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ONDE ESTÁ SANTIAGO?

Maldonado: após outra jornada de “testemunhas” preparadas e operações, hoje se conhecerão os registros telefônicos

Nesta quarta-feira policiais continuaram dando declarações com a assistência do Ministério da Segurança. O governo e alguns meios lançaram novas operações. Hoje serão conhecidas novas perícias. Onde está Santiago?

quinta-feira 14 de setembro| Edição do dia

Nesta quarta-feira, 43 dias após a desaparição de Santiago Maldonado, o Tribunal Federal de Esquel foi um dos centros de atenção na investigação deste caso.

Assim, como haviam planejado o juiz e os operadores do Governo, continuaram dando declarações os efetivos da polícia que participaram da repressão no dia 1º de agosto.

Um pouco antes da chegada do representante do Ministério da Segurança, Gonzalo Cané, o haviam feito das “testemunhas”: Hugo Díaz, Orlando Yucra, Daniel Gómez, e Juan Prieto. Segundo explicou Cane ao sair do tribunal “um dos que chegaram até o rio, outros dois que realizaram tarefas gerais”. Sempre segundo as declarações do funcionário, que junto ao advogado Gustavo Dalzone preparam as testemunhas, um deles “disse que viu alguns dos manifestantes cruzando o rio, mas não deu ordem para a repressão”. “Não falaram de pedras, nem tiros de balas de borracha”.

Prieto, segundo esclareceu Cané, seria o acompanhante do policial Buch que dirigia o Eurocargo que entrou em Lof. Vale explicar que, segundo o debatível informe do comandante Balari, aqueles que portavam armas de 9mm se locomoviam nos veículos. Gómez seria o que desceu até a zona do rio.

Com uma forte custódia de um grupo especial da Prefeitura Naval, as “testemunhas” se retiraram após o meio dia. O operativo parecia existir mais para evitar o contato da imprensa com as “testemunhas”, já que não havia nenhum tipo de manifestação na zona.

Falsos alarmes e novas operações

Para a jornada de quarta-feira estava previsto que poderiam fazer-se conhecidos o cruzamento de chamadas e análises de computadores. A secretária e o juiz esperam pela perícia realizada pela Polícia Federal em cerca de 120 celulares. Os estudos foram realizados com o método de geolocalização, que foi criticado por alguns especialistas que afirmam que estes dados podem ser apagados facilmente. Porém, fontes próximas do caso deixaram transparecer que existiriam novidades nos resultados.

Com a falta destas novidades, do governo e algumas fontes dos tribunais, optaram por colocar em marcha novas versões, ocorridas através de um falso alarme de um “encontro” nas imediações do rio Chubut. Da saga do “um manifestante ferido cruzou o rio”, o jornal Clarin difundiu a versão do Governo do que aconteceu no dia 1º de agosto seria “um golpe de imprensa dos mapuches”.

Na nota de Daniel Santoro neste meio, é replicada uma folha escrita à mão, que pertenceria “à RAM”. É conhecido, ainda que o jornalista não o informe, que esta foi entregue ao juiz Otranto e à imprensa por Gerardo Milman e Gonzalo Cané, operadores do Ministério de Segurrança em Esquel.

Na mesma, buscam deslegitimar os depoimentos das mulheres da comunidade mapuche, ao mesmo tempo que se questiona o trabalho do CELS (Centro de Estudos Legais e Sociais), que são parte da acusação, com recortes dos vídeos das audiências até agora desconhecidos. Para apreciar a “qualidade” da nota, em um momento afirma que o manuscrito sequestrado na manhã do 1º de agosto permite “conhecer a posição política da RAM antes da desaparição do jovem artesão. Seguidamente, propõe ter um “discurso mais agressivo, mais provocação aproveitando que TN anda pela zona”, em alusão à equipe deste canal de TV a cabo que tinha viajado a Chubut pp=ara investigar o que tinha acontecido com Maldonado”. Ou seja: uma equipe de TN estava viajando para descobrir o que tinha acontecido com Maldonado… antes que se soubesse da desaparição do Maldonado. Quase uma autoincriminação se não fosse evidente a falta de jeito do escrivão oficial.

As teorias que apontam diretamente contra aqueles que foram vítimas da repressão se reproduziram em programas de TV. Em um deles, o funcionário Milman deslizou a imprudente teoria de que Santiago estaria vivo, após realizar um questionável mapeamento do que chamou de “o lof da RAM”.

Dias tensos

Nestes dias sãos esperadas as declarações de ao menos mais 16 policiais do quartel que participou da repressão do 1º de agosto. Seus depoimentos são preparados nesse momento, detalhadamente, pelos letrados da polícia e do Ministério de Segurança.

O Governo, principal responsável por saber onde está Santiago, passou nos últimos dias de uma negação total sobre a repressão da polícia, para a teoria de “alguns policiais separados”, para novas versões que tentam questionar os denunciantes.

Sabem que a mira está posta na polícia. Que as perícias com provas viciadas são absolutamente questionáveis e se coloca cada vez mais em evidência seu papel no encobrimento.

Temos que esperar novas notícias.




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