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MEIRELLES

Manifestações de 100 mil representa o interesse de uma minoria, diz Meirelles

O ministro golpista da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira, 5, que o número de pessoas que protestaram contra o governo golpista de Michel Temer no domingo, 4, é “substancial”, mas representa uma pequena parcela da população. De acordo com o ministro golpista que participou de uma reunião do G20 na China: “Já tivemos manifestações muito maiores, já tivemos manifestação de um milhão de pessoas.’’

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

segunda-feira 5 de setembro| Edição do dia

Segundo o golpista Henrique Meirelles, é “normal” que aqueles que se opuseram ao processo de impeachment se expressem. De acordo com o ministro “Não vejo isso como nenhum tipo de problema. Muito pelo contrário, acho que isso é parte da democracia, parte do debate livre do País, exatamente o que garante, legitima ainda mais o fato de que o processo é democrático, constitucional.” Em sua opinião, a existência de uma “discussão aberta” sobre o processo de impeachment ajuda a legitimá-lo “frente ao mundo”.

Organizadores estimaram que 100 mil pessoas, estiveram na manifestação realizado na Avenida Paulista no domingo. A PM não divulgou estimativa de público. Como em dias anteriores, a maior parte da manifestação foi pacífica. À noite, no entanto, o ato foi reprimido violentamente pela Polícia Militar com o uso de bombas, bala de borracha e caminhões de água.

Em entrevista concedida no sábado, 3, na China, Temer afirmou que os protestos contra seu governo eram “inexpressivos” e realizados por “grupos mínimos”. Criticando atos de violência, ele se referiu sobre os manifestantes com uma pergunta: “As 40 pessoas que quebram carro?”. No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, também menosprezou os protestos e disse que são pequenos.

Meirelles sustentou que os protestos não vão atrapalhar a votação da proposta de emenda constitucional que estabelece um teto para o crescimento de gastos nem das propostas de reformas previdenciária e trabalhista, medidas consideradas impopulares. Segundo ele, o ajuste fiscal será “fundamental” para ‘’o processo de recuperação econômica’’, o que sensibilizará os parlamentares.

Ao contrário do que diz o Ministro golpista, a manifestação que ocorreu ontem em São Paulo mostra que muitos setores já perceberam o caráter reacionário do golpe institucional que ocorreu no Brasil. Já ficou claro que com o governo golpista de Michel Temer a corrupção não vai acabar, assim como vão ser retirados os direitos trabalhistas e os cortes que vão ocorrer em áreas como a educação e saúde.

A direita golpista sabe disso, tanto é que as últimas manifestações em defesa do golpe institucional foi um verdadeiro fracasso.

Na segunda semana após a consolidação desta manobra reacionária, o governo golpista de Michel Temer consegue apenas se apoiar num setor minoritário de classe média que defende de unhas e dentes as medidas que vão ser imposta aos trabalhadores, em prol da elite, essa sim uma minoria pela qual Meirelles trabalha agora com Temer, como também trabalhou sob mando de Lula.

A minoria de 100 mil pessoas que o Ministro golpista tanto fala para imprensa, reflete na própria mídia burguesa, quando esta tem que dizer que Michel Temer sofre um alto índice de reprovação na capital. A verdadeira intenção dos golpistas ao afirmar que é uma minoria que está se manifestando, é para isolar aqueles que estão em luta, pois frente ao cenário de endurecimento do regime é preciso buscar de todas as formas silenciar aqueles que estão contra o golpe.

Para além de isolar aqueles que estão em luta, o governo golpista de Michel Temer quer buscar legitimidade aos ataques que já estão em curso. Em outras palavras, o que o governo golpista quer sustentar é a tese absurda de que os trabalhadores e setores populares da sociedade, em nome de que ‘’todos tem que trabalhar para o país sair da crise econômica’’, estão apoiando medidas que vão contra os seus interesses e não da verdadeira minoria, a FIESP, os bancos, os detentores da dívida que sempre se beneficiaram nos anos de governo petista e apoiaram um golpe para que fosse implementados ataques mais duros e fortes do que aqueles que o PT já fazia.

Voltando ao banqueiro Henrique Meirelles, seus absurdos não param por aqui. Além de inflar as manifestações de direita que ocorreram no ano passado e neste ano, a ponto de dizer que tiveram um milhão nas manifestações coxinha, o ministro chega ao cumulo de dizer que o processo de impeachment foi democrático. Este ministro golpista, assim como outros que apoiaram o golpe são a melhor representação de um sistema que quando não é do seu interesse desrespeita até o sufrágio universal.

O Ministro da Fazenda sabe que o governo no qual faz parte é ilegítimo e sabe que por isso terá enormes dificuldades para impor os ataques que o imperialismo deseja, daí a diária tentativa de amedrontamento com repressão e prisões ilegais. Num momento onde que o Michel Temer foi para a China pra entregar as nossas riquezas nacionais para o grande capital, Henrique Meirelles soltou esta declaração para acalmar a burguesia que está por trás destas privatizações e que não titubeia em dar as mãos a Temer. É um aviso "estou no mesmo barco, confiem que atacaremos".

Mais do que nunca é preciso um plano de luta que seja capaz de barrar as privatizações, assim como os ataques aos direitos trabalhistas e da previdência. A manifestação de 100 mil foi uma importante demonstração de força, porém tem que avançar rumo uma greve geral que seja capaz de derrotar os ajustes deste governo golpista e no seio desta mobilização lutar por uma saída independente do PT e deste regime corrompido, uma nova assembleia constituinte.




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