Economia

SECRETÁRIO DA PREVIDÊNCIA

Marcelo Caetano e sua relação com grandes especuladores mundiais

Desde Agosto, Marcelo Caetano vem se reunindo inúmeras vezes com JP Morgan, GAP Asset Management, Santander, CNI e outros bancos e entidades patronais para melhor planejar a Reforma da Previdência visando seus interesses, em detrimento dos interesses dos trabalhadores.

sexta-feira 9 de dezembro de 2016| Edição do dia

Marcelo Abi-Ramia Caetano é o homem escolhido por Henrique Meirelles para presidir a secretaria da previdência. Tecnocrata de formação, o homem que vem ganhando o centro das atenções por comandar um dos pontos centrais para o ajuste fiscal coordenado pelo governo Temer, a reforma da previdência, vem se reunindo desde Agosto deste ano com inúmeros bancos, agências financeiras e entidades patronais para afinar os planos da reforma. É tudo público, nada secreto, e pode ser verificado aqui.

As reuniões “nada secretas” entre o secretário da previdência e JP Morgan, GAP Asset Management, Santander, CNI, Banco BBM, Bradesco, revelam os interesses reais por trás da tão famigerada reforma da previdência. O governo e o próprio Marcelo Caetano justificando a mudança do tempo de contribuição de todos os trabalhadores do país em base a um suposto “rombo” na previdência, como se fosse necessário fazer com que os trabalhadores trabalhassem mais (até morrer, literalmente, se formos pegar a expectativa média do brasileiro no nordeste que chega a 71 anos, sendo que a proposta é de 65 anos) para resolver os problemas da crise econômica no país. Obviamente, essas novas regras da previdência não se adequam aos militares e aos políticos. Atacar a previdência dos pracinhas seria desagradar um setor fundamental para a manutenção do status quo da sociedade… mas o que há por trás dessa medida não tem nada a ver com resolver um rombo ou qualquer coisa do tipo, e sim satisfazer os interesses de grandes grupos financeiros que lucram horrores com reformas como essas.

O grupo JP Morgan, que ficou mais conhecido durante o crash de 2008 em Wall Street, é a terceira maior empresa do mundo e líder em serviços financeiros. Eles fazem parte do rol de alguns poucos “donos do mundo”. Para além de participarem ativamente da política internacional, com o intuito de modificações constitucionais em países cuja legislação dificulta os planos neoliberais, o grupo possui um funcionário nada secundário no Brasil, o que seria ministro da fazenda de Aécio Neves em caso de vitória - Arminio Fraga.

Em 2013 vazou um documento da JP Morgan que dizia o seguinte sobre a situação política de alguns países europeus: “executivos fracos: administrações centrais fracas em relação aos poderes regionais; proteção constitucional dos direitos trabalhistas; sistemas de consenso que potenciam o clientelismo político; e os direitos a protestar contra as mudanças indesejadas do status quo político” - todos empecilhos para a aplicação dos planos de austeridade neoliberais desejados pela JP Morgan. A descrição se assemelha ao Brasil e indica algumas das razões pelas quais o PT foi retirado do poder, mesmo tendo trabalhado para esses mesmos especuladores durante anos.

Agora, representantes desses mesmos “donos do mundo” vem se reunindo com ninguém mais que o atual responsável por planejar e aplicar a reforma da previdência em nosso país. Foram vários encontros desde o impeachment, mas na semana retrasada, dia 30 de Novembro, Marcelo Caetano participou do painel sobre a previdência brasileira organizado pela JP Morgan e em seguida se reuniu com seus representantes, tudo isso regado a muito vinho e Champagne em um dos hotéis mais caros do país, o Grand Hyatt em São Paulo. Até agora não sabemos com precisão o conteúdo das conversas, mas coisa boa para o povo brasileiro não é. Quem sai ganhando é o capital especulativo e os grandes tubarões da gringa. A cada ano trabalhado a mais pelo brasileiro, o poderoso canudo do capital estrangeiro alarga alguns centímetros, e essa é a única matemática que explica o povo ter que trabalhar até morrer. Em síntese, para esses grupos financeiros continuarem lucrando, os trabalhadores de todo o mundo precisam trabalhar mais e mais.

Sobre a falsidade dos argumentos apresentados por Henrique Meirelles, o tecnocrata Marcelo Caetano, a Folha de S. Paulo, o Valor econômico, os analistas da Globo News e toda a patota do MBL e seus satélites reacionários, vale a pena ver a entrevista que soltamos no Esquerda Diário recentemente desmentindo a tese do “rombo” na previdência

Por fim, casos como esses, que poderiam ser investigados mais profundamente (obviamente o judiciário não possui interesse nisso, uma vez que está alinhado com os interesses por trás do golpe e de todos os ataques) desvelam a que serviu o golpe institucional na metade do ano e os sucessivos ataques que estamos sofrendo. Com tudo isso não é de se achar que o antigo governo do PT estaria do lado oposto de toda essa situação. Pelo contrário, a próprio reforma da previdência durante o governo Lula e os sucessivos cortes e ataques aos direitos sociais que Dilma estava implementando serviram como uma luva para os interesses desses mesmos tubarões que hoje estão do lado do Temer. Mas dessa vez querem aprofundar os ataques ainda mais e descarregar em nossas costas uma crise econômica que eles mesmos criaram. A questão agora é como combatê-los.

Fotos de protestos contra a JP Morgan:



"Dê descarga na JP Morgan, não nos contribuintes"




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