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Mapa das alianças pós golpe: PDT de Ciro, PCdoB de Manuela e PT apoiam os golpistas

Candidatos como Ciro Gomes do PDT, Manuela D'Ávila do PCdoB e mesmo Lula do PT buscam aparecer na eleição 2018 como alternativas à agenda de reformas e ataques aos trabalhadores do PMDB e de outros golpistas. No entanto, não é isso que apontam suas principais alianças firmadas nas últimas eleições, ocorridas logo após o golpe institucional.

quinta-feira 14 de junho| Edição do dia

Observar as principais alianças dos candidatos é importante para conhecer sobre suas concepções políticas, programáticas e ideológicas, e até que ponto dão mais importância à implementação do programa, ou às conveniências políticas de troca de favores e benefícios. Vejamos aqui o jogo de alianças de alguns dos candidatos que se propõe a aparecer como alternativa de enfrentamento à agenda neoliberal dos golpistas. Ciro Gomes do PDT, Manuela D’avila do PCdoB e Lula do PT.

Ciro Gomes e o PDT

Em campanha eleitoral Ciro Gomes do PDT busca se distanciar dos golpistas do PMDB, se diferenciando também do PSDB e de toda direita, buscando se alçar como uma alternativa que enfrenta a agenda neoliberal de ataques. Contudo, além de seu próprio programa ser limitado, por exemplo, defende uma Reforma da Previdência à seu modo, que apesar de diferente da proposta existente hoje, também ataca os pobres, também defende a "responsabilidade fiscal", mantendo no orçamento federal o bolsa banqueiro, entre outros limites. Além de um programa que não enfrenta até o fim os interesses do grande capital, esconde todo jogo espúrio de alianças políticas que faz seu partido.

Ciro costuma jogar com quem está ganhando, já foi aliado do governo Tucano, depois virou aliado do governo petista, e qualquer programa ou ideologia se dissolve nas conveniências da velha política por cargos, benefícios e troca de favores. Ao mesmo tempo em que enche a boca para chamar de criminosos Temer e as figuras do PMDB, adivinhem quem o PDT estava apoiando nas últimas eleições, logo após o golpe?

Nas últimas eleições (2016), mesmo estando claro toda a polarização política no contexto imediato do golpe institucional, e toda a agenda do PMDB para o país de ataques aos trabalhadores anunciada, observando o ranking das alianças partidárias nas eleições uma das maiores delas foi exatamente do PDT apoiando candidatos do PMDB por todo o país. A aliança entre PDT e PMDB aparece em 4º lugar, como uma das maiores do Brasil. Foram 592 candidatos do PMDB apoiados pelo PDT de Ciro, além da imensa lista de aliança com candidatos da bancada evangélica, defensores de Bolsonaro, agronegócio, e por aí vai. Ciro longe de convocar sua militância a ir para a rua contra as reformas e contra o golpe, convocava para fortalecer PSDB, PMDB e os golpistas em todo país, o saldo foi de um fortalecimento histórico daqueles que pouquíssimo tempo depois Ciro chama de "criminosos" em entrevistas.

Como é possível um programa que enfrente a agenda de ataque aos trabalhadores dos golpistas sendo um de seus maiores aliados?

Manuela D’avila e o PCdoB

Manuela D’avila do PCdoB é outra candidata que promete ser alternativa de oposição à agenda do PMDB, e defender os trabalhadores e oprimidos. Fala em enfrentar reformas impopulares como a Trabalhista, e a da Previdência. No entanto, no aniversário de seu partido, o golpista Rodrigo Maia, agente direto de toda articulação para fazer aprovar a Reforma Trabalhista foi convidado de honra. Não se trata aqui apenas de algum tipo de relação pessoal com Maia, ou com uma ou outra liderança que esteve na linha de frente dos ataques aos trabalhadores, mas de uma grande aliança nacional. Além de inúmeras alianças em todo o país com PMDB (mais de 500 coligações) e PSDB (mais de 400) em 2016, só com o DEM de Maia foram 78 alianças, tentando eleger 1060 candidatos. Além de uma série de alianças com outros bandos reacionários, evangélicos, machistas, racistas, defensores da ditadura militar, como o PRB, onde se coligou em Osasco.

Longe de convocar assembleias da CTB, importante Central Sindical dirigida pelo PCdoB de Manuela, e da UNE, entidade estudantil também dirigida pelo partido, com um plano de lutas efetivo contra o golpe e as políticas de ataques aos trabalhadores, Manuela e seu partido estavam apostando nas trocas de favores e benefícios com a direita. No carro de som de sindicatos falavam contra os golpistas, aparecendo como oposição, na eleição estavam convocando: votem no PSDB e no PMDB em todo país!

Onde mora toda a ideologia e programa do PCdoB? É na luta com os trabalhadores de forma independente dos patrões e da direita, ou no discurso vazio no carro de som, e por baixo na luta pelas conveniências políticas e cargos comprometidos com aqueles que querem atacar os trabalhadores?

Lula e o PT

Nas últimas eleições presidenciais Dilma e o PT tentavam se diferenciar da agenda neoliberal do tucano Aecio Neves. Em sua campanha, o PT tentava reeditar em discurso um projeto que tentava conciliar o inconciliável, Katia Abreu do agronegócio com os sem terra, que dava todo tipo de benefício aos bancos, e ao mesmo tempo concessões em políticas sociais aos mais pobres, e por aí adiante.

Assim que eleita, Dilma inicia um plano que parecia o programa do PSDB para o Brasil, de ajustes, reformas e ataques à classe trabalhadora. Anunciava ao imperialismo que tentaria implementar a Reforma da Previdência, fazia acordo com Serra para entrega do pré-sal a multinacionais, aprovava lei anti-terrorismo para criminalizar movimentos sociais. Dando mostras que não conseguiria aplicar até o fim do plano pretendido pelos grandes capitalistas, veio o golpe, porque com a crise os grandes capitalistas queriam ir por mais do que Dilma estava conseguindo.

Com Dilma derrubada do governo, contraditoriamente abriu-se uma chance para o PT de ser poupado de aparecer como o partido que implementou aquele plano tão antipopular de ataques, com isso, podendo aparecer como oposição às Reformas de Temer (ainda que tivesse um plano um pouco mais modesto, mas que também era de ataques), e tentando reeditar em discurso o projeto dos anos de Lula em que havia uma conjuntura internacional que permitia o crescimento econômico, e por isso, dava margem à equação de favorecer ao capital ao mesmo tempo em que dava algumas concessões aos trabalhadores. O fato é que, o próprio governo Dilma mostrou, na conjuntura de crise, esse discurso do PT não se sustenta na realidade.

Mas tendo sido derrubada a presidente pelos golpistas do PMDB, com apoio do PSDB, entre tantos outros, iria o PT, que antes havia escolhido Temer como seu candidato a vice, e que se aliava à direita em todo país, abandonar sua pretensa política de conciliação, se enfrentar com os interesses do capital com independência de classe, e combater os golpistas? De forma alguma.

Além de manter a CUT paralisada, sem nenhuma convocação séria à resistir ao golpe e aos ataques, com uma ou outra crítica, mas fazendo falas públicas de "confiança no judiciário", em plena conjuntora imediata após o impeachment, nas eleições municipais de 2016, qual foi o recorde de maior número de alianças entre partidos? Exatamente do PT apoiando candidatos do PMDB! No ano do golpe institucional não houve um partido que mais tenha apoiado outro que o PT apoiou os candidatos do PMDB.

O PT resolveu botar a militância para fortalecer o PMDB, com sua agenda de ataques, em todo país. Foram 648 coligações que o PT esteve para eleger candidatos do PMDB.

Não há alternativa para a esquerda que de fato sirva aos interesses dos trabalhadores, e que enfrente o capital, sem total independência de classe!

A ilusão de que é possível ao mesmo tempo estar aos dois lados, dos grandes capitalistas, e dos trabalhadores, não se sustenta. Não há possibilidade de qualquer enfrentamento com os interesses dominantes se aliando aos burgueses, pois eles cobrarão que se pague a conta por esses apoios. Hoje mais do que nunca é necessário um programa que enfrente de forma decidida os pilares da burguesia imperialista, como defender claramente o não pagamento da dívida pública, que corrói quase metade de todo o orçamento federal para as ganâncias do capital financeiro, roubando dos pobres para sustentar essa verdadeira bolsa banqueiro. É preciso revogar a Reforma Trabalhista, para isso, não há como se apoiar naqueles que a aplicam, mas sim, na força da luta dos trabalhadores, de forma independente. É preciso enfrentar o plano de estatizações que coloca todas empresas a serviço dos lucros dos grandes empresários e não do povo, como é o caso por que passa a Petrobrás, para isso é preciso levantar o programa de uma Petrobrás 100% estatal administrada pelos trabalhadores. Não é possível enfrentar a privatização se aliando aos privatistas, e não se apoiando na luta de classes.




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