Política

MULHERES NO PODER?

Manuela D’Ávila, pintando de feminismo o pacto que o PT busca com golpistas e capitalistas

Manuela D'Avila do PCdoB, apesar de se alçar como figura feminista, foi base dos governos do PT junto à direita e à bancada evangélica. Durante 13 anos estes governos optaram por alianças que abriram caminho à direita e ao golpe institucional em detrimento de avanços nos direitos das mulheres como a legalização do aborto. Manuela D'Ávila apoiou entusiasticamente esses governos e agora em campanha se coloca como porta voz "feminista" da tentativa de pacto de sua chapa com Haddad (PT) para governar novamente com golpistas e capitalistas inimigos das mulheres e da classe trabalhadora.

sábado 29 de setembro| Edição do dia

Foto: Givaldo Barbosa/Agência O Globo

Internacionalmente um fenômeno do movimento de mulheres se expressou nas grandes marchas contra o machista, racista e xenófobo Donald Trump nos EUA, e em movimentos como a maré verde pela legalização do aborto na Argentina e o Ni Una Menos, que neste e em outros países da América Latina foi às ruas contra os feminicídios e a violência machista. Também o 8 de março vem se transformando em um dia internacional de lutas das mulheres trabalhadoras com greves e fortes manifestações em diversos locais do mundo.

Com este contexto internacional as eleições brasileiras são fortemente marcadas pelo debate sobre a situação das mulheres, embora no Brasil este fenômeno não se expresse massivamente nas ruas. As mulheres figuraram como maioria entre eleitores indecisos e isso colocou com ainda mais força a demagogia de todos os candidatos sobre este tema. Nas redes sociais se expressa o rechaço concentrado das mulheres contra Bolsonaro e sua chapa militar, machista, racista, LGBTfóbica, defendendo absurdos como o fim do 13o salário ou escolher entre ter emprego e ter direitos. Isso tudo para escravizar a classe trabalhadora brasileira, submetendo principalmente as mulheres e os negros a uma exploração ainda mais brutal.

É preciso dizer, entretanto, que resumir o rechaço das mulheres contra Bolsonaro e a extrema direita em "#EleNão" serve para legitimar o pacto que Haddad e sua vice Manuela D’Ávila querem fazer com os golpistas e capitalistas que não apoiam Bolsonaro. Tal tentativa se evidencia nos acenos de Haddad ao MDB, ao chamado "centrão" e até ao PSDB, especialmente em sua sabatina na UOL. Querem repetir o histórico do PT de governar com a direita, agora em condições de crise econômica mais agudas do que nos momentos anteriores, o que impõe ataques ainda mais duros do que fez Dilma contra a classe trabalhadora, como a reforma da previdência que Haddad já prometeu fazer.

Veja mais: O PT quer transformar nosso ódio a Bolsonaro em pacto com os golpistas

Hoje Manuela diz que "#EleNão" e "HaddadSim", para enfrentar a extrema direita. Há pouco mais de dois meses atrás, quando ainda era pré-candidata à presidência, atendeu o chamado para "beijar a mão" do general Villas Bôas e ainda disse que teve uma "ótima conversa" com ele. Este mesmo general, em meio a essas eleições manipuladas pela Lava Jato e pelo judiciário, afirmou que após a facada contra Bolsonaro qualquer governo eleito terá sua legitimidade questionada. Isso no marco de uma enorme politização das Forças Armadas, que Manuela D’Ávila não questiona e ainda compactua quando diz ter tido uma "ótima conversa", de maneira acritica e alegre, com Villas Bôas. Quer convencer as mulheres de que enfrentar a extrema direita é apoiar a aliança com os golpistas que busca fazer junto a Haddad com sua candidatura. Porém ao dialogar com o general Villas Bôas ela mesma se aproxima de um porta voz do que há mais de mais reacionário, intervencionista, e também de extrema direita no regime, legitimando a ingerência das Forças Armadas na política.


Manuela após "ótima conversa" com o general Villas Bôas.

Nos 13 anos de governo do PT, com o apoio de Manuela D’Ávila e do PCdoB, as mulheres seguiram tendo seu direito ao aborto legal, seguro e gratuito negado. Milhares morreram por abortos clandestinos. Governaram em aliança com a direita e os conservadores, mantendo acordo com o Vaticano, abrindo caminho ao golpe institucional e ao avanço da extrema-direita. O PCdoB ainda controla a CTB, uma das maiores centrais sindicais do país, que foi parte da trégua ao governo golpista que permitiu que fosse aprovada sem luta a reforma trabalhista, com destaque à traição da greve geral do dia 30 de junho de 2017, às vésperas da votação da reforma. A CTB junto à CUT também deixaram passar sem luta a PEC do teto de gastos, a terceirização irrestrita o golpe institucional, que ocorreu para aprofundar e acelerar os ataques que o PT já vinha fazendo, assim como também sua continuidade na prisão e no veto à candidatura de Lula.

Para afirmar seu compromisso com a burocracia sindical, Manuela D’Ávila também deu as mãos com o burocrata e golpista Paulinho da Força, da mafiosa Força Sindical. Ela participou de um palanque do 1o de Maio com burocratas golpistas como ele, que junto à CTB foram linha de frente de negociar os direitos da classe trabalhadora com Temer. A força dessa aliança para trair a classe trabalhadora se expressou principalmente na greve geral do dia 30 de junho de 2017, às vésperas da votação da reforma trabalhista, boicotada tanto pela Força Sindical quanto pela CTB. As mulheres, jovens e trabalhadoras que hoje se ativam politicamente para combater Bolsonaro não podem se iludir com quem quer canalizar nosso ódio contra a extrema-direita e o golpe em apoio a um pacto com os mesmo golpistas que impuseram e deixaram passar sem luta a reforma trabalhista, a terceirização irrestrita e a PEC do teto de gastos, que atacam principalmente as mulheres.


Manuela de mãos dadas com o burocrata mafioso Paulinho da Força

Manuela está com Haddad e seus acenos ao mercado financeiro, suas promessas de responsabilidade fiscal que significam seguir pagando a ilegal e fraudulenta dívida pública, que consome mais de R$ 1 trilhão em dinheiro público todos os anos. Com o #EleNão querem transformar a raiva das mulheres contra essa extrema-direita que nos odeia em apoio político a um governo que, se eleito, será também nosso inimigo, e terá apoio de setores da direita e do golpe não menos escravistas, machistas, LGTBfóbicos e conservadores do que Bolsonaro.

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Manuela D’Ávila iniciou sua militância na juventude do PCdoB, a UJS, muito conhecida no movimento estudantil por dirigir a UNE de maneira totalmente burocrática e tornar a entidade uma verdadeira máfia das carteirinhas. Além da UNE a UJS dirige diversas entidades como grêmios estudantis e DCEs pelo Brasil todo. Nessas entidades a UJS também funciona como um entrave à luta dos estudantes, negociando com as reitorias e governos e deixando passar duros ataques, construindo a desmoralização. Na Unicamp a UJS, juventude de Manuela D’Ávila, chegou a montar chapa com um grupo que contava com alguns membros do Movimento Brasil Livre! É a extensão ao movimento estudantil de todas as alianças de direita que firma a nível nacional, regional e sindical.

O partido de Manuela D’Ávila tem ainda em seu histórico de alianças dezenas de coligações com partidos golpistas e de direita, como PMDB de Temer, Sartori, Cunha e outros inimigos dos trabalhadores e do povo, o PSDB de Alckmin, Aécio Neves, João Dória, etc, além do PSC ex-partido de Bolsonaro e também o PSL, atual partido de Bolsonaro. Isso mostra como o PCdoB não tem nenhum critério de classe ou mesmo de campo político em suas alianças.

Nessas eleições, para o governo de Santa Catarina, o PCdoB está em uma coligação esdrúxula com PSD, PRB, PDT, PSB, PSC, PV, PHS, PP, DEM, PRP, PPL, Podemos, Solidariedade e Pros. Seu candidato a governador, Gelson Merísio (PSD), declarou apoio a ninguém menos que Jair Bolsonaro. Eleitoreiro e oportunista como é, o PCdoB "divergiu" do posicionamento do governador, entretanto, não rompeu a aliança para garantir seus cargos e ainda afirmou que o candidato bolsonarista tem "as melhores condições de liderar o programa de trabalho que Santa Catarina precisa". O PCdoB não teme em compor candidaturas da direita, como evidencia esse caso. Essas alianças, assim como a busca por canalizar o ódio das mulheres contra Bolsonaro em apoio político para a tentativa de pacto com golpistas e capitalistas levada à frente pela candidatura de Haddad, mostram que o partido de Manuela D’Ávila é "comunista" somente no nome e passa longe de qualquer noção de independência política em relação à burguesia

As mulheres, negros, LGBTs, jovens e trabalhadores que querem combater Bolsonaro e a extrema direita não podem se iludir que um voto em Haddad e Manuela seja parte desse combate. É necessário se organizar em cada local de trabalho e estudo e erguer no Brasil uma alternativa política revolucionária, que supere o PT pela esquerda, para enfrentar a extrema direita na luta de classes com a perspectiva de um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

Como medida de emergência chamamos todas e todos que querem combater a extrema direita e o golpismo a exigir dos sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis que lutemos por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, onde possamos defender propostas para atender as demandas da classe trabalhadora e do povo pobre, como o não pagamento da de dívida pública, o direito ao aborto legal, seguro e gratuito, uma petrobrás 100% estatal sob controle dos trabalhadores, para que os capitalistas paguem pela crise.




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