Política

MALUF PROTEGE TEMER E BASE DESCONVERSA

Maluf se declara contrário a nova denúncia contra Temer, enquanto maioria da CCJ omite o voto

O procurador geral da república, Rodrigo Janot, segue prestes a encaminhar ao STF a denúncia contra Temer, envolvendo as delações da JBS. Prevista inicialmente para hoje, 19, a denúncia teve o prazo máximo de sua apresentação postergado, sendo encaminhada de fato provavelmente até o final de Junho. Para que o STF inicie o julgamento do presidente, é necessário que dois terços da Câmara aprovem o prosseguimento do inquérito. Temer agora terá como desafio garantir o apoio suficiente na Câmara para salvar sua pele.

segunda-feira 19 de junho| Edição do dia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), já deixou claro sua vontade de que o recesso marcado para o dia 18 de Julho será suspenso para que ocorra a votação. Claro, embora Maia esteja se posicionando de modo favorável à realização de tal votação, é necessário lembrar que seu partido é grande aliado de Temer e que ele mesmo é um entusiástico defensor dos ataques levados adiante pelo presidente golpista. Se por um lado Maia busca demonstrar a Temer o quanto pode influenciar em seu incerto futuro, deixando claro sua importância como aliado do governo, por outro busca atender a uma preocupação de que tal votação seja realizada sem delongas.

O TSE recentemente absolveu a chapa Dilma-Temer, em uma votação apertada e marcada pela “mudança de lado” de Gilmar Mendes, das acusações de corrupção. A partir disso, Temer sai parcialmente fortalecido diante de seus aliados e a pressa para que ocorra logo tal votação se explicaria por este fato. Certamente neste momento seria mais favorável ao presidente negociar com aliados o apoio na Câmara, uma vez que a pressão por sua queda tem diminuído inclusive entre setores da grande mídia burguesa.

Contudo, mesmo antes de chegar à Câmara a denúncia tem de passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que aprovará ou não a admissibilidade dela. A CCJ é composta por 67 membros, dos quais 30 ainda não declararam como será seu voto. Em geral, a maioria dos aliados de Temer está na linha de que somente declarará seu voto após a abertura da denúncia, o que também significa que ainda estão negociando com o presidente. Entre os PSDBistas alguns já declararam voto a favor da denúncia, o que deixa claro a pressão que os tucanos vêm exercendo em suas negociações de apoio a Temer.

Mas sem sombra de dúvidas, um dos maiores destaques dentre os parlamentares que já abriram seu voto é o ultra-corrupto, procurado pela Interpol, Paulo Maluf (PP), que declarou que vota “contra qualquer medida que impeça o governo Temer de trabalhar” (leia-se, de seguir com os ataques brutais à população). Maluf, conhecido por sua ligação com a ditadura militar brasileira e cujo nome é quase um sinônimo de “corrupção” (condenado recentemente por lavagem de dinheiro, respondendo no STF por corrupção passiva, falsidade ideológica, crimes financeiros, dentre outros) certamente precisará negociar algum apoio para continuar salvando sua pele dos inúmeros processos de corrupção que tenta, desde sempre, inútil e ininterruptamente, varrer para debaixo do tapete. É natural que vote, sem tergiversar, para livrar a cara do também corrupto Temer.

De todo modo, sobreviver a mais essa tempestade será a próxima tarefa de Temer para se garantir no posto mais alto do executivo nacional. Enquanto os parlamentares seguem em meio a manobras espúrias de negociação de apoio ao governo, é necessário seguir, nas ruas, com a pressão exercida pelos trabalhadores sobre Temer caso se queira efetivamente barrar as reformas. Se para isso não se pode contar com um congresso corrupto que usa apoio como moeda de troca, por outro lado também não se pode contar com as centrais sindicais que fazem corpo mole para a construção do dia 30. É necessário tomar a greve em nossas mãos para avançar, de modo independente, contra Temer e seus ataques.




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