NOVO REMÉDIO ENTRA EM FASE DE TESTES CLÍNICOS

Mantendo segredo, governo anuncia possível medicamento para COVID-19

Ministro Marcos Pontes anuncia experimentos de medicamento com 94% de eficácia in vitro contra COVID-19, mas mantém sigilo sobre pesquisas. Não podemos admitir que o governo negacionista que nos manda à morte controle as pesquisas sobre uma possível cura para a pandemia.

Fernando Pardal

@fepardal

sábado 18 de abril| Edição do dia

Marcos Pontes, ministro do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, anunciou ontem em uma coletiva de imprensa que cientistas do Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP), fizeram testes com um medicamento que apresentou 94% de eficácia após 48 horas em testes in vitro contra o coronavírus. O teste in vitro é uma primeira etapa da pesquisa, em que os efeitos anti-virais da substância são testados em laboratório, e não no corpo humano. Agora, a próxima etapa é o teste clínico a ser realizado voluntariamente por pacientes contaminados pelo Coronavírus.

Os cientistas do Cnpem fizeram pré-testes de 2.000 medicamentos a partir de um computador com inteligência artificial com o objetivo de verificar como se daria a interação destas substâncias com enzimas que fazem a replicação do vírus. Destes, seis seguiram para o teste in vitro. Um deles se mostrou especialmente promissor e agora vai para testes clínicos com pacientes infectados.

O fato de que o ministro não tenha revelado o nome do medicamento é já uma demonstração de como esse governo segue usando seu poder para brincar com nossas vidas (ainda que, pelas "pistas" que Marcos Pontes deu, se tenha deduzido que se trata do vermífugo Nitazoxanida). O estudo, como acontece com qualquer estudo científico, deverá ter seus resultados publicados. Em primeiro lugar, é fundamental que esses resultados não sejam acessíveis apenas em revistas especializadas pagas, às quais apenas um setor restrito tem acesso. Todos devemos poder saber o nome das substâncias, o andamento dos testes e a metologia utilizada.

E, ainda mais importante, é que sejam os trabalhadores e os cientistas que tenham controle sobre os estudos. Não podemos permitir, por um lado, que seja o governo negacionista de Bolsonaro, o mesmo que organiza carreatas da morte, corta direitos e empregos em meio à pandemia e diz que a COVID-19 é uma “gripezinha”, quem tenha o controle sobre qualquer estudo científico do qual dependem dezenas de milhares de vidas.

Por outro lado, não podemos ser ingênuos ao lidar com uma substância que deverá ter imensos interesses econômicos por trás. No capitalismo, tudo vira mercadoria, e a cura para a COVID-19 poderá valer bilhões nas mãos da indústria farmacêutica. Por esse motivo é ainda mais fundamental que sejam os trabalhadores a ter nas suas mãos o andamento das pesquisas, e que o medicamento em questão, caso seja comprovada sua eficácia, tenha sua patente quebrada – caso ela ainda esteja em vigor – para que possa ser produzido e distribuído massivamente a preço de custo; inclusive, pode ser devido à própria patente que o nome da substância da substância nos testes esteja sendo ocultada, para preservar os interesses econômicos dos laboratórios detentores de seus direitos. Isso é um absurdo com o qual precisamos acabar, afinal, nossas vidas valem mais do que o lucro dos acionistas de laboratórios, e dessa substância pode depender o destino de milhões.




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