Política

SÃO PAULO

Manifestação de moradores de Paraisópolis denuncia abandono na Pandemia e Doria se esconde

segunda-feira 18 de maio| Edição do dia

“Não queremos viver em dois Brasis: um que se salva na crise munido de álcool em gel e o outro que fica abandonado à própria sorte, sem água, comida, emprego e sem saúde” - essa é uma das frases ditas, em nota, pela União de Moradores de Paraisópolis, que nesta segunda-feira, 18, realizou uma manifestação pela manhã pedindo apoio do governo estadual de João Dória às comunidades em um possível “lockdown” (a medida mais rígida de isolamento).

Um grupo de, aproximadamente, 500 moradores caminhou até as proximidades da sede do governo estadual, Palácio dos Bandeirantes, porém se depararam com um bloqueio feito pela Tropa de Choque da Polícia Militar a 100 metros da entrada principal impedindo os manifestantes, que estavam de máscaras, distanciados uns dos outros e agindo de forma pacífica, de se aproximarem. A movimentação denunciava os grandes problemas enfrentados pelas comunidades como a falta de água, testes, serviço de ambulâncias, alimentação e higiene, e afirmavam que um endurecimento nas medidas de combate à pandemia, como o “lockdown”, poderia prejudicar ainda mais as pessoas em situação de vulnerabilidade.

“São 60 dias da pandemia no Estado de São Paulo e até hoje não se criou nenhuma política pública para as comunidades. Estamos cobrando do governo políticas públicas para o enfrentamento do Covid nas favelas", protestou Elizandra Cerqueira, presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis.

Essa é a realidade das comunidade e bairros mais pobres do Brasil, são marginalizados e esquecidos, é um absurdo o descaso do governo público, Dória é da mesma laia de falsos apaziguadores e salvadores da pátria, governadores, que por mais que se voltam contra o governo do negacionista, Bolsonaro, operam uma mesma política burguesa de combate ao novo coronavírus.

No começo da pandemia, a própria comunidade de Paraisópolis contratou ambulâncias, médicos e enfermeiros. Também foram escolhidos 420 "presidentes de rua", voluntários que são responsáveis por zelar trechos de vias predefinidos, cada uma com cerca de 50 casas. Os "presidentes" monitoram se algum morador de sua região tem sintomas da Covid-19 ou se precisa de atendimento médico. Outra tarefa é identificar as famílias com necessidades financeiras. Após serem identificadas, essas famílias passam a receber marmitas diárias feitas por mulheres da comunidade. São distribuídas mais de mil marmitas por dia.

Além disso, há dois meses, as comunidades de Paraisópolis estão promovendo mutirões de distribuição de cestas básicas, confecção de máscaras por artesãs locais e uso de escolas para isolamento de pessoas com sintomas leves.

A favela, localizada na zona sul de São Paulo, convive diariamente com os “dois Brasis”, visto que, limita-se com dois dos mais luxuosos condomínios da cidade. A realidade da maior parte da população brasileira é essa, centenas de milhares de membros das famílias trabalhadoras de São Paulo, e de todo o Brasil, vivem na periferia e estão morrendo pelo vírus, pois não podem ficar de quarentena e se podem não têm o mínimo para uma estadia digna.

A organização das comunidades de Paraisópolis é um exemplo de que o combate à pandemia pela auto-organização dos trabalhadores é possível, sim! Portanto, cabe ao governo a garantia do auxílio emergencial de 600 reais, pois muitos moradores de comunidades ainda não receberam, reivindicamos que o auxílio seja de 2000 reais, visto que, 600 reais é um valor mísero. Não há como esperar mais nada de um governo que abre mão da vida de sua população em nome dos lucros, o Brasil é o quarto país no ranking mundial de contaminados pela COVID-19 e nosso Ministro Interino da Saúde é um militar sem precedentes no campo, por isso, Fora Bolsonaro, Mourão e Militares! E que o povo opere a melhor saída para a crise, Paraisópolis é prova de que isso pode ser realidade! Por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.




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