Juventude

Manifesto por um CAELL ativo, político e combativo

As eleições para o Caell (Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários) coloca aos estudantes de Letras da USP o questionamento: qual o papel das entidades estudantis? O que queremos para nosso centro acadêmico?

quinta-feira 17 de novembro| Edição do dia

O Caell é a ferramenta de organização dos estudantes da Letras, e deve fomentar os debates acadêmicos, culturais e políticos no nosso curso, fortalecendo os métodos de democracia direta testados historicamente pelos trabalhadores e estudantes, pois são espaços que permitem a todos se expressarem politicamente. A entidade deve servir de apoio à organização de cada estudante para que ele possa ser parte da luta por todas as demandas do curso, que não são só nossas, são um reflexo do mundo grande lá fora.

As salas lotadas do nosso curso e a falta de professores e funcionários não serão solucionadas sem que haja uma luta cotidiana contra a precarização da universidade que vem sendo aplicada pela reitoria e governo estadual. São parte do mesmo projeto que político que aprova um ataque da magnitude da PEC 55/241, que vem pra congelar por vinte anos os investimentos na educação, e a Reforma do Ensino Médio, que significa mais precarização no trabalho para professores (que seremos grande parte de nós) e do ensino dado aos alunos.

Construímos ao longo de toda gestão um CA que tinha como perspectiva
ser uma entidade estudantil militante, e que pudesse junto com conjunto dos estudantes ligar o fato de como nossas demandas não estão dissociadas das lutas em curso no país. Na contra corrente do individualismo, marca da nossa época e geração, buscamos batalhar coletivamente para romper com esta perspectiva e desde aí apontamos a necessidade da solidariedade com os trabalhadores de dentro e fora da universidade. Também buscamos nos aliar com os secundaristas que ocuparam mais de mil escolas ao redor do país, por sabemos que como a ampla maioria desses jovens, vão ser barrados pelo filtro social do vestibular e não teram acesso ao ensino superior público. Nosso anseio por defender a educação pública, gratuita e de qualidade é porque queremos que todos tenham acesso a ela e que o conhecimento produzido na aqui atenda as demandas mais sentidas pelo conjunto da população, queremos que esse conhecimento esteja disponíveis aos filhos da classe trabalhadora.

É preciso, e é possível que desde a Letras tenhamos a perspectiva de um centro acadêmico que busque ser uma ferramenta para nossa organização como parte na luta por acesso, condições dignas de estudo e trabalho, por acesso à cidade, à cultura, à arte, ao livre pensamento a toda a juventude. É urgente resistir aos ataques e à retirada de direitos, e combater sempre toda e qualquer forma de opressão, com mulheres, negros, indígenas e LGBTs na linha de frente da luta por uma universidade democrática e acessível.

Queremos ultrapassar os muros da USP, nos unificar com aqueles que lutam, com a juventude que resiste e com os trabalhadores que mantém de pé a universidade. O Caell precisa continuar sendo uma entidade estudantil a serviço de organizar a nossa resistência, com luta e poesia, defendendo a universidade dos ataques da reitoria sem nunca abaixar a cabeça para os golpistas. Existem grupos políticos que prometem como campanha eleitoral café e xerox, como se isso estivesse totalmente por fora da realidade que o país vive hoje. Em nossa visão, mesmo as questões mais elementares no funcionamento da universidade estão sendo arrancados de nós com tantos ataques. Sem um plano de lutas não é possível "gerir" uma entidade, as entidades estão aí para lutar e garantir todas as nossas demandas.

Por isso, precisamos de um Caell que siga ativo, político e combativo. Que resista aos ataques da Reitoria e dos golpistas, e para isso não podemos voltar a conciliação petista, que durante treze anos geriu o país e suas entidades por meio de acordões com a direita. Queremos um Caell que acredite nos estudantes e na sua aliança com os trabalhadores para defender a educação. Sem depositar qualquer esperança na burocracia, na Lava-Jato, e na política conciliadora e traidora do PT.

A USP não é maior que o mundo
É muito menor
O mundo é grande.
Precisamos de todos!

Vote e apoie a chapa Mundo Grande para o Caell 2017!

Para seguir em luta no Mundo Grande:
Jéssica Antunes, Flávia Toledo, Cristina Rose, Lara Zaramella, Rafael Barros, Odete Cristina, Aline Toffoli, Vanessa Dias, André Arruda, Giovanna Milhã, Bianca Coelho, Gabriela Farrabras, Gabriela Novais, Yuri Marcolino, Juca Lima, Bárbara Molnar, Mariana Duarte, Wesley Ericles, Stephanie Oliveira, Beatriz Pinho, Keyth Costa, Victoria Santello, Lucas Lima




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