Juventude

JUVENTUDE

Manifesto da Faísca - Juventude Anticapitalista e Revolucionária

Publicamos a seguir o manifesto nacional da Faísca - Juventude anticapitalista e revolucionária: Aliança revolucionária é da juventude com a classe operária!

sexta-feira 12 de maio| Edição do dia

Introdução

No Brasil e no mundo a juventude é um fator importante em meio à grande crise capitalista e os intensos fenômenos políticos. Nos Estados Unidos a juventude negra e as mulheres tomaram as ruas contra Trump. A juventude francesa mostrou sua radicalidade em atos massivos contra a Reforma Trabalhista de Hollande no ano passado, hoje enfrenta a repressão do Estado e não vai encontrar em Macron, como não iria em Le Pen, qualquer alternativa. São milhares de jovens sem medo que saíram às ruas também na América Latina, em defesa da vida das mulheres e contra o retrocesso que as direitas mais conservadoras querem impor aos trabalhadores e oprimidos. No Brasil a juventude que saiu às ruas em junho de 2013 e que no ano passado ocupou escolas e universidades também esteve ao lado dos trabalhadores em todo o país no dia 28 de abril de 2017, na maior paralisação nacional das últimas décadas. Se o ano de 2016 foi marcado pelo golpe institucional da direita, a greve geral de um dia, com a entrada em cena da classe trabalhadora, mostrou a potencialidade que temos para virar o jogo, derrubar todas as reformas e o governo ilegítimo de Temer. Podemos tomar nas mãos nossa luta e o futuro!

Nossa juventude FAÍSCA é formada por militantes do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) e militantes independentes. Lançada em meio ao golpe institucional no país, com mais de 400 estudantes, secundaristas que acabavam de derrotar o governo Alckmin, universitários e jovens trabalhadores, nos unificamos em um grito de repúdio à direita misógina, racista e LGBTfóbica, que é representante dos banqueiros e latifundiários. Também repudiamos uma importante aliada dessa direita, a Operação Lava-Jato, que é uma medida do Judiciário para arbitrar a situação política e auxiliar na imposição de ajustes ainda mais duros do que os que o PT vinha aplicando contra a classe trabalhadora em seu governo. Desde o nosso surgimento nos posicionamos de forma independente do PT, que não somente abriu espaço para esta direita golpista, quando governou e assimilou o papel de mantenedor da ordem exploradora e opressora do sistema político, mas também, e justamente por isso, porque vemos que não será o PT que organizará uma séria resistência dos trabalhadores e jovens contra os ataques dos golpistas, como já mostra sua atuação para a construção de um novo pacto no Congresso e sua campanha para as eleições de 2018. Com nossa mobilização assustamos os políticos corruptos e os grandes empresários, por isso não queremos que transformem nossa potencialidade em pressão parlamentar para formar um novo governo dos capitalistas que seguirá nos atacando.

Desde o lançamento da Faísca nós fomos linha de frente do enfrentamento a esta direita, e exigimos que as entidades estudantis nacionais, a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, dirigidas pela UJS (PCdoB) e aliadas do PT, organizassem a luta pela base em cada escola e universidade. E ao combatermos essas burocracias, polemizamos também com setores petistas que dizem ter uma “posição crítica” ao PT, mas defendem a mesma política deste partido, como é o Levante Popular da Juventude. Ao mesmo tempo, combatemos as posições golpistas na própria esquerda, como o PSTU que apoiou o golpe institucional, e o Juntos (MES/Psol, de Luciana Genro) que segue defendendo a Lava Jato, Sérgio Moro e acredita que o mesmo Judiciário que condenou arbitrariamente Rafael Braga à prisão por mais de 11 anos possa ser progressista.

Nós da Faísca construímos o portal Esquerda Diário como uma ferramenta a ser tomada para expressar nossa voz e difundir nossas ideias. Foi pelo Esquerda Diário que expressamos a voz da juventude nas muitas greves nas universidades, ocupações secundaristas de vários estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul. Lutamos pelos direitos da juventude trabalhadora nas portas das fábricas, nos telemarketings, nos fast-foods e demais locais de trabalho. Gritamos “nem uma menos” junto ao Grupo de Mulheres Pão e Rosas que atua no Brasil e em diversos países da América Latina, vibramos com o movimento “Black Lives Matter” e vimos em seu enfrentamento com a polícia racista o mesmo ódio que temos pela polícia do Estado que assassinou Maria Eduarda dentro da escola. Lutamos por candidaturas anticapitalistas para mostrar que uma política da classe trabalhadora é possível.

Hoje vemos que é preciso fortalecer em todo o país o projeto de uma juventude anticapitalista, revolucionária e que esteja ao lado dos trabalhadores. Esse é o desafio que nós militantes da Faísca convidamos todos os jovens que atuam conosco nas escolas, universidades e locais de trabalho a tomarmos juntos.

Programa para transformar nossa luta cotidiana em enfrentamento ao capitalismo!

Nossa juventude não se propõe somente a resistir aos ataques e lutar por algumas melhorias dentro dessa sociedade capitalista, tampouco lutamos meramente por reformas. Neste sistema, baseado na acumulação do lucro e dividido em classes, a grande maioria trabalha, alguns poucos enriquecem e nós jovens vemos aumentar a ameaça do desemprego com a crise. As nossas necessidades mais elementares são completamente desligadas da realidade de avanços tecnológicos, em um sistema completamente irracional onde tudo o que é produzido – pela classe trabalhadora – não é destinado a suprir as necessidades humanas, mas se transforma em mercadorias restritas aos que podem pagar. É por isso que mesmo com tanta riqueza, com tanta produção de alimentos, a fome e a miséria no mundo inteiro continuam atingindo a vida de milhões de pessoas.

Os governos pós-neoliberais na América Latina, como os de Hugo Chávez na Venezuela, Lula e Dilma no Brasil, Cristina Kirchner na Argentina, por exemplo, que prometiam inclusão, mais direitos sociais e até chegaram a falar de “socialismo”, mostraram que o que mais conseguiram fazer foi abrir espaço para a direita, pois nunca se propuseram a ser revolucionários em seus países, nós entendemos que a única maneira de enfrentar o atraso imposto pelas burguesias nacionais submetidas ao imperialismo norte-americano é o rompimento frontal com o capitalismo. Assumiram métodos da corrupção, incorporaram os setores da direita em seus próprios governos e desmoralizaram a luta dos trabalhadores com seu controle dos sindicatos, além de assumirem uma tática populista de conciliação de classes.

É por isso que um programa para uma juventude anticapitalista e revolucionária deve atacar a propriedade privada. Defendemos o não pagamento da dívida pública em todo o país e nos Estados, que pela via da Lei de Responsabilidade Fiscal querem descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores e da juventude. A dívida é um mecanismo que na prática transfere dinheiro do Estado às multinacionais e bancos, por isso defendemos que não deve ser paga e que esse dinheiro seja revertido para garantir qualidade à educação, saúde e moradia públicas. Defendemos que além de garantir investimento às escolas e universidades públicas, toda a rede de ensino privada seja estatizada e o controle das universidades seja próprio dos estudantes, funcionários e professores para tirar das mãos dos grandes empresários da educação esse nosso direito, para garantir o acesso a toda a juventude e garantir a democratização do ensino. Queremos que exista um sistema único de saúde 100% estatal controlado por trabalhadores da saúde e pelos usuários, para que a população deixe de morrer nas filas dos hospitais. Contra os despejos e as milhares de famílias nas ruas, defendemos que haja um imediato plano de obras públicas também sob controle operário e popular, para resolver o problema da moradia em nosso país, que atinge em especial a população negra. Também lutamos pelo passe livre para estudantes, desempregados e aposentados, estatizando todo o sistema de transporte, colocando os trabalhadores e a população que usa para decidir sobre os problemas e demandas. Defendemos impostos progressivos sobre as grandes fortunas, invertendo a lógica atual dos governos que isentam os empresários de impostos, para que com esse dinheiro, por exemplo, sejam construídas emergencialmente creches 24 horas para atender toda a demanda das jovens mães e mães trabalhadoras.

Além disso, o capitalismo é uma sociedade de exploração e opressão que, para lucrar sobre o trabalho precário do povo negro, perpetua a ideologia racista, o padrão de beleza europeu, a violência policial e a miséria nos bairros pobres. O capitalismo mantém a ideologia machista, que quer impedir nossa livre sexualidade, impede a livre construção de nosso gênero, marginaliza as travestis e pessoas transexuais, prega a individualidade, mas nos quer todos iguais para que caibamos em suas caixinhas. O capitalismo busca inclusive utilizar a nossa luta contra todas as formas de opressão e transformar em um nicho de mercado, literalmente vendendo a ideia de que certas empresas estão ao nosso lado na luta contra a violência machista, LGBTfóbica e racista, quando na verdade são parte de reproduzir essa ordem que nos oprime e explora. Por isso lutamos contra toda a forma de opressão e exigimos o direito ao aborto legal, seguro e gratuito, para que mais nenhuma mulher seja mutilada ou morta por abortos clandestinos. No país que está no topo do ranking mundial pelo assassinato de pessoas por LGBTfobia e onde os casos de feminicídios chocaram o mundo, nós lutamos por um plano emergencial contra a violência às mulheres e LGBTs, que garanta subsídios e todas as condições de moradia e saúde. Lutamos em defesa de todos os direitos LGBT, pela livre identidade de gênero e garantia de emprego. Lutamos pela igualdade salarial entre negros e brancos e contra toda a forma de violência policial. Defendemos o fim de todas as polícias, pois estas servem à repressão do Estado contra os oprimidos e contra a organização dos trabalhadores e jovens. Exigimos cotas raciais já nas universidades, como um passo dentro da luta antirracista e para fortalecer nossa luta pelo fim do vestibular. Queremos ser uma juventude que lute dentro das universidades para que o conhecimento seja apropriado e produzido a serviço de responder às necessidades dos trabalhadores e de toda a população, e não para os capitalistas aumentarem seus lucros como é hoje. Para isso atuamos na universidade e queremos promover permanentes debates ideológicos e teóricos, junto a setores da intelectualidade que tenham posições progressistas.

Tudo isso porque sabemos que o capitalismo busca nos dividir e muitas vezes se apropriar de nossas demandas para tentar abafar a nossa luta. Nossa estratégia é de combate ao capitalismo, ele é nosso inimigo. E é também por isso que discordamos dos setores do feminismo ou do movimento negro que consideram que a luta dos setores oprimidos está desconectada da ruptura radical com o capitalismo, que se restringe a reivindicar ações afirmativas por dentro deste Estado ou buscar a auto-libertação individual. Essas teorias, de uma maneira e de outra, ao não se enfrentarem com o capitalismo se tornam inofensivas para nossos inimigos. Nós queremos ser linha de frente da luta contra toda forma de opressão enfrentando nossos verdadeiros inimigos: os capitalistas. Nesta batalha estaremos juntos homens, mulheres, negros, brancos, LGBTs, combatendo toda forma de opressão dentro da nossa trincheira, mas nos unindo para transformar a sociedade radicalmente, como a única forma de abrir o caminho para nossa verdadeira emancipação.

E os capitalistas também querem descarregar a crise sobre as nossas costas, com desemprego e com trabalho precário que atingem em cheio a juventude, que sofre para conseguir um primeiro emprego porque não tem experiência, e depois sofre com o desemprego porque as empresas demitem. A juventude trabalhadora tem seu direito ao futuro arrancado, e é por isso que queremos organizar a Faísca nas fábricas e locais de trabalho para lutar pelo fim das demissões, pela efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público ou processo seletivo. Para acabar com o desemprego, que tem na juventude sua principal vítima, propomos a divisão das horas de trabalho entre todos os que puderem trabalhar, sem redução de salário, e com o salário mínimo calculado pelo DIEESE (órgão que faz um cálculo do salário mínimo baseado nas necessidades de um grupo familiar, que chega a ser mais do que quatro vezes o valor estipulado pelo governo).

E queremos também nosso direito ao lazer, a exercer e decidir livremente cultura e arte, combatendo a lógica do lucro e a repressão dos governos. Por uma arte e cultura autônomas, livres e com financiamento garantido pelo Estado. Queremos o direito pleno a nossa consciência e denunciamos a falsa guerra às drogas dos governos, que na verdade é uma verdadeira guerra à juventude negra e indígena. Por isso defendemos a legalização de todas as drogas.

Comitês nas escolas e universidades, junto aos trabalhadores, para tomarmos nas mãos nossa luta!

O 28A mostrou que a etapa aberta pelas Jornadas de Junho de 2013 não se fechou e que agora se fortalece com a entrada em cena da classe trabalhadora organizada. De norte a sul do país muitos setores paralisaram: transportes, fábricas, escolas, bancos. O prejuízo de bilhões nos lucros dos capitalistas devido à produção parada mostrou que os métodos de luta dos trabalhadores podem se impor contra os ataques e a crise. E a mídia golpista ainda teve a cara de pau de tentar diminuir esse dia histórico de greve geral.

Em momentos como o do 28A fica escancarado o papel das direções sindicais: são burocráticas e não constroem na base com os trabalhadores a luta. São contra a construção de espaços democráticos e massivos, auto-organizados pelos trabalhadores e todos os lutadores, porque com isso sabem que o seu controle burocrático sobre os rumos das lutas fica profundamente ameaçado.

A luta para que sejam anulados a Reforma do Ensino Médio, o Projeto de Lei que ampliou a terceirização e que impeça a aprovação das Reformas da Previdência e Trabalhista deve ser construída por centenas de milhares para vencermos. É urgente a realização de assembleias e a conformação de comitês como espaços para organizarmos os próximos passos da nossa luta. Por isso nós da Faísca queremos contribuir ativamente com a construção de comitês em cada escola, universidade, local de trabalho e nos bairros populares, para que reúnam não só as direções dos sindicatos e das organizações de esquerda, mas, sim e principalmente, centenas de jovens e trabalhadores, para que nós sejamos sujeitos de decidir os rumos do nosso movimento e possamos torná-lo ainda maior.

A Força Sindical quer negociar com os golpistas e patrões uma “reforma civilizada” e a garantia da manutenção do imposto sindical para abandonarem a luta, e a CUT e a CTB querem transformar nossa luta em “pressão parlamentar” como parte da sua campanha eleitoral por Lula em 2018, porque não querem romper com o Congresso Nacional e os golpistas. A direção majoritária da UNE mostra que tem estes mesmos objetivos. Por isso como programa imediato defendemos que os comitês são as nossas ferramentas para que possamos enfrentar essas posições adaptadas e colocar um sentido de enfrentamento com os capitalistas na nossa luta. E como próximos passos temos que exigir que o dia anunciado pelas centrais para uma ocupação de Brasília possa contar com a participação massiva de centenas de milhares de jovens e trabalhadores, numa grande demonstração de forças dentro do coração político do país. Para isso as centrais devem garantir milhares de ônibus, em todas as cidades, garantir que a mesma força do dia 28A ocupe Brasília e faça estremecer o Congresso Nacional e seus políticos corruptos.

Travamos em cada local de estudo uma batalha para que as entidades sejam ferramentas de luta e de auto-organização. Com essa perspectiva disputamos políticas que façam avançar a luta dos estudantes nos centros e diretórios acadêmicos, bem como nos grêmios em que atuamos nas universidades e escolas. E achamos também que é fundamental a articulação e organização nacional da juventude, por isso parte da nossa juventude atuou como parte da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (Anel), em momentos em que esta entidade se propôs a organizar um importante setor da vanguarda que via na UNE um braço direto dos governos petistas no Movimento Estudantil. Com o agravamento da crise política e dos processos de luta de classes no nosso país a Anel ficou aquém de ser uma alternativa à juventude e na prática não existe mais. Hoje a UNE é a única entidade nacional que agrupa centenas de entidades de base dos estudantes universitários, que alcança centenas de milhares de jovens de instituições públicas e privadas em todo o país. Apesar de ser uma referência a setores amplos da juventude, a UNE expressa nas políticas de sua direção majoritária uma burocracia que é incapaz de construir uma saída independente, incapaz de verdadeiramente responder às demandas da juventude e ser aliada aos interesses da classe trabalhadora. Por isso nós da Faísca queremos atuar em seus fóruns e nos debates dos processos de luta para conformar uma fração que se contraponha a essa concepção burocrática e seja capaz de disputar a juventude para uma perspectiva anticapitalista e revolucionária.

A CLASSE OPERÁRIA ENTROU EM CENA!

Por uma juventude anticapitalista e revolucionária aliada aos trabalhadores!

Somos parte da juventude que rechaça todos esses políticos corruptos e privilegiados que ganham muito dinheiro às custas do suor e do trabalho do povo pobre. Por isso queremos que todo político ganhe o mesmo salário que uma professora, que deveria ser o salário mínimo do DIEESE. Diante de toda a crise política no país, que tanto o PT como organizações de esquerda querem resolver “por cima”, nós consideramos que após derrubarmos o golpista Temer podemos fazer eleições nacionais para votar em representantes de uma nova Assembleia Constituinte livre e soberana, que seja diferente da de 1988 tutelada pelos militares da ditadura. Como primeira medida a Constituinte poderá votar pela anulação de todos os ataques impostos pelos golpistas e defender um programa para que os capitalistas paguem pela crise, e se colocar a debater os principais problemas nacionais, como a reforma agrária radical, a estatização das empresas privatizadas de Collor à Temer e várias demandas dos trabalhadores e oprimidos.

Todas essas batalhas que queremos dar como Faísca junto com milhares de jovens em todo o país são parte desta perspectiva anticapitalista e revolucionária. É por isso que não acreditamos nas saídas de uma nova esquerda que não se enfrenta com este sistema, com os patrões e com os capitalistas. O avanço da crise capitalista internacional deu espaço a novos fenômenos de esquerda, em rechaço à tentativa de descarregar as crises sobre nossas costas. Como o Syriza na Grécia buscou fazer, ou na Espanha o Podemos, que despertou esperanças por canalizar um forte sentimento “anti-casta”; mas a despeito da indignação da juventude e dos trabalhadores com o 1% explorador, essas organizações traíram os trabalhadores e jovens e se ligaram aos capitalistas para administrar o Estado.

A posição da Faísca é de ruptura com o sistema capitalista e pela luta para construção de outra sociedade. Queremos resgatar os exemplos que a nossa classe deu na construção da história. Comemoramos o centenário que está completando a Revolução Russa de 1917, onde os trabalhadores e as massas oprimidas tomaram o céu de assalto, venceram os capitalistas e construíram o primeiro Estado operário da história. Queremos ser parte da mesma tradição da juventude que incendiou a França junto a milhões de trabalhadores no Maio de 1968, e por isso defendemos que também hoje devemos nos aliar à única classe capaz de subverter essa ordem social podre pela raiz. O nosso lado é o da classe trabalhadora organizada em um partido revolucionário, única capaz de levar adiante uma revolução operária e socialista. Temos como objetivo uma sociedade comunista, sem classes sociais, onde os avanços tecnológicos não estejam a serviço dos capitalistas para nos ameaçar com mais desemprego, e sim a serviço de que todos trabalhem menos horas, com trabalho e condições de vida dignos para termos tempo de nossas vidas dedicado à arte, cultura, diversão e à construção de relações verdadeiramente humanas. Com esta perspectiva é que levamos todas as nossas batalhas cotidianas, por cada direito, contra cada opressão.

Somos inspirados pelos jovens e trabalhadores do Maio de 68 Francês, nas suas barricadas que pararam Paris e fizeram recuar a polícia, nas suas ocupações de universidades e fábricas, na sua defesa incondicional dos vietnamitas e argelinos contra a guerra imperialista e na sua aliança com imigrantes dos bairros latinos. Resgatando a força da nossa classe que já se demonstrou em importantes processos e também nos últimos anos, após a irrupção da crise capitalista, é que queremos chamar toda a juventude a mudar a vida e transformar o mundo. Queremos responder à falência do neoliberalismo e aos novos ataques que planejam contra nós com a mesma aliança revolucionária com os trabalhadores que a juventude francesa já mostrou ser possível e explosiva. Queremos debater este programa anticapitalista e revolucionário, e também anti-imperialista, com os milhares de jovens que como nós tomaram as ruas, ocuparam as escolas e universidades, estão nas greves, lutam contra as ideias dominantes nas salas de aula, se organizam em seus locais de trabalho. Queremos ser a faísca que vai incendiar o país ao lado da classe trabalhadora. Não vamos permitir saídas pela metade, não queremos desperdiçar nossa energia de luta em projeto e políticas que terminam por manter esse sistema capitalista.

Sejamos realistas, exijamos o impossível!




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