Educação

CRISE DO ESTADO - RJ

Manifestação de professores e servidores estaduais fecha Laranjeiras, mas a Globo não transmitiu

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

quinta-feira 17 de março de 2016| Edição do dia

O Ato saiu do Largo do Machado, com grande concentração de professores e estudantes da rede pública estadual, e foi até o Palácio da Guanabara. Os professores estão em greve contra os ajustes do Governador Pezão, que transferiu o pagamento de todos servidores para o décimo dia útil. O ato também contou com a presença de várias categorias do Estado, entre eles trabalhadores do Detran iniciaram a suspensão dos atendimentos neste mesmo dia, aderindo ao movimento de servidores estaduais, que também conta com a greve dos técnicos e professores da UERJ e da FAETEC.

A manifestação também contou com a participação dos alunos da escola de teatro Martins Penna, que semana passada protagonizaram a versão sobre os ajustes da música “Baile de Favela”, como se pode ver no vídeo abaixo:

"Baile de favela" do Mc João, virou "Baile da greve".#Compartilhem

Publicado por Paralisação dos alunos dos colégios estaduais RJ 2016 em Terça, 15 de março de 2016

Apesar da chuva torrencial que durou horas e alagou várias ruas do bairro de laranjeiras, a manifestação mostrou toda a disposição das categorias para lutar, com destaque também para a presença dos estudantes. Ao chegar ao Palácio da Guanabara, uma comissão do SEPE Asduerj, Sintuperj e Faetec foi atendida pelo secretário da casa Civil Afonso Monerat. Pezão não estava lá, porque havia sido internado com uma infecção.


Foto por Hamilton Santos, retirado do Facebook

Como podemos ver na foto, o ato foi bastante grande apesar da chuva, o Esquerda Diário estima mais de 3 mil. No entanto, a mídia burguesa, em especial a rede Globo, sequer noticiou. Esta imprensa na verdade passou o dia inteiro incitando os manifestantes do último dia 13 à sair nas ruas em apoio ao STF, organismo reacionário e autoritário da democracia burguesa, responsável pela criminalização de várias greves e da liberdade de manifestação, que se fortalecido se voltará contra os trabalhadores e os movimentos sociais.

Não é surpresa que a Globo, um dos maiores monopólios midiáticos existentes em todo o mundo, e que atua de maneira absolutamente interessada para defender os interesses dos ricos e seus partidos, "esquece-se" de noticiar as greves dos professores e suas manifestações. Ou quando muito os cita sem nenhuma importância, fazendo questão de passar a ideia de que a classe trabalhadora não luta, e a que a juventude tampouco pode ser um setor importante para impor outra saída à crise econômica e política que assola o país. A Globo mente e manipula descaradamente, como fez contra a Greve das Universidades Federais, a greve dos petroleiros, a greve dos garis e um número incontável de manifestações dos trabalhadores e da juventude.

Nós do Esquerda Diário nos damos a tarefa de cobrir as manifestações sob o ponto de vista dos trabalhadores. Defendemos que em cada greve e cada manifestação, os trabalhadores e a juventude se colocar como o sujeito que pode dar uma resposta à crise política, unindo a luta contra os ajustes desferidos pelo PT contra o aumento dos ataques e das medidas autoritárias que a direita e sua campanha pelo impeachment quer impor.

Contra as manobras do STF e todas as reacionárias instâncias que querem aumentar o autoritarismo visando atacar ainda mais os trabalhadores e a juventude, principalmente negra e da periferia, mas também contra os ajustes e a corrupção do PT, defendemos que sejam os trabalhadores os decidam quando e como retirar os políticos. Para isso defendemos a necessidade de ligar um movimento contra os ajustes e a impunidade, que abra caminho para a luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que institua que todo político, juiz e funcionário de alto escalão ganhe o mesmo que uma professora, seja revogável pelo povo, e não pelo STF, e que acabe com o pagamento da dívida pública, e a entrega dos recursos nacionais ao imperialismo. Um movimento como esse deve vir do fortalecimento das greves em curso, e para isso é fundamental que os sindicatos, principalmente os dirigidos pela esquerda, rompam sua adaptação e façam um chamado ofensivo à CUT para que rompa com o governo e impulsione esse movimento para dar uma saída dos trabalhadores à crise econômica e política que assola o país. Sepe, Asduerj, Sintuperj, Faetec devem assumir desde já essa posição. Nas greves que percorrem o estado do Rio de Janeiro hoje isso é uma condição fundamental para vencer.




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