Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIAS ÀS MULHERES

"Maníaco da Orelha" é pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, é preso em Contagem

terça-feira 13 de março| Edição do dia

Nesta terça-feira (13) foi preso em Contagem o estuprador conhecido como "Maníaco da Orelha" que é um pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular.

Wilson Jorge Ferreira, de 51 anos que é pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular foi preso em uma operação da polícia cívil acusado de cometer vários crimes sexuais contra mulheres frequentadoras da igreja. Também foram apreendidos diversos aparelhos eletrônicos.

O pastor já vinha sendo investigado pela Polícia Cívil por diversos abusos sexuais e por estupro de vulnerável. O homem ficou conhecido como "Maníaco da Orelha" por lamber a orelha das vítimas no início dos abusos. Segundo a Polícia Civil, Wilson é lider da congregação e vinha atuando como pastor há 25 anos em Belo Horizonte e agia a pelo menos 10 anos. A polícia acredita que um outro pastor acobertava os atos de Wilson.

Em um dos casos, o pastor abusou de uma menor durante quatro anos, quando a vítima tinha entre 12 e 16 anos. Segundo as investigações, ele se aproveitava da sua posição de pastor para desqualificar possíveis denúncias e também zombava das vítimas.

"Ele falava que tinha muitos amigos que eram policiais, autoridades, político e por isso ele ficaria impune. Falava que era muito influente e as vítimas ficavam com medo de enfrentá-lo. Ele também começava a desacreditar as vítimas perante aos cultos e perante aos outros fiéis da igreja", disse a delegada Larissa Mascotte em coletiva de imprensa na Delegacia Especializada de Combate à Violência Sexual.

O homem foi preso em casa, no Bairro Novo Eldorado, em Contagem, e será levado ao Presídio Jose Martinho Drummond, em Ribeirão das Neves.

Em 2016, foram registrados 49.497 estupros, com um crescimento de 3,5% em relação a 2015, lembrando que pelas estimativas apenas 10% das vítimas denunciam esse tipo de crime no país. Ou seja, o número extraoficial é muito maior, pois muitas vítimas têm medo da exposição e do tratamento que recebem da polícia machista que reproduz a ideologia que culpabiliza as mulheres da violência que sofrem.

Esse é mais um dos casos em que deveria ser garantido que os crimes cometidos fossem levados a júri popular ao invés de serem julgados pela polícia, para que casos esdrúxulos como este não caiam na impunidade. Também é urgente um Plano Nacional de Emergência Contra a Violência às Mulheres para não individualizar os casos de opressão às mulheres e agir no combate profundo ao machismo que estrutura a sociedade capitalista.

Seguimos na luta contra qualquer tipo de abuso, violência ou exploração sexual.

foto: (Paulo Filgueiras/ EM / D.A. Press)




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