Opinião

MARCELO FREIXO

Marcelo Freixo e sua vergonhosa “luta” por mais verbas para a polícia

Nessa semana, Freixo comemorou nas redes que garantiu duas emendas que ampliam os direitos para policiais.

quarta-feira 22 de janeiro| Edição do dia

2020 é ano de eleições para prefeitura do Rio de Janeiro, sendo o segundo ano com a figura de Bolsonaro na presidência um governo de extrema direita, racista, homofóbico e capacho do imperialismo norte-americano. Temos no Rio de Janeiro o governador Witzel, que no seu primeiro ano foi responsável por recorde de mortes de jovens negros e trabalhadores pela mão da polícia. A crise na segurança pública é uma crise social, econômica e política criada pelos capitalistas e empresários, que lançam a juventude negra e pobre na miséria. Mas essa crise que não foi criada pelos jovens e trabalhadores cai nossas costas com mais repressão por parte da polícia, desemprego e precarização do trabalho.

Esta crise é agravada com a política assassina de Witzel, que já deixou explícitas suas intenções ao dizer barbaridades como a de que “tem que mirar na cabecinha e atirar” daqueles que são considerados bandidos pela polícia, ou seja da juventude negra, dos pobres e moradores das comunidades. Foram 1810 mortos pela polícia no Rio de Janeiro durante o ano de 2019. Muitas delas eram crianças. Witzel, que agora disputa com Bolsonaro, é a expressão dessa ultra-direita, que criminaliza a pobreza e dá aval para essa política racista, tal como se faz no âmbito do governo federal. A responsabilidade dos crimes que tiram a vida de crianças, jovens e trabalhadores no Rio de Janeiro, como Evaldo Rosa, morto com mais de 80 tiros é do Estado.

Na segunda semana de dezembro de 2019 foi aprovado no Senado o pacote anti crime, que independente dos ajustes, ainda assim é uma aprovação de lei que aprofunda a repressão e o racismo estrutural. Marcelo Freixo do PSOL, cinicamente dando um sinal de que irá cada vez mais se adaptar para caber nas eleições da prefeitura no Rio de Janeiro, votou pelo pacote, sendo amplamente criticado por isso.

Com o argumento de que teria que tornar o “pacote menos pior” Marcelo Freixo, bem como outros nomes do PSOL e do PT, votou ao lado de partidos de direita e da extrema direita. Assim, o candidato do PSOL à prefeitura do Rio escancara sua política reformista e eleitoreira, com uma resposta à crise social e política por fora do enfrentamento com essa extrema direita que quer descarregar a crise nas costas dos trabalhadores.

Agora Freixo, sabendo que a juventude negra e pobre sofre cotidianamente o racismo estrutural por parte da polícia e que essa é a mesma polícia que o atual governador Witzel tanto exalta por cada morte cometida, segue propagando sua orientação de defender os direitos dos policiais. Já debatemos aqui que a polícia mesmo sendo assalariada, é uma instituição a serviço da propriedade privada e que na realidade dos trabalhadores e da juventude é um instrumento de repressão e violência.

Nessa semana, Freixo comemorou nas redes que garantiu duas emendas que ampliam os direitos para policiais. A primeira foi de que teria ajudado a ampliar R$ 1,5 milhão do orçamento para a polícia civil, sendo R$ 500mil para a inteligência. A segunda foi ter obtido o montante de R$ 2,8 milhões para o hospital da polícia militar. Enquanto isso, a classe trabalhadora do Rio de Janeiro vem vivendo situações duras como a crise na saúde, que faz com que trabalhadores morram na fila de espera por atendimento médico, enquanto se anunciam 5338 demissões de trabalhadores da Saúde da Família.

A tentativa incansável de Freixo em humanizar a polícia ignora a raiz do problema da segurança pública. Partir de uma lógica mais humana da polícia é fora da realidade e do papel de repressão que ela cumpre cotidianamente na vida dos moradores de favelas. Não se humaniza uma instituição que sua origem está ligada a propriedade privada e a cassação e mortes dos negros. A polícia é um braço armado do Estado capitalista, surgiu no período da escravidão e existe até hoje com seu DNA racista e assassino. Nos Estados Unidos que a polícia é desmilitarizada, mas a instituição policial segue cumprindo seu caráter de classe em defesa da propriedade privada e mortes aos negros. O assassinato sistemático dos negros pela polícia nos Estados Unidos seguiu ocorrendo e é inclusive no governo de Obama que surge o movimento Black Lives Matter, que colocou aos olhos de todo o mundo essa realidade sofrida pela juventude e os trabalhadores negros.

Essa tentativa não é exclusiva de Freixo, tendo sido parte do governo do PT, que ajudou a instaurar as UPPs no Rio de Janeiro. A própria ocupação do Haiti durante o governo Lula chefiada pelo general Augusto Heleno, que atualmente está à frente do GSI de Bolsonaro, foi um ensaio da repressão e morte que depois seria levada às comunidades do Rio de Janeiro.

No Brasil um país marcado pelos séculos de exploração da mão de obra escrava, que o fim da escravidão não garantiu aos trabalhadores negros uma vida plena e livre de opressão, ou qualquer garantia de direitos mínimos. É inadmissível que seja garantindo emenda ou projeto de lei que fomente ainda mais a repressão do Estado, que na realidade é ainda mais mortes da juventude negra e pobre, enquanto os trabalhadores da Saúde são demitidos, a juventude amarga elevação do desemprego e a falta de perspectiva que isso traz.

O problema da segurança pública é um problema da crise social e da imensa desigualdade no Brasil, em que os capitalistas só elevam suas riquezas, enquanto se retiram todos os direitos dos trabalhadores. O Rio de Janeiro é palco das expressões mais reacionárias e racistas por parte da extrema direita. Garantir emendas por dentro da institucionalidade burguesa para melhorar as condições de repressão da polícia que atua contra a população, não é dar uma saída ao problema da segurança pública.

A violência é produto da desigualdade que o capitalismo gera. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, com um punhado de ricos acumulando 164% que na Suécia. A isso se soma a precarização do trabalho, o aumento da informalidade, a retirada de direitos, que por sua vez levam à uma precarização completa da vida, com uma enorme parcela do povo trabalhador vivendo nas piores condições, sem saneamento básico e condições dignas. Essa é a verdadeira raiz da violência, e que deve ser combatida.

Para resolver essa situação absurda é preciso que haja uma saída anticapitalista, que vá à raiz social, política e econômica do problema. É preciso acabar com as isenções fiscais dadas aos capitalistas, como as máfias dos ônibus, que deixam de pagar uma verdadeira fortuna em impostos, para que haja dinheiro para garantir Saúde e Educação. É preciso deixar de pagar a dívida pública, que concede R$ 3 trilhões aos banqueiros e fundos especulativos para garantir Educação à juventude. É preciso retomar a imensa riqueza que é o pré-sal, fazendo com que ao invés de ir para os monopólios estrangeiros, e a Petrobras seja privatizada diante de nós, que possamos coloca-la a serviço dos interesses dos trabalhadores e do povo, para que assim se financie um plano de obras públicas, que leve condições dignas de vida para a população das comunidades pobres, e permita que se abram novos postos de trabalho. Temos que defender a legalização das drogas, que é uma política de genocídio nas favelas, entendendo que os grandes traficantes de drogas não estão dentro das favelas. Garantindo mais emprego e educação de qualidade, pelo fim dos auto de resistência e as operações policiais, que todo polícia seja julgado a júri popular.

Para isso é preciso garantir a unidade e organização dos trabalhadores. Isso é o que seria uma verdadeira saída pela esquerda.




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