Rio na presença de um público composto essencialmente por jovens, estudantes, militantes e simpatizantes. Na mesa estiveram presentes diversos representantes de movimentos sociais, artistas, intelectuais e membros e parlamentares do PSOL.

Artur Lins

Estudante de História/UFRJ

quarta-feira 6 de julho de 2016| Edição do dia

Foto: Katiana Tortorelli - Facebook de Marcelo Freixo

A sequência de saudações iniciou-se com o comediante Gregório Duvivier, que depois fez autocrítica por ter afirmado que o “Rio de Janeiro apanha mais que mulher de Pedro Paulo”, e seguida por nomes como Fernanda Abreu, Leonardo Sakamoto, Guilherme Boulos, do MTST, além de vídeos reforçando seus apoios enviados por Caetano Veloso, Wagner Moura e Chico Buarque. Por mais de três horas se manifestaram o vasto arco de apoios de Freixo, sobretudo da intelectualidade e entre os artistas. Pela pré-candidatura pelo município de São Paulo, Erundina, saudada pelo público como “prefeita”, disse em seu discurso que a “revolução começará com os governos municipais do PSOL”.

O PCB, que está na coligação eleitoral com o PSOL no Rio, teve também espaço de fala e o seu representante foi o pré-candidato a vereadorHeitor César Oliveira, que defendeu a aliança em nome de“um novo projeto de cidade para o povo, para a construção de algo qualitativamente novo”.

A maioria das diversas falas de representantes de vários movimentos sociais e artistas que saudaram a candidatura de Freixo se dedicou a defender a necessidade de um outro tipo de política, dialogando com o lema de sua campanha “Se a cidade fosse nossa”, lançada como movimento em junho de 2015. Os governos do PMDB de Cabral e Paes também foram muito criticados. Gregório Duvivier chegou a afirmar que “o Haiti teve terremoto, e o Rio o PMDB. Esse foi o desastre daqui”.

No entanto, apesar do entusiasmo do mestre de cerimônias, Tarcísio Mota nenhum representante de greves importantes que hoje ocorrem no Rio de Janeiro, como a de professores estaduais, falou no ato. Dentre os que apoiaram Freixo, coube apenas a Leonardo Sakamoto lembrar a necessidade de resgatar o legado da greve dos garis de 2014.

Além disso somente no final da atividade foi proposto um minuto de silêncio na fala da vice da chapa de Freixo, Luciana Boiteux, pelo assassinato do estudante da UFRJ Diego Vieira, encontrado morto no campus da universidade.

Freixo apresenta parcialmente o que deve ser seu programa para a campanha

A fala de Freixo foi saudada pela plateia com palavras de ordem contra Pedro Paulo, candidato à prefeitura pelo PMDB que espancou sua ex-companheira. Respondendo às provocações de Pedro Paulo no twitter e às candidaturas burguesas financiadas pelas grandes empresas privadas dizendo que “não tem nada que pague o que está acontecendo aqui hoje.”.

Freixo colocou que é um “desafio imenso para a esquerda chegar ao poder”, e que a via para tal objetivo está na aliança de seu projeto com os movimentos sociais. Essa afirmação sugere ter sido uma resposta a um setor que questionou a conversa que Freixo teve com Jandira Feghali, do PC do B, e Alessandro Molon, da Rede, sobre o pacto de não agressão no segundo turno.

Freixo também afirmou que as demandas democráticas, como a legalização do aborto e das drogas serão debatidas em seu governo. Num ponto de sua fala Freixo apresentou de forma parcial algumas medidas que pretende implementar em seu governo. Com o eixo principal “Se a Cidade Fosse Nossa”, disse que construirá seu programa a partir de um novo modelo de cidade apoiado em conselhos de bairro, que defendeu ser uma forma mais efetiva de ouvir a população.

Afirmou que buscará combater a lógica das Organizações de Saúde que administram hospitais públicos, defendendo o aumento dos concursos para ampliar o setor público, usando os depósitos da previdência para tal fim.

Além disso, Freixo reiterou que a mobilidade urbana é um direito à cidade e se comprometeu em enfrentar as empresas de ônibus a partir do questionamento do valor da tarifa, atualmente em R$3,80. Disse que apoiará a luta pela terra, principalmente na zona oeste da cidade, região em que há vários terrenos, que poderiam ser usados como pequenas unidades agrícolas produtivas, com custo mais barato para equilibrar os gastos com alimentos, atualmente caríssimos.

Sobre segurança pública, o pré-candidato se comprometeu a governar pelos direitos humanos e por uma segurança que “dê valor à vida”. Denunciou também o projeto de Eduardo Cunha que permite as emissoras a não serem obrigadas a chamar um partido que tenha menos de 10 parlamentares na bancada de deputados para o debate. Caso o projeto passe e as emissoras não chamarem Freixo para o debate, o pré-candidato convocou sua base eleitoral e militância para ir até às portas das emissoras que impedirem sua candidatura e comentar o debate a partir da rua e brincou dizendo: “É bom que nos chame”. Por fim, Freixo sintetizou como objetivo de seu governo realizar uma gestão que trate "com responsabilidade a questão pública”, em contraposição ao atual governo do PMDB.




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