DITADURA MILITAR

Manipulando a História, general afirma que "Há preconceito na análise do período militar"

General Pujol, futuro comandante do Exército no país, deixa claro que os militares tentarão reinventar a história dos anos de chumbo que significou morte, desaparecimento e tortura a milhares de trabalhadores, intelectuais e artistas. "Militares com partido" e suas falsificações da história.

segunda-feira 26 de novembro| Edição do dia

O General Puiol, futuro comandante do Exército, afirmou em entrevista à Folha de São Paulo, que "há preconceito na análise do período militar no Brasil". Essa afirmação carrega uma ideologia pregada nos quartéis, desde o fim do regime militar, ganhando agora contornos externos aos muros dos batalhões, na tentativa de recontar a história do Brasil e impor à sociedade as falsificações históricas de farda.

Não é de hoje que o golpe de 1964 é tratado como a "revolução de 1964" pelos militares no Brasil. Todos que passam por essa instituição recebem esse tipo de formação política, teórica e histórica. Mesmo com as fartas provas de tortura, assassinatos e perseguição a opositores de todo tipo durante os governos militares, esse período ainda é saudado e reivindicado pelos coturnos do Exército e das polícias brasileiras. Esse é o preço que a sociedade paga por ter feito uma transição pactuada para saída da ditadura militar e entrada em uma limitada democracia, selada com a constituinte de 1988.

Os assassinos e torturadores ficaram livres, leves e soltos para disseminar suas mentiras e continuar no comando das Forças Armadas, montando seu enredo sobre a período da ditadura, alimentando dentro das instituições militares, o golpismo que governou o Brasil por mais de 20 anos. O papel do PT nesse momento foi fundamentalmente garantidor dessa transição pactuada e permitir livremente a não punição desses torturadores psicopatas que fizeram horrores durante os anos de chumbo.

Hoje, os trabalhadores pagam o preço histórico por essa conciliação desenhada pelo reformismo brasileiro com os militares. Depois de 30 anos pregando suas mentiras dentro dos quartéis, agora com a eleição de Bolsonaro em meio a uma crise política e econômica que o país passa, os milicos abrem as asas e querem generalizar suas mentiras para toda a sociedade. Uma forma de fazer isso é atacar profundamente os professores e impor essa visão nas salas de aula do Brasil, com o degenerado projeto da "escola sem partido". Querem impor o pensamento único nas escolas, para que a visão mentirosa fomentada nos quartéis durante o período democrático, se generalize para todo o país.

Essa ofensiva ideológica da extrema-direita se dá em um período de profunda crise institucional onde o pacto estabelecido em 1988 começa a se decompor, com uma profunda crise econômica que o país passa, com o Judiciário atuando de forma política e autoritária, manipulando as eleições presidenciais, criminalizando arbitrariamente o PT e prendendo Lula, tudo isso para garantir que a direita assuma o poder, depois da operação Lava Jato e a conseqüente eleição de Bolsonaro, deputado que é fruto desse pacto com os militares, onde passou a vida toda reivindicando torturadores como heróis, visto a propaganda que Bolsonaro fez a vida toda para Brilhante Ustra. Agora em meio à toda essa instabilidade, esse sujeito é eleito presidente com uma campanha baseada em notícias falsas e promessas genéricas, colocando todo esse arsenal ideológico dos quartéis para fora dos muros dos batalhões.

Querem criar um novo enredo para que a população concorde com seus métodos, para amenizar a tortura e para que a perseguição à esquerda e aos movimentos sociais seja novamente colocada na ordem do dia, e para justificar o aumento da repressão policial como justificativa para combater o crime e quem mais for considerado perigoso ou terrorista. Tudo isso tem como pano de fundo a reestruturação do regime, mais à direita, para que possam implementar todos os ataques que quiserem e assim arrancar profundamente os direitos dos trabalhadores nesse momento de crise. Então o judiciário começa a atuar como árbitro supremo da política nacional, apoiados pelas cúpulas militares, degradando o regime de 1988, objetivando massacrar a resistência contra as reformas impopulares que arrancam o pouco que o trabalhador brasileiro tem de direitos sociais.

Será preciso muita mobilização para derrotar esse projeto autoritário que está em curso no país. Derrotar o Escola sem Partido e a reforma da previdência serão as tarefas fundamentais, política e ideológica, de cada trabalhador consciente desse país. Levantar grandes manifestações e greves gerais para impor a força dos trabalhadores contra o autoritarismo militar e judicial.

A CUT e a CTB precisam romper com sua paralisia e estratégia eleitoral e então colocar de pé um plano concreto que culmine em greve geral e assim impor uma derrota a esse projeto autoritário que governa hoje. Só a mobilização pode frear a extrema-direita e impor uma nova constituinte que atenda às necessidades dos trabalhadores e todo povo pobre.




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