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LAVA JATO

Manifestações em defesa da Lava Jato foram pequenas, mas bolsonarismo salvou Moro de um fracasso retumbante

domingo 30 de junho| Edição do dia

Foto: Evaristo Sá. Nota-se como a Esplanada de Brasília estava pouco cheia

Olhando para as redes sociais parecia que as manifestações da direita lava-jatista seriam relevantes e expressivas. Mas não foram. Sua própria força nas redes sociais é inseparável de um extenso uso de “bots”. As manifestações deste dia 30 de junho foram fracas e só não configuraram como um fracasso retumbante porque houve algum nível de apoio dos militares e do Bolsonarismo.

As manifestações foram convocadas por alguns dos mais famosos grupos da direita nacional, o MBL, o Vem Pra Rua, e o Movimento Nas Ruas (dirigido por Carla Zambelli do PSL), entre outros. Elas tinham como pauta oficial: Reforma da Previdência, Projeto Anti-Crime, apoio à Lava Jato.

Diziam que os atos seriam realizados em mais de 300 cidades, mas a Folha de São Paulo relatou meras 70 cidades. Bolsonarista, o portal R7 preferiu repetir durante todo o dia o anúncio que as manifestações “ocorreriam” em 200 cidades. Não há fonte independente para confirmar muito menos para atestar o tamanho das mesmas.

Nas principais capitais do país os atos foram minúsculos comparados com a força que estes grupos mostraram quando eram peça chave do golpe institucional e foram menores que aqueles convocados pelo bolsonarismo em maio.


Melhor imagem da manifestação no RJ que os bolsonaristas do R7 conseguiram reproduzir. Nota-se na fota menos de um terço de um quarteirão da ensolarada Copacabana.

A fraqueza de grupos como MBL ficou evidente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro onde não somente eram alguns dos menores grupos na rua como há relatos e vídeos de pancadaria entre outros direitistas e este grupo. O maior bloco na capital paulista estava no carro de som do Nas Ruas, dirigido por deputada do PSL e que contou com o apoio do Bolsonarista Luciano Hang.

Nas ruas de São Paulo, a equipe do Esquerda Diário que observou a manifestação, notou que havia uma quantidade quase igual de cartazes em apoio ao porte de armas do que aqueles em apoio ao juiz politicamente interessado e golpista, como ficou comprovado nos vazamentos recentes. Evidentemente havia muitos gritos de “Moro, Moro”, mas a forte presença do tema das armas que não configurava no escopo oficial do ato deixa ver como o que salvou o ato foi o bolsonarismo ou, ao menos, um lavajatismo que não consegue mais se separar deste.

Em Brasília a manifestação teve como seu ponto álgido a presença do general Heleno que discursou defendendo a reforma, exortando a pressionar os deputados pela reforma e defendendo Moro.

Essas imagens, do MBL sendo expulso na porrada de ato que convocou, das pautas, de qual era o maior bloco em SP e a fala do ministro-general em Brasília dão a cara do dia. Não fosse a mãozinha dos militares e de parte do bolsonarismo seriam um retumbante fracasso.

Sérgio Moro, sem opção a não ser twittar os atos esforçou-se para achar alguma foto decente da manifestação paulista:

A equipe que observou a manifestação notou que era possível andar livremente em muitas partes da manifestação, até mais livremente do que o costume em um domingo de sol com Paulista interditada. Dificilmente a manifestação dita histórica concentrou 30 mil pessoas em SP. Seguramente os grupos dirão que foram centenas de milhares, ou o que conseguirem produzir com fotos de perto, usando lentes de 50mm e outras técnicas conhecidas.

Talvez o latim que Moro gastou essa semana dizendo que “a montanha pariu um rato” referia-se profeticamente a este domingo...

Diferente da postura de alguém que saiu muito fortalecido das manifestações, o juiz logo após os tweets mostrando o ato, twittou dando conta que sofreu um baque na opinião pública e um humilde agradecimento a quem lhe mantem no cargo: Bolsonaro.

A fraqueza mostrada pela Lava Jato quando esta não conta com o apoio da mídia para convocar suas manifestações, mas somente para não lhe exigir a cabeça em reportagens, é um sinal de que a crise política nacional segue cavando seus caminhos. Mas isso está longe de significar qualquer automatismo na queda de Moro e menos ainda do autoritarismo judiciário. O autoritarismo judiciário sobrevive com apoio militar, do Bolsonarismo e mesmo nas ações de alas do STF que são críticas a Moro, como Gilmar Mendes, mas que foram peça fundamental de garantir o protagonismo golpista do judiciário em todas questões decisivas da política nacional.

Para derrotar o autoritarismo do judiciário é preciso que os trabalhadores confiem em suas próprias forças. Não será de vazamento em vazamento e a conta-gotas que se fará isso. Mas com a juventude e a classe trabalhadora tomando em suas mãos a luta tanto contra a Reforma da Previdência, contra o acordo de entrega do país aos imperialismos europeus e contra o autoritarismo judiciário.




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