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Manifestantes derrubam estátua confederada em repúdio à manifestação fascista nos EUA

Um grupo de manifestantes derrubou nesta segunda-feira (14) uma estátua em homenagem aos soldados dos Estados Confederados da América em Durham, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, durante um protesto contrário aos símbolos da Confederação.

terça-feira 15 de agosto| Edição do dia

Um grupo de manifestantes derrubou nesta segunda-feira (14) uma estátua em homenagem aos soldados dos Estados Confederados da América em Durham, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, durante um protesto contrário aos símbolos da Confederação.

Os manifestantes amarraram uma corda para derrubar o monumento. Depois, muitos aproveitaram para chutar a estátua.

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O protesto estava convocado inicialmente para exigir a retirada dessa mesma estátua e de todos os símbolos confederados que restam na Carolina do Norte, "para que não matem mais gente inocente", segundo os organizadores do protesto, em alusão aos incidentes em Charlottesville (Virgínia), quando um supremacista branco matou a ativista Heather Heyer ao avançar com seu veículo contra uma manifestação antirracista.

A mobilização em Charlottesville rejeitava a presença na cidade de grupos de extrema-direita que protestavam pela decisão da prefeitura local de remover a estátua de um general confederado.

A estátua de Durham, cidade com cerca de 260 mil habitantes, foi instalada nos jardins dos antigos tribunais em 1924.

A bandeira e as personalidades confederadas são objeto de veneração das organizações políticas mais abjetas dos Estados Unidos. Representam as façanhas do exército de Robert E. Lee, que na Guerra de Secessão dos Estados Unidos (1861-65) defendeu a manutenção da escravidão e do imenso poder dos latifundiários nos estados sulistas.

Ainda que derrotados pelos exércitos nortistas, a ideologia arquireacionária da elite dominante agrária despejou seu ódio contra os trabalhadores, em boa parte composto pela população negra e pobre cujos antepassados foram a massa de trabalho escrava dos fazendeiros. A Ku Klux Klan, organização supremacista branca cujo líder David Duke foi um dos convocantes da manifestação na Virgínia, é uma organização que reivindica todo o lixo ideológico do nazismo em sua trajetória de perseguição, brutalidades e assassinatos incontáveis contra a população negra. Uma das principais organizações fascistas da década de 30 nos Estados Unidos, "America First" - coincidentemente, nome que serve de mote de governo para Donald Trump - se apoiava nas "tradições" dos confederados, assim como a KKK.

O Black Lives Matter, as organizações de juventude e os movimentos sociais estadunidenses, em aliança com os trabalhadores negros e brancos, nativos e imigrantes, tem todo o interesse em organizar a mais completa frente única de autodefesa contra essa desprezível "poeira humana" neonazista, que como dizia Trotsky na década de 30, é o regurgito ideológico de um capitalismo em crise.

A crise orgânica estabelecida com o governo Trump, a série de reveses obtidos pelo governo em votações centrais como a derrubada do Obamacare, a cisão interna no partido Republicano e a baixa popularidade de Trump abrem caminho para uma "ida aos extremos" de amplos setores da população. Dessa vez, por uma espécie de "falta de oxigênio" do populismo de direita. É preciso desenvolver uma verdadeira força política dos trabalhadores, anticapitalista e socialista, no coração da besta imperialista, que se diferencie claramente do Partido Democrata e de qualquer "frente anti-Trump" que faça o jogo deste partido imperialista.

O surgimento do DSA e o fortalecimento da ideia do socialismo nos Estados Unidos também é um indício de que a juventude e os trabalhadores buscam alternativas em meio à crise econômica mundial e aos ataques de um governo de direita que protege essas bandas paramilitares da burguesia.




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